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"Antecipação da 2ª dose da Pfizer pode comprometer cobertura", diz Nésio

Secretário de Estado da Saúde se posicionou sobre a possível antecipação após entrevista na qual o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que redução do intervalo para 21 dias é "muito provável"

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 26/07/2021 às 17h52
Vacina Pfizer-BioNTech
A vacina contra a Covid-19 da Pfizer-BioNTech. Crédito: Carlos Alberto Silva

Após o anúncio do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, feito nesta segunda-feira (26) ao jornal Folha de S. Paulo, de que é "muito provável" que a pasta anuncie a redução do intervalo entre a primeira e a segunda doses da vacina da Pfizer no Brasil, em coletiva de imprensa realizada pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), o secretário Nésio Fernandes alertou que a antecipação radical da segunda dose do imunizante da Pfizer pode comprometer a cobertura vacinal.

"Nós consideramos que, havendo ampla disponibilidade da Pfizer no nosso país, a estratégia deveria ser ampliar a primeira dose. A antecipação muito radical da D1 e da D2, que comprometa o início da cobertura de toda a população, incluindo as crianças e os adolescentes, pode não ser adequada. Precisamos garantir que, havendo disponibilidade, os adolescentes sem comorbidades sejam alcançados ainda neste ano pelo Programa Nacional de Imunização", defendeu Nésio.

Nésio Fernandes

Secretário de Saúde

"Nós consideramos que qualquer redução do prazo de aplicação das vacinas da Pfizer e da AstraZeneca pode ser adotada no contexto de ampla disponibilidade de doses que não comprometa o início da cobertura vacinal da população. O início da cobertura se dá com a aplicação da primeira dose dos diversos imunizantes. Entendemos que a vacina da Pfizer é extremamente segura e eficaz, já autorizada para uso em adolescentes, e que a estratégia nacional deve prever, o mais rápido possível, alcançar adolescentes sem comorbidades e deficiências, visto que esses já estão sendo alcançados pelo Programa Estadual de Imunização"

Para o secretário, a cobertura ampla da vacinação na população mais jovem será fundamental para controlar a situação de diversas variantes e impedir que tenham comportamento de adaptação para um predomínio maior de infecção das populações pediátricas. "Então entendemos que a antecipação radical para 21 dias, em vez de 3 meses, compromete um início mais amplo da cobertura vacinal", acrescentou.

Segundo o secretário, para controlar a pandemia é necessário, essencialmente, o avanço da vacinação. "A população quando é alcançada por um imunizante eficaz, seguro, ela não precisa decidir o contexto em que vai viver, independentemente da própria vontade ela estará alcançada por um grau de imunidade. Ela permite de forma mais robusta que as atividades sejam retomadas e que a gente viva em outro momento da pandemia. No entanto, a gente precisa pensar na cobertura da vacinação, iniciando o esquema da D1 na população e concluindo o esquema da D2 no melhor prazo possível quando houver ampla disponibilidade de vacinas", finalizou.

"TEMOS SEGURANÇA NAS ENTREGAS", DIZ QUEIROGA

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou à Folha de S.Paulo nesta segunda (26) que é "muito provável" que a pasta anuncie a redução do intervalo entre a primeira e a segunda dose da vacina da Pfizer no Brasil. Em vez de esperar três meses pela segunda aplicação, os que foram ou ainda serão imunizados com a vacina receberão o reforço no intervalo de 21 dias.

O tempo é o previsto na bula da vacina da Pfizer, mas o Ministério da Saúde decidiu, no passado, ampliá-lo para três meses para conseguir imunizar mais rápido um maior número de pessoas com a primeira dose.

"Naquele momento, não tínhamos certeza da quantidade de doses de Pfizer que receberíamos neste ano e optamos por ampliar o número de vacinados com a primeira dose. Mas agora temos segurança nas entregas e dependemos apenas da finalização do estudo da logística de distribuição interna dos imunizantes para bater o martelo sobre a redução do intervalo da Pfizer para 21 dias", afirma o ministro. "As simulações de logística já estão sendo finalizadas", seguiu.

Ou seja, mesmo mantido o cronograma de entregas da Pfizer, sem antecipação, será possível a redução, desde que confirmada a capacidade logística da distribuição das ampolas.

"As coisas estão evoluindo nesse sentido [de redução do intervalo]", reforçou o ministro. "Em breve teremos a definição".

Ele ressalta que a palavra final será dos técnicos e dos coordenadores do Programa Nacional de Vacinação (PNI), que estariam já em debate avançado sobre a possibilidade. De acordo com Queiroga, a Pfizer "é muito pontual na entrega das vacinas", e até dezembro vai cumprir o contrato e disponibilizar mais 100 milhões de doses ao Brasil.

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