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Altas temperaturas

Afinal, por que está fazendo tanto calor no Espírito Santo?

O ano 2020 vem registrando recordes de meses mais quentes de toda a história e os efeitos são sentidos no Brasil e em outros países. Para cientistas, a resposta pode estar no aquecimento global

Publicado em 08 de Outubro de 2020 às 13:50

Redação de A Gazeta

Publicado em 

08 out 2020 às 13:50
Calor na Grande Vitória
O ano 2020 tem registrando recordes de meses mais quentes de toda a história Crédito: Vitor Jubini
Altas temperaturas, queimadas e tempestades. O ano 2020 vem registrando recordes de meses mais quentes de toda a história. O mês passado, por exemplo, foi o setembro mais quente já registrado no planeta. Mas porque está fazendo tanto calor, não só no Espírito Santo, como em todo país e no mundo? Para cientistas, a resposta pode estar no aquecimento global.
Com objetivo de tentar mudar essa realidade, o Parlamento Europeu aprovou, nesta quinta-feira (08), uma nova estratégia climática que prevê a meta de reduzir as emissões de gases que provocam o efeito estufa em até 60% até 2030.

SETEMBRO MAIS QUENTE DA HISTÓRIA

O Serviço Europeu de Monitoramento da Terra anunciou na última quarta-feira (07) que mês passado foi o setembro mais quente já registrado no planeta. E não é a primeira vez que o ano de 2020 bate recorde de calor: o primeiro e o quinto mês do ano já tinham sido o janeiro e o maio mais quentes da história. Já no último mês, os termômetros marcaram 0,05 °C acima de setembro de 2019.
O levantamento europeu informou, ainda, que 2020 já está no mesmo nível de 2016 - o ano mais quente da história. As temperaturas mais altas dos últimos dias foram registradas na América do Sul, na Cibéria, no Oriente Médio e na Austrália. Os cientistas afirmam que o calor contribuiu, por exemplo, para a ocorrência dos incêndios florestais na Austrália e na Califórnia.
No Brasil, onde os últimos meses foram de temperaturas que chegaram a até 5 °C acima da média, houve grandes queimadas no Cerrado, no Pantanal Mato-Grossense e na floresta Amazônica. 
Já n o Sul da França, foram registrados temporais e inundações. De acordo com a Organização Meteorológica Mundial, um fenômeno tão forte como o registrado nessa região é esperado uma vez a cada cem anos. Porém, apenas nos últimos 30 dias foram dois registros de tempestades. 

EFEITO ESTUFA

O Serviço Europeu de Monitoramento da Terra completou que o período entre outubro de 2019 e setembro de 2020 registrou 1,28 °C a mais do que as temperaturas do período pré-industrial. O relatório firmou que esse número coloca o planeta perto do teto estabelecido pelo Acordo de Paris - tratado no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas, criado em 2015, para medidas de redução de emissão de gases estufa a partir de 2020.
Preocupados com a situação, o parlamento europeu votou a favor de uma meta considerada ambiciosa: reduzir as emissões de gases que provocam o efeito estufa em 60% até 2030 (com relação a 1990). A meta atual é de 40% e para a mudança entrar em vigor, será necessário o apoio de todos os 27 países do bloco. 

ES SE APROXIMA DE RECORDE DE CALOR

A onda de calor que afeta todo o Brasil desde setembro também causa reflexos no Espírito Santo, que pode bater um recorde que já dura 51 anos. No dia 9 de janeiro de 1969, o Estado registrou a temperatura de 42,5ºC em Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Estado, que até hoje é o maior valor já registrado no Espírito Santo, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
No último dia 3, porém, segundo o Inmet, o Estado registrou a maior temperatura do ano. Em Alegre, também na região Sul, os termômetros marcaram 41,5ºC. No mesmo dia, o Espírito Santo teve a segunda maior temperatura do ano: 38,4ºC em Muniz Freire, Região Serrana.
Em Vitória, a maior temperatura já observada foi de 39,6°C em 25 de fevereiro de 2005, no bairro Ilha de Santa Maria. O Inmet informou ainda que, em 2020, a maior temperatura registrada na Capital foi de 37,3º, no mesmo bairro.
Data: 20/12/2019 - ES - Vitória - Banhista se refresca na Curva da Jurema. Dia de calor na Grande Vitória - Editoria: CIdades - Foto: Vitor Jubini - GZ
A onda de calor que afeta todo o Brasil desde setembro também causa reflexos no Espírito Santo Crédito: Vitor Jubini

PREVISÃO DE CHUVA NO ES

O cenário de calor intenso deve mudar em breve. Para o próximo fim de semana e também para o feriado de Nossa Senhora Aparecida, na segunda-feira (12), a previsão é de chuva em todo o Estado. Não vai fazer frio e a chuva também não deve ser forte, mas deve ajudar a amenizar um pouco a temperatura.
De acordo com o meteorologista do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), Hugo Ramos, a chuva chega primeiro na Região Sul e depois se espalha para todo o território capixaba.
"Observando os próximos dias, a tendência é que teremos uma ocorrência de chuva na metade sul do Estado no sábado, deve se espalhar pelo Estado no domingo e pode se estender ainda na segunda. Em razão da umidade trazida do oceano, a tendência é de instabilidade para os próximos dias. Não vai ser um chuva de forte intensidade, mas será contínua ao longo desses dias. Até terça-feira, deve persistir alguma coisa de chuva", afirma o meteorologista.

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