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ES anuncia expansão de leitos e prevê aumento de casos em março e abril

A oferta de mais 105 vagas em UTI está programada para fevereiro, antecipando-se ao crescimento da demanda por internação também de outras doenças respiratórias

Vitória
Publicado em 01/02/2021 às 18h31
Atualizado em 01/02/2021 às 20h45
Novos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) com respirador no Hospital Jayme Santos Neves, na Serra.
Leito de UTI no Hospital Dr. Jayme Santos Neves, na Serra: na rede pública, serão mais 45 vagas; outras 60 estarão em unidades filantrópicas e privadas. Crédito: Reprodução/TV

A tendência de queda observada no Espírito Santo no número de casos e óbitos provocados pela Covid-19 deve se manter até o final de fevereiro, mas as projeções da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) apontam um novo aumento nos indicadores para março e abril que, associado ao período de maior número de ocorrências de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), vai pressionar mais os serviços de saúde. 

Para enfrentar esse cenário, uma das medidas será a expansão de leitos de UTI, com a oferta de mais 105 vagas ao longo deste mês.

Em coletiva na tarde desta segunda-feira (1), o secretário Nésio Fernandes fez um balanço e disse que, se mantida a tendência de redução, o Estado pode consolidar em fevereiro um momento de recuperação. Dos dados positivos que levaram a essa avaliação, um é o número de internações que, nos últimos quatro dias, tem se apresentado abaixo de 500 pacientes por dia nas UTIs.  

"No entanto, prevemos dois cenários possíveis nos próximos dois meses. O 'cenário A' seria influenciado por um comportamento esperado, pela sazonalidade das doenças respiratórias no Espírito Santo. Entre as semanas epidemiológicas 8 e 10 (última de fevereiro e primeira quinzena de março), é esperado o início da aceleração de casos de SRAG", pontuou. 

Como não há nenhum indicativo de mudança climática significativa que possa levar à redução de casos de síndrome respiratória ou a não ocorrência da sazonalidade, e também não há previsão de ampla vacinação contra a Covid-19 e a da gripe só deve começar no final de abril, o sistema de saúde fica mais pressionado. 

"É esperado que o Espírito Santo viva a sazonalidade, desenhando nos meses de março e abril o aumento de casos respiratórios, inclusive os de Covid-19. Risco maior ainda, em especial no G4 (Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica), que não viveram comportamento grave na tríade (casos, internações e óbitos) na segunda expansão. Nesse cenário A, caso ocorra a sazonalidade das doenças respiratórias, que é um padrão de comportamento epidemiológico que se repete todos os anos, o pior cenário seria a curva desenhada tanto no G4 quanto no interior, o que poderia provocar pressão assistencial robusta sobre a rede de serviços de saúde", descreveu o secretário. 

Embora menos provável, Nésio Fernandes também considera a possibilidade de um "cenário B", caso haja vacinação em massa da população entre os meses de fevereiro e março, garantindo imunidade para grande parte da população, de modo a influenciar na curva de casos de doenças respiratórias. Para tanto, reforçou o secretário, é necessária uma mudança na condução política nacional de enfrentamento à pandemia. 

Nesse contexto, Nésio Fernandes reafirmou a necessidade de a população manter a conduta social adequada, com uso de máscaras, não aglomeração e higienização frequente das mãos. 

MEDIDAS

Com a possibilidade de mais uma expansão de casos e, consequentemente, de internações hospitalares, a Sesa planeja a ampliação de leitos de UTI para pacientes do SUS.  Ainda em fevereiro, estão previstas 45 novas vagas de terapia intensiva em hospitais próprios, e outras 60 distribuídas em unidades filantrópicas e particulares, alcançando mais de 770 leitos para infectados pelo coronavírus. 

ATENÇÃO BÁSICA

Também está em andando a seleção de um novo grupo, com 387 enfermeiros, médicos e dentistas para atuar nas Equipes de Saúde da Família (ESFs) de municípios, a partir de um programa conduzido pela Sesa, no qual 621 profissionais já passaram por quatro ciclos de formação. Os selecionados agora vão compor as equipes a partir da última semana de fevereiro. 

"Haverá uma robusta expansão da atenção básica, melhorando tanto o diagnóstico quanto o monitoramento de casos. Serão mais de mil profissionais atuando no enfrentamento à pandemia", destacou Nèsio Fernandes.

Para o subsecretário estadual de Vigilância em Saúde, Luiz Carlos Reblin, o modelo de contratação adotado para as ESFs evita a alta rotatividade de profissionais, ampliando a capacidade dos municípios de garantir a assistência básica.

Outra iniciativa que deverá favorecer os municípios no controle da pandemia em seus territórios é uma nova apresentação dos dados de letalidade por bairros. O indicador, que está disponível a partir desta segunda no Painel Covid - plataforma do governo do Estado com informações sobre a doença no Espírito Santo - demonstra, por exemplo, se a cidade está realizando o monitoramento e a testagem da sua população de maneira adequada. 

Há bairros em que a letalidade chega a 100%, ou seja, o teste para diagnóstico só foi feito em quem morreu, ao passo que, se houver mais testes, é possível controlar melhor a doença e evitar a disseminação.

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