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Coronavac: o que se sabe sobre a vacina que é aposta para dezembro

No Brasil, um acordo entre a farmacêutica vacina Sinovac e o Instituto Butantan prevê transferência de tecnologia e a entrega de seis milhões de doses do composto, já prontas, em dezembro

Publicado em 01/10/2020 às 12h50
Atualizado em 01/10/2020 às 12h50
Governador de SP, João Doria, apresenta vacina que deve ficar pronta em dezembro. Crédito: Divulgação/Governo de São Paulo
Governador de SP, João Doria, apresenta vacina que deve ficar pronta em dezembro. Crédito: Divulgação/Governo de São Paulo

Testada em voluntários brasileiros desde o mês de julho, a vacina chinesa Coronavac é considerada uma das mais promissoras do mundo contra o coronavírus. A segurança do imunizante já foi comprovada em uma pesquisa com mais de 50 mil voluntários na China. No Brasil, os estudos da última fase são acompanhados por 12 centros de pesquisa em cinco estados e no Distrito Federal.

Um acordo firmado entre o Instituto Butantan e a farmacêutica Sinovac, responsável pela Coronavac, no valor de US$ 90 milhões, formaliza a transferência de tecnologia para produção da vacina pelo Butantan. Até dezembro, a farmacêutica vai enviar 6 milhões de doses da vacina já prontas, enquanto outras 40 milhões serão formuladas e envasadas em São Paulo.

Tanto na China como no Brasil, os testes clínicos passaram a envolver voluntários com mais de 60 anos, que são o grupo mais suscetível aos sintomas graves da Covid-19. De acordo com o Butantan, que coordena a pesquisa no Brasil, a expectativa é que os testes de eficácia da Coronavac sejam encerrados até o dia 15 de outubro.

Se a Coronavac tiver sucesso na última etapa dos testes, o Butantan pedirá a aprovação emergencial do imunizante à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O governo de São Paulo planeja iniciar uma campanha de vacinação contra o coronavírus na segunda quinzena de dezembro.

Vacina chinesa Coronavac pode ser produzida no Brasil
Vacina chinesa Coronavac será produzida no Brasil pelo Instituto Butantan. Crédito: Instituto Butantan

APROVAÇÃO

Segundo o governador de São Paulo, João Doria, estudos realizados na China apontam que 94,7% de mais de 50 mil voluntários não tiveram sintoma adverso à vacina, que teve 98% de eficiência na imunização.

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou na última sexta-feira (25) que a Anvisa se propôs a "acompanhar mais de perto" a aprovação da vacina Coronavac. 

De acordo com ele, houve "concordância imediata" pelo presidente da agência reguladora, Antônio Barra Torres, para que quando fossem apresentados os resultados da fase 3, não houvesse nenhum tipo de demora na emissão do registro da vacina.

Dimas Covas

Diretor do Instituto Butantan

"Levamos resultados adicionais de estudos de segurança produzidos na China, que mostrou um perfil de segurança muito próximo da nossa vacina da influenza"

Ele afirma que, até o momento, os estudos chineses sobre a coronavac já foram feitos com 24 mil voluntários e que houve registro de apenas 5% de efeitos colaterais, 3% de efeitos mais graves (dor no local da aplicação) e apenas 0,18% de manifestações febris.

O QUE SE SABE SOBRE A VACINA

  1. 01

    Parceria

    Em 11 de junho, o Governo de São Paulo anuncia parceria entre o Instituto Butantan e a farmacêutica Sinovac Life Science para testes clínicos e produção de vacina em estágio avançado de desenvolvimento.

  2. 02

    Distribuição pelo SUS

    Se a vacina for aprovada, Sinovac e Butantan vão firmar acordo de transferência de tecnologia para produção em escala industrial e fornecimento gratuito à população por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

  3. 03

    Acordo

    Acordo prevê testagem e fornecimento de doses até junho de 2021, caso a imunização se prove eficaz e segura. O Instituto Butantan receberá 60 milhões de doses do medicamento. Comprovada a eficácia e segurança, elas serão disponibilizadas à população brasileira. O Butantan também poderá produzir a vacina em sua fábrica, em São Paulo, após transferência de tecnologia.

  4. 04

    Tecnologia da vacina

    A vacina tem a mesma tecnologia usada em outras bem-sucedidas, como as do sarampo e poliomielite, por exemplo.

  5. 05

    Fases de testes

    Na Fase 1, os testes preliminares realizados na China envolveram 144 voluntários adultos que foram monitorados para avaliação da segurança.  A Fase 2, também feita na China, testou a segurança mais detalhada e verificou resposta imune nos participantes. Já a Fase 3,  realizada no Brasil pelo Instituto Butantan com 9 mil voluntários, verifica segurança e eficácia da vacina na proteção contra a doença.

  6. 06

    Voluntários

    São cerca de 9 mil profissionais da saúde que trabalham no atendimento a pacientes com Covid-19 . São pessoas que não foram infectadas pelo vírus e não participam de outros estudos.

OUTRAS VACINAS

Informações da Organização Mundial de Saúde (OMS) atestam que há mais de 200 projetos de vacina contra o coronavírus em diferentes fases de desenvolvimento no mundo.

Um relatório divulgado recentemente pela instituição apontou que há no momento 33 vacinas em fase de experimentos clínicos, das quais 10 estão na etapa mais adiantada, chamada fase 3. Outras 143 estão em fase pré-clínica.

E, segundo a Organização Não Governamental Oxfam, a disputa pelas vacinas já está acirrada. Os países mais ricos do mundo, que têm apenas 13% da população global, já compraram mais da metade (51%) das doses prometidas pelos laboratórios.

A ONG analisou acordos fechados entre empresas farmacêuticas, laboratórios e os países para a compra das cinco principais vacinas em produção: AstraZeneca, Gamaleya/Sputnik, Moderna, Pfizer e Sinovac.

Desses, quatro compostos estão sendo testados no Brasil: o produzido pela farmacêutica americana Pfizer em parceria com a alemã BioNTech; a vacina da AstraZeneca, desenvolvida na Universidade de Oxford; a Coronavac, feita em parceria entre o Instituto Butantan com a chinesa Sinovac; além da Janssen-Cilag, da Johnson & Johnson.

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