Publicado em 28 de maio de 2021 às 14:09
- Atualizado há 5 anos
O governador Renato Casagrande anunciou nesta sexta-feira (28) que vai abrir a vacinação contra a Covid-19 para a população do Espírito Santo por faixa etária, mesmo sem comorbidades. O início da imunização para esse público, que vai atender primeiro as pessoas de 55 a 59 anos, está previsto para a próxima semana. >
O anúncio foi feito em solenidade no Palácio Anchieta durante evento que celebra o começo da vacinação de portuários e aeroportuários. >
Casagrande explicou que, das doses que são enviadas toda semana pelo Ministério da Saúde, hoje 10% são da reserva técnica e que têm sido usados para antecipar grupos prioritários, tais como profissionais da Segurança, Educação, agentes socioeducativos, inspetores penitenciários e, agora, aeroportuários e portuários. >
Descontada a reserva técnica, a partir da próxima semana, 20% continuarão a ser usadas para os grupos que foram antecipados e 80% para a população geral sem comorbidade. >
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A distribuição por faixa etária ainda não foi apresentada, mas começa sempre dos mais velhos para os mais novos. O primeiro grupo apontado pelo governador é o compreendido entre 55 e 59 anos. >
Casagrande destacou que uma decisão da comissão tripartite - União, Estados e municípios - nesta quinta-feira (27) possibilitou o Estado a adotar a medida. "Temos um pouco mais de liberdade no Espírito Santo para começar a vacinar a população por faixa etária, da maior para a menor, sem comorbidades.">
A ampliação da imunização para pessoas por faixa etária somente será possível desde que o governo reserve parte para os grupos de risco e tenha concluído a primeira dose das pessoas com comorbidades. >
Uma resolução com as diretrizes está sendo elaborada e, segundo Casagrande, deve ser publicada ainda nesta sexta-feira. >
"Temos um número pequeno de pessoas com comorbidades que não receberam a primeira dose. Agora, vamos publicar a resolução para orientar os municípios e, nos próximos dias, começar a vacinar as pessoas com menos de 60 anos", frisou o governador. >
A decisão da comissão a que o governador se refere vai ser respaldada nas orientações que o Ministério da Saúde vai passar em nota técnica. >
Segundo a coordenadora do Programa Nacional de Imunizações, Francieli Fontana, a mudança passou a ser planejada após pedido de alguns municípios, que afirmam ter menor demanda na vacinação dos grupos prioritários atuais ou já terem avançado em parte dos seguintes - daí pedirem para iniciar a vacinação também por faixa etária.>
"Nesse momento, muitos Estados e municípios estão tendo diferenças na vacinação", afirmou ela, segundo quem alguns municípios podem ter tido estimativas superiores à demanda real. "Há muitos municípios que estão com pouca demanda nas unidades de saúde para esses grupos.">
Atualmente, a vacinação no país, salvo diferenças regionais, está prevista para pessoas com doenças preexistentes, com deficiência permanente, população em situação de rua, funcionários do sistema prisional e população privada de liberdade.>
Com a nova medida, a pasta quer então iniciar o envio de doses para vacinação de professores e trabalhadores de educação, que seriam os próximos da lista nacional, enquanto a vacinação dos grupos atuais é concluída. No caso do Espírito Santo, os profissionais da Educação já estão sendo vacinados por estratégia do governo do Estado. >
Passada essa etapa, que na prática já ocorre em diversos Estados, seria aberta a possibilidade também de iniciar, em alguns locais, o início da vacinação por faixa etária.>
A medida ocorreria em conjunto com a vacinação dos últimos grupos prioritários, que seguem a ordem do plano de vacinação. Entram na lista trabalhadores do transporte coletivo - também já atendidos no Espírito Santo - e metroviário, caminhoneiros, trabalhadores industriais e funcionários da limpeza urbana.>
Para que o início da vacinação por faixa etária possa ocorrer, municípios devem pactuar a estratégia em conjunto com os Estados em comissões técnicas e reservar uma parte das doses para manter a imunização dos grupos prioritários.>
"É destinar parte das doses para seguir com idade e parte para seguir com o plano", completou o secretário-executivo do ministério, Rodrigo Cruz.>
Segundo Fontana, dados da situação atual da epidemia têm mostrado a possibilidade de avançar na vacinação por faixa etária. "De 59 a 50 anos, também vem se verificando um aumento da mortalidade. Quanto mais velho, maior o risco de complicação e morte", afirmou.>
Na reunião, a pasta não detalhou se haveria critérios mais específicos para definição de quais locais podem iniciar a vacinação por faixa etária nem quais os percentuais de reserva propostos por idade e para os grupos prioritários enquanto isso ocorrer. Questionado pela reportagem sobre a proposta, o ministério disse apenas que mais dados devem constar de nota técnica.>
Ao aprovar a proposta, secretários de saúde citaram que alguns municípios têm deixado doses estocadas por terem baixa demanda para alguns grupos - caso da população em situação de rua ou população privada de liberdade, por não terem presídios ou serem cidades menores, por exemplo.>
"Fico desesperado quando escuto secretário me ligar e dizer que não tem mais grupo de comorbidade e de pessoas com mais de 60 anos. E que diz que está com vacina estocada enquanto espera abrir outro público", afirmou o secretário de saúde do Maranhão e presidente do Conass (conselho que reúne secretários estaduais de saúde), Carlos Lula.>
Para Mauro Junqueira, secretário-executivo do Conasems, conselho que reúne os municípios, a medida não prejudica o plano de vacinação. "Deixamos claro que aqueles que já avançaram nos grupos e tiverem vacinas disponíveis podem iniciar por idade", disse.>
Ainda de acordo com a coordenadora, a estimativa é que a vacinação de pessoas com comorbidades e demais grupos atuais seja concluída em até duas semanas. Ela não informou qual a previsão de conclusão todo o público prioritário, o qual soma 78,4 milhões de pessoas.>
O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, tem dito que pretende terminar a vacinação de toda a população adulta - ou seja, além dos grupos prioritários - até o fim deste ano.>
O cronograma de doses, no entanto, tem enfrentando impasses junto a alguns fornecedores devido ao atraso na entrega de insumos usados na produção de vacinas.>
Nesta quarta (26), novo cronograma divulgado pela Saúde reduziu para 43,8 milhões a previsão de doses de vacinas contra Covid a serem distribuídas em junho. Até então, a estimativa, calculada a partir de dados de fornecedores, era de 52,2 milhões de doses.>
Ainda no encontro, gestores manifestaram preocupação com novo aumento de casos da Covid no país e pediram apoio do Ministério da Saúde na organização de ações.>
"Falam que estamos entrando na terceira onda. Acho que nem saímos da primeira. Nosso alerta é no sentido de estarmos atentos ao recrudescimento da pandemia nesse momento. Para 2021, vamos precisar de muito mais recursos na Saúde do que tivemos em 2020", disse o presidente do Conasems, Willames Freire.>
O secretário de vigilância em saúde do ministério, Arnaldo Medeiros, confirmou que os dados apontam um aumento de casos nas últimas cinco semanas, mas evitou definir se a situação se trata de uma terceira onda. "Às vezes também tenho a impressão de que tivemos um recrudescimento de uma única onda", comentou.>
Com informações da Folhapress>
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