Enfermeira do ES pode perder registro profissional, diz conselho regional

Enfermeira publicou vídeos sem máscara no trabalho e debochando da Coronavac. Segundo Coren-ES, caso está sendo investigado e as penalidades previstas vão de advertência a cassação do registro profissional

Vitória
Publicado em 23/01/2021 às 13h15
Atualizado em 25/01/2021 às 17h30
Enfermeira do ES debocha de vacina em vídeo
Enfermeira do ES disse, em vídeo, que tomou vacina para viajar . Crédito: Reprodução/Instagram

A enfermeira Nathana Ceschim, que publicou nas redes sociais vídeos em que aparece sem máscara no local de trabalho e debochando da vacina contra a Covid-19, pode ter o registro profissional cassado e ficar impedida de exercer a profissão, segundo o Conselho Regional de Enfermagem do Espírito Santo (Coren-ES).

Em nota, o Conselho repudiou a atitude da profissional e disse ser “lamentável que o papel social da enfermagem e a nossa contribuição incansável em defesa da vida, após meses de sofrimento e exaustão, caiam no descrédito por declarações irresponsáveis e inconsequentes como essa”.

Nos vídeos, a enfermeira chegou a mostrar o comprovante de vacinação, ao mesmo tempo em que debochava da Coronavac. "Tomei por conta (sic) que eu quero viajar, não para me sentir mais segura. Porque uma vacina que dá 50% de segurança, para mim, não é uma vacina. Tomei foi água", disse a enfermeira.

Vale destacar que o imunizante tem 50,38% de eficácia no sentido de impedir o contágio, mas 100% de eficácia para prevenir a morte. A vacina, desenvolvida pelo Instituto Butantan, em parceria com a Sinovac, atua de modo a garantir que, se infectados, os pacientes desenvolvam apenas formas mais leves da doença.

LEIA A NOTA DO COREN-ES NA ÍNTEGRA

“A Enfermagem é uma ciência, arte e uma prática social, indispensável à organização e ao funcionamento dos serviços de saúde; está fundamentada no respeito aos direitos humanos, inerente ao exercício da profissão, o que inclui os direitos da pessoa à vida, à saúde, à liberdade, à igualdade, à segurança pessoal, à livre escolha, à dignidade e a ser tratada sem distinção de classe social, geração, etnia, cor, crença religiosa, cultura, incapacidade, deficiência, doença, identidade de gênero, orientação sexual, nacionalidade, convicção política, raça ou condição social.

Lamentável que o papel social da enfermagem e a nossa contribuição incansável em defesa da vida, após meses de sofrimento e exaustão caiam no descrédito por declarações irresponsáveis e inconsequentes como essa. 

O Conselho Regional de Enfermagem repudia tal conduta e informa que já determinou abertura de procedimento ético para apurar o caso.

É inaceitável que, após onze meses de enfrentamento à pandemia e em defesa da vida, um profissional de Enfermagem se posicione nas redes sociais de forma irresponsável e inconsequente, comprometendo a ciência, a saúde e a vida das pessoas.

A apuração, com amplo direito de defesa, será com base no Código de Ética da Enfermagem. As penalidades previstas vão de advertência à cassação do registro profissional.”

ENTENDA O CASO

O Hospital da Santa Casa de Misericórdia de Vitória abriu uma investigação para apurar a conduta de uma enfermeira que publicou nas redes sociais um vídeo em que aparece sem máscara no posto de trabalho, durante o expediente.

A publicação foi feita na noite desta sexta-feira (22) e mostra Nathana Ceschim de touca cirúrgica, em frente a um computador da unidade. O hospital não informou em que área a gravação foi feita. No vídeo, ela brinca com um colega, que aparece na porta da sala com touca, luvas e máscara.

Horas antes, a mesma enfermeira publicou um vídeo em que desdenhava da aplicação da vacina Coronavac. Um comprovante exibido na rede social mostra que a imunização dela contra a Covid-19 aconteceu na terça (19), em Vitória.

"Tomei por conta (sic) que eu quero viajar, não para me sentir mais segura. Porque uma vacina que dá 50% de segurança, para mim, não é uma vacina. Tomei foi água", disse no vídeo.

NOTA DA SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE VITÓRIA

Em nota, a Santa Casa informou que a falta da máscara no ambiente é uma prática proibida desde o início da pandemia e que todos os colaboradores têm conhecimento sobre essa regra.

O hospital ainda disse que “irá tomar as medidas necessárias para garantir a segurança de seus pacientes e a manutenção das normas e condutas fundamentais para o bom atendimento assistencial”.

Sobre a fala da enfermeira sobre a vacina, a Santa Casa esclareceu que, em hipótese alguma, compactua com este tipo de pensamento e que sempre defendeu a ciência.

“Não seria agora que mudaria sua postura, em um momento tão difícil que todos estamos enfrentando. Acreditamos sim na vacina e esperamos que, em breve, não só os funcionários, mas toda a sociedade possa ser imunizada”, diz a nota enviada pelo hospital.

NOTA DA SESA

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) do Espírito Santo informou que "lamenta o posicionamento de qualquer profissional da saúde que desacredite da ciência em prol da vida".

REPORTAGEM PROCURA A ENFERMEIRA

Ambos os vídeos foram publicados no perfil da enfermeira, que era público até a manhã deste sábado (23), quando ela colocou o perfil como privado. A reportagem da Rede Gazeta tentou contato com ela na noite de sexta-feira (22), pelas redes sociais, e na manhã de sábado (23) também  pelo celular e pelo WhatsApp. 

Ela retornou os contatos na tarde desta segunda-feira (25). Em áudio enviado por WhastApp, ela disse que nos vídeos apenas expressou sua opinião, mas não fez campanha contra a vacina.

"Os meus vídeos foram apenas exercendo o meu direito de liberdade de expressão como um cidadã. Eu fiz um vídeo caseiro, dentro da minha casa, sem expor ninguém, dando apenas o meu ponto de vista. Por quê? Porque, sim, eu acho a vacina importante, mas não acho que seja a salvação do problema. Foi um ponto de vista meu, eu não fiz campanha contra a vacina, não falei paras pessoas não se vacinarem, eu não fiz nada disso. Foi um ponto de vista meu, tanto que eu falo no vídeo, ‘pra mim, essa vacina não tem segurança, eu não tomei ela pra me sentir mais segura’, foi um ponto de vista meu", afirmou.

Sobre o não uso de máscara no local de trabalho, a enfermeira explicou que tirou o Equipamento de Proteção Individual (EPI) após o fim do plantão, próximo das 19h, para tomar água.

"Foi um plantão bastante tumultuado que eu tive, que eu passei o dia todo de máscara e não bebi uma gota d'água. Foi o momento que eu parei em frente do computador, respirei, tirei a máscara para poder tomar um pouco de água e fiz aquela brincadeirinha com o técnico lá da equipe de Enfermagem, que não teve relação em nada com a vacina", afirmou.

CORONAVAC

A vacina recebida pela enfermeira é a Coronavac, desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan. A eficácia e a segurança da Coronavac foram comprovadas em ensaios clínicos conduzidos no Brasil.

A eficácia geral da vacina ficou em 50,38% – acima do mínimo de 50% recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O uso emergencial do imunizante no país foi aprovado pela Anvisa no dia 17.

Com informações do G1/ES

Atualização

25 de Janeiro de 2021 às 17:25

A enfermeira Nathana Ceschim se pronunciou sobre os vídeos na tarde desta segunda-feira (25). Ela explicou o motivo das publicações e falou sobre o não uso da máscara em local de trabalho. Por isso, a reportagem foi atualizada.

Se você notou alguma informação incorreta em nosso conteúdo, clique no botão e nos avise, para que possamos corrigi-la o mais rápido possível

Para melhorar a sua navegação, A Gazeta utiliza cookies e tecnologias semelhantes como explicado em nossa Politica de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.

Bem-vindo

A Gazeta deseja enviar alertas sobre as principais notícias do Espírito Santo.