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Chacina na Ilha: inquérito sobre o caso é colocado em segredo de Justiça

As investigações da morte de quatro jovens executados em uma ilha, na Baía de Vitória, ainda não se encerraram. Três suspeitos continuam soltos

Publicado em 21/10/2020 às 09h30
Atualizado em 21/10/2020 às 17h30
Quatro homens foram assassinados na Ilha do Américo, em Santo Antônio
Chacina na Ilha do Américo. Crédito: Fernando Madeira

As investigações que apuram o assassinato de quatro jovens na Ilha Doutro Américo de Oliveira, na Baia de Vitória, foram colocadas em segredo de justiça. Dois acusados foram presos até agora e outros três continuam foragidos. O caso está sendo apurado pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Vitória.

A chacina aconteceu no final da tarde de 28 de setembro. Os três suspeitos do crime que ainda estão foragidos são: um adolescente – que possui mandado de busca e apreensão pelo crime –, Felipe Domingos Lopes e outro maior de idade, que não teve o nome fornecido pela polícia. 

Atualização: o nome de um segundo suspeito maior de idade estava sendo publicado após a confirmação da Polícia Civil de que ele estava com mandado de prisão em aberto pelo crime. O nome dele, inclusive, constava no site do Tribunal de Justiça do Estado como indiciado. No entanto, o delegado Marcelo Cavalcanti, titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Vitória, informou que, no decorrer das investigações, foi identificado que o suspeito não estava mais entre os envolvidos e o mandado foi retirado. Por isso, o nome dele foi retirado desta reportagem.

Felipe chegou a ter o nome dele repassado em mensagens de aplicativos antes mesmo de ser considerado foragido. Além disso, a Polícia Civil ainda segue com as investigações na tentativa de identificar quem contou aos acusados que os amigos estavam na ilha.

No dia 2 de outubro, com mandados de prisão solicitados pela DHPP Vitória, uma equipe da Força Tática do 7º Batalhão localizou em Porto de Cariacica, Cariacica, um dos acusados, identificado como sendo Adriano Emanoel de Oliveira Tavares, vulgo "Da Bala" ou "Balinha", de 22 anos. No dia seguinte, a mãe de outro acusado, de 18 anos, entrou em contato com o delegado do caso, Marcelo Cavalcanti, e entregou o filho.

O CRIME

No episódio que chocou o Espírito Santo, quatro jovens foram assassinados e outros dois ficaram feridos. Eles estavam na Ilha Doutor Américo Oliveira no dia 28 de setembro, uma segunda-feira, A ilha fica na Baia de Vitória, próximo ao bairro Santo Antônio. Na outra margem, fica o bairro Porto de Santana, já em Cariacica. A ilha é um ponto usado por moradores das duas margens para diversão e passatempo.

No local estavam seis amigos que moravam em Santo Antônio e foram surpreendidos por bandidos, que chegaram de barco na região. Eles renderam e atiraram contra o grupo de jovens, sendo que quatro deles morrem, um conseguiu fugir e outro se fingiu de morto para escapar, já baleado.

Os mortos foram identificados como sendo o marítimo Wesley Rodrigues de Souza, 29 anos, Yuri Carlos de Souza, 23, e Vitor da Silva Alves, 19, - corpos que permaneceram na ilha - e Pablo Ricardo Lima, 21, que chegou a ser levado para o pronto atendimento por um tio, mas já deu entrada sem vida. O jovem que se fingiu de morto foi alvo de dois disparos nas costas e está internado. O outro foi baleado no pé.

Local onde ocorreu a chacina
Perícia se dirige à Ilha Dr. Américo de Oliveira. Crédito: Fernando Madeira

MOTIVAÇÃO

A chacina de quatro jovens na ilha Doutor Américo Oliveira, na Baia de Vitória, é o atual quebra-cabeça da Polícia Civil. Além de localizar os autores, a motivação do crime é outro ponto que deve ser desvendado. Inicialmente, a linha de apuração já trata as mortes como o resultado de uma briga entre facções criminosas que atuam no Espírito Santo.

"As investigações apontam que os autores eram do tráfico do Morro do Quiabo, em Cariacica, e que possuem ligação com uma organização criminosa que atua na Grande Vitória. A princípio, consideramos que os assassinos acreditavam que esse grupo de amigos estivesse ligado ao PCV, mas mataram um monte de gente inocente", descreveu Marcelo Cavalcanti, titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Vitória.

A sigla PCV, citada pelo delegado, é referente ao Primeiro Comando de Vitória, facção que tem sua base no Bairro da Penha, em Vitória, e ramificações em diversas cidades do Espírito Santo. A facção conta com força armada conhecida como Trem-Bala, criando ou tomando pontos de venda de drogas, além de manter relações comerciais de drogas com os traficantes aliados dessas localidades.

Já a organização criminosa em que o tráfico do Morro do Quiabo tem aliança, à qual o delegado se refere, seria a chamada Associação Família Capixaba (AFC). De acordo com fontes policiais ouvidas pela reportagem de A Gazeta, a Família Capixaba é, atualmente, uma facção criminosa que tenta fazer frente ao PCV e possui como um ponto forte o bairro Mucuri, em Cariacica.

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