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Para funcionários

Empresa desativa túnel de desinfecção em Aracruz após nota da Anvisa

A decisão foi tomada depois que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e outros órgãos emitiram posicionamento desaconselhando o uso dos equipamentos e de determinadas substâncias

Publicado em 13 de Maio de 2020 às 09:28

Redação de A Gazeta

Publicado em 

13 mai 2020 às 09:28
  • Do G1 ES

14/04/20 - Aracruz - Empresa de Aracruz cria túnel com produtos para proteger funcionários da covid-19
Empresa de Aracruz cria túnel com produtos para proteger funcionários da covid-19: equipamento foi retirado Crédito: TV Gazeta/Reprodução
A empresa de limpeza urbana de Aracruz, no Norte do Espírito Santo, desativou o túnel de desinfecção para funcionários instalados como forma de combater a Covid-19. O equipamento havia sido instalado no mês de abril. O mesmo aconteceu com uma cabine instalada no Hospital Estadual Roberto Silvares, em São Mateus, que foi retirada pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). 
A decisão foi tomada depois que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e outros órgãos emitiram posicionamento desaconselhando o uso dos equipamentos e de determinadas substâncias.
De acordo com a nota técnica da Anvisa, "não foram encontradas recomendações por parte de órgãos como a Organização Mundial da Saúde sobre a desinfecção de pessoas no combate à Covid-19, na modalidade de túneis ou câmaras", e que "não foram encontradas evidências científicas, até o momento, de que o uso dessas estruturas para desinfecção sejam eficazes no combate ao ARS-CoV-2".
A nota da Anvisa diz, ainda, que o uso de quaternários de amônio, a substância química que é borrifada nos túneis, pode causar irritação de pele e das vias respiratórias, e que as pessoas que se expõem constantemente aos produtos podem desenvolver reações alérgicas.
Já os Conselhos Federal e Regional de Química e a Associação Brasileira de Produtos de Limpeza e Higiene afirmam que estes equipamentos foram pensados para a desinfecção de profissionais de saúde que utilizam Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) completamente vedados, sem a exposição da pele para não ter contato com o produto.
A empresa de Aracruz, além de desligar o túnel, disse que nenhum funcionário apresentou reação. No Hospital Roberto Silvares, o túnel havia sido uma doação, e também foi desativado por decisão da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa). A Sesa ressaltou que a nota técnica da Anvisa foi encaminhada para todos os municípios.
Cabine de desinfecção no hospital Roberto Silvares, em São Mateus
Cabine de desinfecção no hospital Roberto Silvares, em São Mateus: equipamento foi retirado pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) Crédito: Reprodução / TV Gazeta

PREFEITURAS

Além da empresa, outras prefeituras no Espírito Santo instalaram o equipamento para uso dos moradores. As administrações de Aracruz e Serra disseram que vão continuar utilizando o método de desinfecção.
  • Aracruz
Três túneis foram doados e instalados no município de Aracruz, sendo dois em frente a Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e um em frente ao Hospital São Camilo. Apesar de a empresa ter desativado o túnel para desinfecção dos próprios funcionários, os túneis usados pela prefeitura vão continuar funcionando, segundo a Secretária de Saúde do município, Clenir Avanza.
"Não há nenhum dano com a utilização dele para humanos nem para animais. Me espanta saber que a Anvisa está preocupada em falar sobre túneis ao invés de alertar a população sobre o isolamento social, que é a forma mais eficaz de prevenção contra a Covid".
  • Serra
Já na Grande Vitória, a Prefeitura da Serra instalou sete túneis como estes. O produto usado nos equipamentos da cidade é o dióxido de cloro. À TV Gazeta, o secretário de saúde do município, Alexandre Viana, afirmou que são gastos R$ 120 mil por mês com o aluguel dos equipamentos, além dos produtos químicos.
O Conselho Regional de Química informou que enviou denúncia ao Ministério Público Federal e do Trabalho. Também notificou a Prefeitura da Serra e cobrou posicionamento da Vigilância Sanitária Estadual.
Em nota, a Prefeitura da Serra reiterou que o produto utilizado nos túneis da cidade não faz mal à saúde. Trata-se de um produto classificado como não perigoso pelo sistema de classificação da Associação Brasileira de Normas Técnicas (Norma ABNT- NBR 14725-2:2009).
"O produto foi aprovado em testes e tem laudos emitidos pelo laboratório Bioagri Mèrieux NutriSciences Company em relação à irritabilidade, corrosão dérmica e ocular e também foi aprovado em testes e laudos de toxicidade inalatória, oral e dérmica. Por isso, o produto foi classificado como não irritante e também não tóxico", disse a prefeitura.
A prefeitura acrescentou que, em relação à eficácia, o produto foi testado pelo renomado laboratório alemão Labor Enders, que confirmou todos os seus benefícios, e informou que está à disposição das autoridades para todos os esclarecimentos necessários.

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