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Covid-19: ES tem maior aumento na média móvel de óbitos no país

De acordo com análise da Secretaria Estadual de Saúde, tem sido observado o aumento diário no número de óbitos e novos casos nesta  terceira fase de expansão da doença

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 31/03/2021 às 19h27
Profissionais da saúde em atendimento: pandemia da Covid-19 já fez quase 300 mil vítimas no Brasil
ES tem maior aumento percentual na média móvel de óbitos do país. Crédito: Roverna Rosa/Agência Brasil

Na terça-feira (30) o Brasil registrou 3.668 mortes em 24 horas pela Covid-19, de acordo com informação do Consórcio de Veículos de Imprensa. Apenas no Espírito Santo, no mesmo dia, foram contabilizadas 72 mortes no mesmo espaço de tempo, além de 61 óbitos nesta quarta (31). Com registros diários de números elevados, os dados levantados pelo Consórcio também apontam que Estado passou a figurar como o que apresentou maior aumento percentual na média móvel de óbitos do país.

Painel Covid-19
Média móvel de óbitos no ES sofre maior aumento percentual do país. Crédito: Reprodução | Sesa

Para entender a elevação expressiva nos índices da Covid-19, a reportagem ouviu a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) e um representante do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN).

De acordo com análise da Sesa, tem sido observado o aumento diário no número de óbitos pelo novo coronavírus no Estado nas últimas semanas epidemiológicas. Esse aumento acompanha também o crescimento de novos casos da doença diante da terceira fase de expansão, compreendida a partir da Semana Epidemiológica (SE) 08, que compreende o período de 21 a 27 de fevereiro.

Da 'SE 08' até a semana vigente (de número 13), o Estado já notificou aproximadamente 1.125 óbitos pela Covid-19, segundo dados do Painel Covid-19. Ainda segundo o Painel, nesta terça-feira (30), a média móvel de óbitos de 14 dias apresentou um aumento de 88,84% comparada ao dia anterior; já a média móvel de óbitos de 7 dias obteve um aumento de 12,32% comparada ao dia anterior.

Como explica a Sesa, vale lembrar que a média móvel é um recurso matemático que permite analisar se o número de casos confirmados e/ou de óbitos na última semana ou em 14 dias aumentou ou diminuiu, de acordo com o mesmo intervalo de tempo das semanas anteriores.

Em nota, a secretaria ressaltou que as medidas de prevenção precisam ser mantidas, com respeito ao distanciamento social, ao uso da máscara e à higiene das mãos. Além disso, junto ao respeito às medidas restritivas adotadas pelo Estado.

PRINCIPAIS FATORES

A explicação do aumento que vem sendo observado entre a segunda quinzena do mês de fevereiro e início do mês de março, para Pablo Lira, diretor-presidente do IJSN, pode ser resumida em três principais fatores:

  1. 01

    Resultado de 'irresponsáveis' aglomerações do período do carnaval e do início do ano

    De acordo com Lira, os resquícios destes períodos do ano, em especial do carnaval, que aconteceu a partir de 15 de fevereiro, trouxeram resultados cerca de 21 dias depois. "É o que se chama de janela de transmissão. Depois de três semanas houve um aumento que chama a atenção, em curto espaço de tempo, em especial em virtude de aglomeração dos jovens", destacou;

  2. 02

    Aumento das síndromes respiratórias agudas graves

    Segundo o diretor-presidente do IJSN, o mês de março já conta, como fator sazonal esperado, com o aumento das síndromes respiratórias, como é o caso da própria Covid-19;

  3. 03

    Novas variantes em circulação no território nacional e em território capixaba

    Dentre as novas cepas identificadas, a atenção especial no Estado fica para a variante do Reino Unido, diagnosticada no Lacen, e já presente na maioria dos municípios do Espírito Santo.

CICLOS REGIONAIS DA PANDEMIA

De acordo com Pablo, também é possível falar em ciclos regionais da pandemia. Para o especialista, no início da disseminação do vírus no Brasil, houve destaque para Estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Amazonas e Ceará, ainda em 2020. Somente depois houve aumento no Espírito Santo.

Como efeito das variantes, como a do Amazonas, elas se reproduziram em outros Estados da federação. "No entanto, no ES não há proeminência da cepa de Manaus. O comportamento do vírus em Estados do sul do país vem se reproduzindo aqui, logo temos que ficar atentos a estes estados. Eles tiveram três semanas de crescimento muito forte, nossa ideia é passar menos tempo assim, com ajuda do isolamento social", disse.

Neste sentido, o que se espera, de acordo com Lira, é que com a querentena preventiva seja reduzido o contágio, a pressão de leitos e o número de óbitos. "Aqui reside a importância de reforçar para a população fazer a parte dela, preservando vidas. Os efeitos vêm na janela de 14 a 21 dias, esperamos reduzir a curva, preservar vidas e desacelerar o crescimento de casos e óbitos", acrescentou.

Além da quarentena, outra medida tomada pelo governo capixaba que tem sido fundamental, segundo Lira, é a de não ter parado a expansão de leitos. "Uma semana e meia atrás tínhamos mais de 700 leitos de Unidade de Terapia Intensiva, agora são quase 900. Isso foi feito de forma prudente, mas a expansão tem limite e ele se encontra no número de profissionais da saúde, que estão sob stress muito grande. Quanto mais leitos, mais profissionais é preciso ter", afirmou.

O diretor-presidente do IJSN ainda ressaltou, por fim, a expectativa em ganhar ritmo na vacinação, sendo este o único fator apto a controlar efetivamente o aumento do número de óbitos. "E nisso o Brasil caminha a passos lentos. Começou tarde e o ritmo é devagar", concluiu.

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