ASSINE

Como vão funcionar as aulas nas escolas do ES em 2021

Data de início do ano letivo, modelo híbrido e recuperação de conteúdos são alguns dos tópicos pontuados pelas redes de ensino

Vitória
Publicado em 05/11/2020 às 19h10
Atualizado em 06/11/2020 às 19h56
Escolas adotam medidas de segurança para volta às aulas
Escolas adotaram medidas de segurança para voltar às aulas em outubro. Crédito: Fernando Madeira

Na crise da Covid-19, a área da educação é uma das mais impactadas. Com a suspensão das aulas presenciais, foi necessário desenvolver um novo modelo de ensino, com atividades remotas, numa tentativa de minimizar os prejuízos provocados pelas escolas fechadas. Passado um mês do início da retomada do presencial, mas ainda em meio à pandemia e todas as restrições impostas, pais e responsáveis começam a se perguntar: como será em 2021?

A reportagem de A Gazeta foi atrás destas respostas com a Secretaria de Estado da Educação (Sedu)  e com o Sindicato das Empresas Particulares de Ensino do Espírito Santo (Sinepe-ES). Tanto na rede estadual quanto na privada, a pandemia continuará ditando o ritmo de atuação das escolas. De todo modo, o planejamento está sendo feito para qualquer cenário em 2021: do retorno às restrições de aulas presenciais até um avanço da liberação dos alunos nas escolas.

COMEÇO DO ANO LETIVO

Segundo o secretário estadual da Educação, Vitor de Angelo, as aulas na rede terão início no primeiro dia de fevereiro. Apesar de não estar oficializado, a decisão já foi tomada e formulada em uma portaria a ser publicada ainda este mês.

Já a rede particular não tem uma data única para o retorno às aulas. Segundo o presidente do Sinepe-ES, Moacir Lellis, cada escola pode decidir, embora haja uma tentativa de trabalhar de forma conjunta. “Nós estamos terminando o calendário e sugerimos para a escola. Mas, na verdade, isso é autonomia da escola. Como temos professores que trabalham também na rede estadual e municipal, procuramos conciliar para que,  em julho, tenham o recesso nas três redes. Está faltando apenas fechar esses detalhes para definir o calendário do ano que vem”, destaca.

Este vídeo pode te interessar

ENSINO HÍBRIDO CONTINUA?

Outro dúvida é sobre a permanência do ensino híbrido, modelo em que parte das atividades é presencial, parte remota. Este é um ponto em comum tanto para a rede pública quanto para a particular. Uma resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE) permite aulas remotas até o fim de 2021. Por isso, o cenário da pandemia é que vai determinar se a estratégia será mantida ou extinta no próximo ano. 

Na rede pública, o secretário Vitor de Angelo afirma que, considerando a perspectiva da pandemia para o início do próximo ano, o ensino híbrido provavelmente será mantido, com aulas presenciais e remotas de forma alternada.

“Tudo depende da pandemia. Mas, seja como for, o pior cenário seria o que vivemos até o momento, e o melhor cenário é o que estamos vivendo agora. O tempo que isso vai durar em 2021 é incerto. Pode ser só no início e durar alguns meses, ou pode durar o ano todo. Neste caso, já estamos autorizados. Mas, tudo depende também da evolução da pandemia, da vacinação, e de questões que não são propriamente educacionais”, pontua. 

Na rede particular, o Sinepe também acompanha a resolução do CNE. Mas o presidente destaca que cabe a cada escola adotar o modelo a ser seguido dentro das regras determinadas pelas autoridades de saúde. “O CNE emitiu um parecer dizendo que o ensino híbrido, as aulas remotas, estão permitidas até 31 de dezembro de 2021. Então, até lá, a escola que julgar que deva utilizar, isso também é autonomia deles, o Sinepe não pode interferir."

CONTEÚDOS PERDIDOS SERÃO COMPENSADOS?

Sobre os conteúdos aplicados ao longo deste ano - que podem não ter sido assimilados pelos alunos por conta das dificuldades com o modelo remoto - ou mesmo os que não foram ministrados em 2020, estarão no currículo do ano que vem. Na rede pública, essa medida foi definida ainda no mês de agosto, quando a Sedu destacou a necessidade de se reorganizar a aplicação do conteúdo curricular.

Na rede privada, o mesmo sistema será seguido, de acordo com o Sinepe. “Há 1.600 horas mínimas para serem ministradas ao longo de dois anos. Se não conseguiu, por algum motivo este ano, pode ir para 2021. Quando chegar no final de 2021, o que foi feito nos dois anos, tem que dar essa carga horária de 1600 horas”, explica Lellis.

Sobre a adoção da medida, na prática, para alunos que não conseguiram absorver os conteúdos da melhor forma, Lellis esclarece que o monitoramento está sendo feito por meio de avaliações diagnósticos de desempenho. 

“Nem todo aluno conseguiu assimilar o conteúdo não presencial. Então, nós temos que trabalhar esses alunos que não conseguiram. Nessa avaliação vai ser possível ver o que esse aluno está precisando, o que faltou neste ano de pandemia. A orientação é que, em função da pandemia, se aproveite tudo o que foi feito pelo aluno, que não se reprove. Mas não quer dizer que vai passar de qualquer jeito. Se ele tiver faltando algum conteúdo, ele vai ter que fazer esse conteúdo, vai ter que assimilar esse conteúdo”, afirma.

FORMA DE AVALIAÇÃO VAI MUDAR?

Assim como no ensino híbrido, tanto a rede pública quanto a particular aguardam os rumos da pandemia para a definição concreta de como as avaliações dos alunos serão feitas. Por enquanto, cada escola da rede particular define o seu modelo, como destaca Lellis.

“A escola vai definir como vai balizar. O professor tem o conhecimento do aluno; isso é muito subjetivo.  Há várias maneiras de avaliar o aluno, se ele assimilou ou não assimilou o conteúdo."

Já na rede pública, o secretário Vitor de Angelo explica que já estão sendo aplicadas avaliações diagnósticas com o objetivo de mapear o conhecimento dos alunos, e não para atribuir notas. Essa medida também será adotada no início do próximo ano letivo. Sobre as avaliações em geral, destacou que a pandemia e as necessidades do momento vão levar o órgão a fazer uma análise dos melhores métodos de avaliação.

“Em 2021, tudo depende de um entendimento sobre como será o ano letivo. Havendo condições, as avaliações seguem normalmente, presenciais. Não sendo, precisamos reavaliar porque não é simples fazer uma avaliação totalmente a distância, nos mesmos moldes das aplicadas nos períodos normais. Tudo depende de como estaremos em 2021. Mas, a princípio, não estamos trabalhando com uma mudança drástica na dinâmica das avaliações, não. Elas permanecerão as mesmas até porque estamos voltando para uma certa normalidade no que diz respeito às aulas presenciais e as possibilidades de fazer avaliações presenciais”, concluiu.

As regras oficiais da rede pública serão publicadas na Chamada Pública Escolar que, de acordo com o secretário, acontecerá ainda no mês de novembro, com datas oficiais e normas para o próximo ano letivo.

A Gazeta integra o

Saiba mais
Educação Espírito Santo Sedu Coronavírus espírito santo Escolas particulares Escolas Públicas

Se você notou alguma informação incorreta em nosso conteúdo, clique no botão e nos avise, para que possamos corrigi-la o mais rápido possível

Para melhorar a sua navegação, A Gazeta utiliza cookies e tecnologias semelhantes como explicado em nossa Politica de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.