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Teremos meses duros pela frente até a chegada da vacina ao ES

Para atravessar os meses que faltam até a imunização, é incontornável o comprometimento de governos, empresas e população. Cenas frequentes de aglomeração não podem continuar

Publicado em 27/11/2020 às 05h00
Vacina contra Covid-19
Diversas vacinas contra Covid-19 estão em fase adiantada de testes. Crédito: Fernando Shiminaicela/ Pixabay

O governo federal prometeu para semana que vem a primeira versão do plano de vacinação contra o novo coronavírus. É um primeiro passo para a tão sonhada imunização, mas há uma longa caminhada até lá. Em primeiro lugar, é preciso esperar a conclusão dos testes das vacinas e a homologação das vacinas pela Anvisa. Na sequência, o país deverá implementar um exercício logístico monumental, sem precedentes, que inclui compra de doses e insumos, esquemas de distribuição para pontos isolados do país e estruturas para refrigeração e armazenamento, para ficar entre os desafios mais óbvios.

Até que possa respirar aliviado, o Brasil ainda terá meses de pandemia pela frente, em que não é possível relaxar com as regras sanitárias, especialmente quando se assiste a uma preocupante curva ascendente de casos e internações. A baixa testagem da população sem rastreio de contatos e o relaxamento das medidas de controle estão entre os fatores, indicados por epidemiologistas, para a explosão nos números da Covid-19. Não apenas o isolamento social vem caindo sistematicamente nos últimos meses, como também os cuidados básicos da população com a higiene, como lavar as mãos e usar máscaras de proteção. Os flagrantes de aglomerações são diários.

Após dez meses, é até compreensível que as pessoas demonstrem algum grau de exaustão com as exigências constantes deste novo normal, um fenômeno já chamado de “fadiga da pandemia”. A situação ainda se agrava com maus exemplos vindos de lideranças políticas, que pregam uma irresponsável volta à normalidade em meio à grande circulação do vírus. No Espírito Santo, o número de mortes voltou a subir, pela primeira vez desde junho, na primeira quinzena deste mês. A quantidade de infecções também é crescente. Apenas na última terça-feira (24), o Estado registrou 1.789 casos confirmados do novo coronavírus, o maior número diário dos últimos quatro meses. Isso sem testagem suficiente.

Outro indicador utilizado pelo governo do Estado para montar o mapa de risco, o número de internações, também tem começado a enviar sinais de alerta. O total de pacientes em leitos de UTI nesta semana voltou a bater o patamar de setembro, quando 362 pacientes lutavam contra a doença em hospitais do Estado. Sinais contundentes de que o Sars-Cov-2 não está sob controle.

Para atravessar os meses que faltam até a imunização, é incontornável o comprometimento de governos, empresas e população. Administrações públicas comprometidas lutam para encontrar o equilíbrio tênue entre o controle da disseminação da doença, que impõe medidas restritivas, e a flexibilização de atividades, para não asfixiar setores econômicos e trabalhadores. Empresas precisam verdadeiramente engajar-se no controle de contágio na parte que lhes cabe nesse latifúndio, seja oferecendo condições para o home office nas funções em que o trabalho remoto for possível, seja monitorando a aplicação das regras sanitárias em seus espaços de trabalho.

À população, por sua vez, permanece o apelo por civilidade e consciência. Não há lei que possa dar conta de frear a doença se as pessoas, em suas tarefas mais banais, não respeitarem preceitos mínimos de higienize e distanciamento. Aos governos, cumpre duas importantes tarefas. A primeira delas é a análise cuidadosa dos dados para elaborar as políticas restritivas, dando voz à ciência e às evidências empíricas. A segunda, não menos relevante, é a fiscalização. Enquanto a elaboração de protocolos sanitários tem sido executada a contento no Espírito Santo, a vistoria do cumprimento tem deixado a desejar. Diante da gravidade da situação, as cenas frequentes de aglomeração não podem continuar, nem pela imprudência de parte da população, nem pela negligência do poder público.

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