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ES pode ir à Justiça caso ministério mantenha adolescentes fora de vacinação

Nésio Fernandes, que está à frente da Secretaria de Estado da Saúde, criticou a decisão do Ministério da Saúde de recuar sobre a decisão de vacinar adolescentes e afirmou que o imunizante é seguro e eficaz

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 17/09/2021 às 08h49
Coletiva de imprensa com o Governador Renato Casagrande e os secretários, Nésio Fernandes, da Saúde e Rogelio Amorim, da Fazenda
Nésio Fernandes, secretário da Saúde do ES, afirmou que a vacinação de adolescentes vai continuar no Estado. Crédito: Fernando Madeira

Depois de o Ministério da Saúde recuar a respeito da vacinação de adolescentes de 12 a 17 anos sem comorbidades contra a Covid-19, o secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, garantiu que a vacina é segura e eficaz e que o Estado seguirá aplicando as doses nesta população. O secretário também criticou a decisão da pasta nacional, classificando como "tempestiva, inoportuna e unilateral".

Em entrevista à TV Gazeta nesta sexta-feira (17), Nésio Fernandes ressaltou a segurança e eficácia dos imunizantes, sobretudo o da Pfizer, que é o único autorizado pela Anvisa a ser aplicado em adolescentes. Ele afirmou ainda que, caso a posição do Ministério da Saúde não seja revista, o Estado poderá tentar rever a decisão na Justiça.

"A vacinação dos adolescente é segura e eficaz e o governo do estado do Espírito Santo irá insistir com o Ministério da Saúde para rever a posição do MS anunciada ontem que, pelo visto, está consolidada. Hoje (17) teremos uma reunião da câmara técnica assessora e tudo aponta para que a câmara aprove a reinserção dos adolescentes na vacinação contra a Covid-19. É possível, caso o Ministério da Saúde não reveja essa posição, que ela seja judicializada", disse.

Nésio também criticou a decisão do Ministério da Saúde, classificando a posição de recuar sobre a vacinação de adolescentes como "intempestiva, inoportuna, unilateral" e sem base científica. Segundo o secretário, isso vai de encontro às recomendações da Câmara Assessora do Programa Nacional de Operacionalização de Vacinação contra a Covid-19 e do próprio Plano Nacional de Imunização (PNI), do governo federal.

"Então, foi uma decisão tempestiva, inoportuna, unilateral que não tem base científica nenhuma. A decisão do governo do Estado se baseia na autorização já apresentada e publicada pela anvisa de que a vacina da Pfizer é segura e eficaz e pode ser utilizada em adolescente de 12 a 17 anos e também na Sociedade Brasileira de Imunizações, de Pediatria, na posição já consolidada na própria câmara assessora e do PNI", acrescentou.

Nésio Fernandes

Secretário da Saúde de Estado

"O que nós queremos é vacina para os adolescentes. Nós somos contrários à opinião de que os adolescentes possam ser submetidos a uma imunidade de rebanho, de que eles sejam privados de um direito de serem protegidos por vacinas quando já temos uma vacina disponível, autorizada, comprada e apta a ser aplicada nessa população"

O secretário ainda relembrou que a vacinação dos adolescentes foi autorizada, inclusive, pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Nésio explicou que a OMS reconhece a necessidade da imunização desse público-alvo, mas desde que os outros grupos prioritários já tenham sido vacinados. A partir disso, Nésio garantiu que o Brasil e o governo do Estado já possuem disponibilidade de doses suficientes para vacinar todos os adultos e adolescentes.

"A OMS reconhece a necessidade da vacinação dos adolescentes, no entanto, faz uma consideração de que a vacinação dos adolescentes sem comorbidades deveria ocorrer após os grupos prioritários terem sido todos contemplados, que é o que acontece neste momento no Brasil. Nós já temos uma grande quantidade de vacinas compradas, tanto pelo governo do Estado quanto pelo Ministério da Saúde, disponíveis para vacinar toda a população adulta, todos os adolescentes com comorbidades, dar o reforço aos idosos e, mesmo com todos esses critérios mais ampliados, existem vacinas disponíveis para vacinar todos os adolescentes", argumentou.

ESTADO PODE USAR IMUNIZANTES DIFERENTES PARA COMPLETAR ESQUEMA VACINAL

Por conta da falta de doses disponíveis da vacina da AstraZeneca, produzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceira com a Oxford, Nésio Fernandes afirmou que o Espírito Santo poderá adotar o modelo heterólogo para completar o esquema vacinal, ou seja, combinar doses de fabricantes diferentes.

"A Fiocruz afirmou que, a partir dos meses de setembro e outubro, teria uma maior autonomia e capacidade produtiva da vacina da AstraZeneca, porque, inclusive, já teria condições de produzir o Insumo Farmacêutico Ativo no Brasil. A expectativa era que a Fiocruz pudesse cumprir o calendário de entrega. No entanto, esse calendário sofreu diversos atrasos, está muito apertado e colocando em risco o prazo de 12 semanas da vacinação da D2 no Espírito Santo. Caso a gente comece a ter atrasos na D2 com mais de 12 semanas na astrazeneca, nós poderemos adotar o sistema heterólogo, aplicando uma segunda dose da Pfizer", contou.

Nésio completou, porém, que existe a expectativa de que novas doses da AstraZeneca cheguem ao Espírito Santo já nesta segunda-feira (20), para que seja possível imunizar totalmente a população capixaba. "Existe a expectativa de que, até segunda-feira, cheguem mais doses da vacina da AstraZeneca suficientes para poder terminar o esquema vacinal em quem vence 12 semanas nesta semana e na próxima", finalizou o secretário.

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