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Capixabas tatuam Convento da Penha para marcar devoção de corpo e alma

Em histórias traçadas por fé e saudade, há também quem tenha gravado na pele o nome de Nossa Senhora da Penha para pagar promessa

Publicado em 31/03/2021 às 11h02
Tiago Meirelles teve a ideia da tatuagem no antebraço enquanto contemplava o Convento, em pleno engarrafamento da Terceira Ponte.
Tiago Meirelles teve a ideia da tatuagem no antebraço enquanto contemplava o Convento, em pleno engarrafamento da Terceira Ponte. Crédito: Arquivo Pessoal

Tatuagens que representam o amor ao Convento e a Nossa Senhora da Penha marcam na pele a fé que está na alma. Em histórias desenhadas por saudade e fervor, carregar no próprio corpo o principal cartão-postal do Espírito Santo ou uma homenagem à padroeira é a forma de se manter conectado à identidade capixaba, principalmente para quem mora em outro país, a mais de 8 mil quilômetros de distância.

Há cinco anos e meio radicado em Houston, no Texas (EUA), o investidor e construtor de imóveis Ítalo Taylor, de Vila Velha, não teve dúvidas em sua última visita à terra natal, em janeiro. O jovem de 23 anos decidiu tatuar na parte lateral das costas uma imponente paisagem do Convento, com tudo a que tem direito: os detalhes do monumento, as pedras, as palmeiras, a mata e até a Terceira Ponte.

“Sou católico, crescido na Igreja, que morre de saudades do meu Estado. Já fui à Romaria dos Homens, na Festa da Penha. Aí juntaram as duas coisas: a falta que eu sinto daí do Espírito Santo e a fé que tenho. Não tem imagem capixaba mais simbólica do que essa”, conta ele.

Ítalo Taylor, que mora nos EUA, tatuou o Convento da Penha como um gesto de fé e amor pelo Espírito Santo.
Ítalo Taylor, que mora nos EUA, tatuou o Convento da Penha como um gesto de fé e amor pelo Espírito Santo. Crédito: Arquivo Pessoal

A arte ficou tão detalhada, realista e expressiva que inspirou o diretor de vendas Nathan Henriques Ferreira, 23, amigo de Ítalo, a também partir para a missão “tattoo sagrada”. A região escolhida para receber a figura do santuário canela-verde foi o antebraço.

“Também sou de Vila Velha e moro nos Estados Unidos desde 2014. Sou cristão, e o Convento da Penha tem um significado muito importante na minha vida. Sempre me marcou muito olhar aquela paisagem de vários pontos da Grande Vitória quando morava aí. Aqui em Houston, qualquer imagem ou foto que eu via do Convento me deixava mais próximo de Vila Velha, a cidade que eu amo. Decidi então que queria ter essa experiência marcada em mim mesmo definitivamente e fiz a tatuagem.”

Nathan Henriques Ferreira, 23, também mora nos EUA e tatuou o Convento no antebraço.
Nathan Henriques Ferreira, 23, também mora nos EUA e tatuou o Convento no antebraço. Crédito: Arquivo Pessoal

As obras que Nathan e Ítalo ostentam na pele são de autoria do mesmo artista, o tatuador Ticano, que também tem fortes relatos de devoção para contar. “Tenho gravado o nome ‘Nossa Senhora da Penha’ no meu peito. Fiz essa tatuagem, que está próxima à outra (do desenho do Cristo crucificado), após ter recebido uma graça da padroeira: a minha primeira vitória em um prêmio internacional, a I Expo Tattoo Metalhead, em 2002. Paguei a promessa com a tatuagem, participando da Romaria dos Homens e carregando a imagem da santa no percurso”, lembra Ticano.

É ele também o responsável pelos traços feitos em Tiago Meirelles Fernandes, 29, técnico em Estradas e Projetos Rodoviários. Morador de Vila Batista, em Vila Velha, o jovem resolveu marcar no antebraço o Convento e um barco a vela com a inscrição “027” (código telefônico de área do Espírito Santo) em dezembro do ano passado.

O tatuador Ticano resolveu fazer tattoo com o nome de Nossa Senhora da Penha após ter ganhado prêmio internacional.
O tatuador Ticano resolveu fazer tattoo com o nome de Nossa Senhora da Penha após ter ganhado prêmio internacional. Crédito: Arquivo Pessoal

“A ideia surgiu primeiramente do orgulho que tenho de ser capixaba, mas demorou para se tornar concreta. Estava disposto a fazer uma tatuagem, mas ainda não sabia o que desenhar. Essa dúvida ficou na cabeça por uns dias. Daí, na volta do trabalho, passando pela Terceira Ponte engarrafada, fiquei admirando o Convento. E logo veio a ideia. Foi também pela fé. Sou católico desde criança e frequento a Romaria dos Homens!”, ressalta Tiago.

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