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Brasil terá que acelerar autorização da vacina da Pfizer, dizem especialistas

O uso emergencial do composto produzido pela Pfizer foi autorizado nos EUA nesta sexta (11). Lei brasileira determina que pedido deve ser analisado pela Anvisa em 72 horas, mas solicitação ainda não foi feita

Publicado em 12/12/2020 às 21h51
Atualizado em 12/12/2020 às 21h51
Pfizer anunciou que a vacina experimental é mais de 90% eficaz na prevenção à Covid-19
Pfizer anunciou que a vacina experimental é mais de 90% eficaz na prevenção à Covid-19. Crédito: Reuters/Folhapress

Especialistas em saúde defendem que o Brasil acelere a autorização para uso emergencial da vacina contra a Covid-19 produzida pela farmacêutica Pfizer em parceria com a alemã Biontech. O imunizante foi aprovado para uso emergencial nesta sexta-feira (11) pela FDA, agência reguladora de medicamentos e alimentos dos Estados Unidos.

Os estudos apontam que a vacina da Pfizer tem eficácia de cerca de 95% para prevenir quadros provocados pelo novo coronavírus. Caso o laboratório peça a liberação emergencial também no Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) terá de analisar o pedido em 72 horas. 

Se a avaliação não ocorrer neste período, há a possibilidade da autorização acontecer de forma automática. A atuação da Agência está prevista na lei 14.006 de 2020, aprovada durante o enfrentamento à pandemia para desburocratizar processos que agilizariam o atendimento à população. De acordo com Anvisa, até este sábado (12), nenhum laboratório havia solicitado uso emergencial.

O médico infectologista Lauro Ferreira Pinto destaca que países como Estados Unidos, Alemanha, Japão e até outras nações com menor potencial econômico que o Brasil estão apostando em mais de uma vacina. Segundo ele, a nacionalidade do medicamento não é importante quando o foco está em garantir a segurança sanitária.

“A preocupação que existe é que o Brasil tenha um plano de imunização o mais rápido possível e tenha vacina. Ha uma certa lentidão do governo em relação ao imunizante e houve muita politização desse tema e é uma pena porque nós precisamos desesperadamente de vacinas o mais rápido possível”, alerta.

Atualmente, quatro compostos estão sendo testados no Brasil: o produzido pela Pfizer em parceria com a BioNTech; a vacina da AstraZeneca, desenvolvida na Universidade de Oxford; a chinesa Coronavac, criada pela chinesa Sinovac e que teve a produção iniciada no Brasil pelo Instituto Butantan ; além da Janssen-Cilag, da Johnson & Johnson.

“Enquanto ficar essa discussão política se a vacina é chinesa ou russa, acho que a gente está perdendo tempo. Entendo que tem de haver autorização emergencial no Brasil também, para uso na rede pública, e seria interessante que esse uso seja coordenado pelo Ministério da Saúde para que a vacina seja disponível pelo Brasil”, diz Lauro.

A pós-doutora em Epidemiologia e professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Ethel Maciel, destaca que o Brasil tem um programa nacional de imunização que é referência internacional, conhecido como o maior e mais robusto do mundo. 

Ethel é a única capixaba que integra o grupo criado pelo governo federal para coordenar a aquisição e a distribuição de vacinas contra a Covid-19. A profissional será uma das responsáveis por uma parte importante da campanha de vacinação: traçar as estratégias quanto ao público que receberá a vacina primeiro.

Ethel Maciel, enfermeira epidemiologista e colunista de A Gazeta
Ethel Maciel: "Brasil tem que negociar todas as vacinas que forem eficazes e seguras". Crédito: Fernando Madeira

“Seria desastroso se os estados saíssem comprando as vacinas e fazendo uma campanha descoordenada. O Brasil tem que negociar todas as vacinas que forem eficazes e seguras, independentemente do fabricante. Nesse momento a coisa mais importante é a gente preservar as evidências científicas e preservar vidas. O governo tem de parar de politizar essa pandemia e aussmir o papel que tem com a sociedade brasileira", declara.

VACINA IDEAL

No início deste mês, o secretário nacional de Vigilância em Saúde, Arnaldo Medeiros, disse que a vacina ideal contra a Covid-19 seria de dose única e armazenada de 2 a 8 graus. Ele ponderou que trata-se de um "perfil desejado" e não descartou a compra de imunizantes que fujam deste padrão, como os produzidos pela Pfizer. A vacina americana precisa ser armazenada em -70º e exige duas doses. O Brasil testa apenas uma vacina aplicada em dose única, a da Jhonson & Jhonson.

O governo já expôs anteriormente a preocupação sobre o armazenamento em temperaturas negativas, pois as unidades básicas de saúde só possuem refrigeradores simples, para produtos que ficam em temperaturas mais altas, de 2 a 8 graus. A Pfizer afirma que tem um "plano logístico" para apoiar o transporte e armazenamento das doses ao Sistema Único de Saúde (SUS), caso o ministério feche contrato com a companhia.

"Para isso, foi desenvolvida uma espécie de contêiner (embalagem em formato de caixa) com temperatura controlada, que utiliza gelo seco para manter a condição de armazenamento recomendada, de - 75° C por até 15 dias", diz a empresa em nota divulgada no começo do mês.

A aposta do governo, por enquanto, é no imunizante desenvolvido pela Universidade de Oxford (Reino Unido) e o laboratório AstraZeneca. O governo investiu cerca de R$ 2 bilhões para comprar 100 milhões de doses desta vacina, além de equipar a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), laboratório ligado ao Ministério da Saúde, para produção independente do imunizante. Esta vacina é armazenada em temperaturas de 2 a 8 graus, mas deve ser aplicada em mais de uma dose, segundo os estudos.

Em outra frente de atuação para encontrar uma vacina, o Brasil espera receber doses para 10% da população por meio do consórcio Covax Facility, liderado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O país investiu R$ 2,5 bilhões para entrar no consórcio.

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