Volta às aulas no ES: atitude de todos será essencial em mais um ano excepcional

Desafio não é só democratizar a tecnologia necessária para o acesso às aulas, mas garantir a aprendizagem com inovações também na forma de ensinar

Publicado em 04/02/2021 às 02h00
Escolas
Volta às aulas nas escolas de nível fundamental. Crédito: Fernando Madeira

Com o retorno às aulas, em formato híbrido, nas escolas da rede estadual nesta quinta-feira (04), os problemas acumulados em 2020 na educação não podem se represar, sob o risco de um prejuízo ainda mais acentuado ao desempenho escolar. Se a pandemia foi um evento inesperado no último ano letivo, em 2021 exige-se contingência, planejamento e comprometimento pela qualidade da educação, mesmo diante dos reveses que já estão postos.

Não somente em relação às exigências de segurança sanitária nas aulas presenciais, com a manutenção de rotinas de distanciamento social e higiene, mas sobretudo no aprimoramento do ensino remoto para um público sem acesso a computadores e internet. A educação precisa chegar a alunos de baixa renda de uma forma que não prejudique o desempenho pessoal. Não é tarefa simples, mas é possível de ser implementada com organização gerencial e vontade política.

governo estadual já anunciou a distribuição de 75 mil notebooks a alunos e docentes. Professores, diretores e pedagogos efetivos da rede pública estadual vão receber uma ajuda de custo no valor de R$ 5 mil para a compra de equipamento de informática e há a previsão da criação do “auxílio internet” no valor de R$ 50 mensais. São medidas que ainda dependem da aprovação da Assembleia e tem caráter emergencial para garantir o bom andamento das aulas neste ano que também será desafiador para o ensino. Contudo, a previsão é de que os computadores chegarão até os alunos em até quatro meses, o que causa certa apreensão. 

Sem previsão de vacinas para o setor educacional, é seguro afirmar que o retorno à normalidade permanece uma incógnita. E não somente isso: a perspectiva de novas ondas de contágio da Covid-19 impõe aos gestores da educação o planejamento de possíveis recuos no cronograma das aulas presenciais.

Especialistas em educação defendem que, diante dos ciclos da pandemia,  imprevisíveis, é preciso direcionar as atenções da educação para o aprimoramento de uma didática não presencial que assegure a qualidade do ensino por tempo indeterminado. Políticas públicas na área dependem dessa virada de chave, imposta pelas circunstâncias da crise sanitária. E não há tempo a perder.

O desafio não é só democratizar a tecnologia necessária para o acesso às aulas, mas garantir a aprendizagem com inovações também na forma de ensinar. Professores não podem permanecer apegados aos tradicionalismos expositivos, é uma mudança na cultura educacional que precisa ser incentivada de forma estrutural, com ganhos que poderão ser incorporados mesmo após o fim da pandemia. 

Estabelecer uma conexão entre o aluno e a escola nas atuais condições, com a socialização comprometida nesta etapa tão importante da vida, exige caminhos nunca antes percorridos. É ainda mais desafiante no ensino médio, etapa educacional com forte apelo à evasão escolar. Mais do que se adaptar, é importante inovar. O comprometimento do governo estadual para reduzir os danos provocados pela pandemia são importantes para este ano letivo que se inicia. 

São tempos excepcionais, que exigem atitude e coragem de todos: pais, alunos, professores e todos os que atuam no ambiente escolar. Se o ano de 2020 foi quase nulo para a educação pública, 2021 vai exigir atitude para que os resultados sejam diferentes. As escolas particulares se organizaram e já retomaram as atividades, assim como as estaduais dão esse passo agora. Aguarda-se o retorno do ensino público municipal, para que o abismo educacional não se aprofunde.

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