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Tiros e políticas públicas fazem vítimas quando disparadas a esmo

Menina Alice da Silva Almeida, de apenas três anos, é a mais recente vítima de bala perdida no Espírito Santo. O simples mapeamento das regiões em que tiroteios são mais comuns já abriria várias possibilidades de intervenção, mais certeiras e eficazes

Publicado em 10/02/2020 às 14h49
Atualizado em 11/02/2020 às 14h39
Alice da Silva Almeida, menina de três anos baleada em casa, em Vila Velha. Crédito: Acervo da família
Alice da Silva Almeida, menina de três anos baleada em casa, em Vila Velha. Crédito: Acervo da família

A menina Alice da Silva Almeida, que dava seus primeiros passos na escola e apenas “começava a escrever sua história”, como registrou a associação de moradores do bairro em que ela morava, em post em uma rede social, tornou-se personagem de uma outra história, bem mais triste: a tragédia cotidiana da violência urbana no Espírito Santo. A criança, de apenas três anos, morreu baleada no domingo (9), enquanto brincava no quintal de casa, no bairro Dom João Batista, em Velha.

Ela foi alvejada ao menos duas vezes, quando um rapaz de 17 anos invadiu a residência para fugir de uma perseguição. Ele seria o alvo dos disparos, segundo a polícia. Alice engrossa o rol de vítimas de bala perdida no Estado. Como é infelizmente comum nesse tipo de crime, o autor dos disparos não havia sido identificado até a tarde desta segunda-feira (10).

Os tiroteios, embora ceifem dezenas de vidas inocentes a cada ano, não contam com estatísticas oficiais. Quando deixam vítimas, confrontos entre gangues ou acerto de contas entre criminosos, que espalham o pânico entre a população capixaba, especialmente de áreas dominadas pelo tráfico de drogas, caem na vala comum dos homicídios e tentativas de homicídios.

Aplicativos abastecidos pelos próprios usuários, como redes sociais, tentam preencher lacunas do poder público, ao servir de alerta para a população e, de quebra, registrar as ocorrências. No ano passado, o app Onde Tem Tiroteio registou uma média de 20 ocorrências por mês no Espírito Santo. Neste ano, apenas em janeiro, foram mais de 40. Em fevereiro, até esta segunda, já são 19. Os números não são oficiais, mas ajudam a dimensionar o tamanho do problema.

A tragédia diária não apenas segue incomputável pelas brechas do Estado como cresce nessas frestas, onde políticas públicas de segurança pública, educação e geração de emprego e renda falham. O simples mapeamento das regiões em que tiroteios são mais comuns já abriria um sem-número de possibilidades de intervenção, mais certeiras e eficazes. Tiros e políticas públicas fazem vítimas quando disparadas a esmo.

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