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Brasil deve adotar três tipos de vacina contra a Covid-19. Veja quais são

Plano de vacinação contra coronavírus fica pronto na próxima semana. Esquema de vacinação pode ser semelhante ao da gripe

Rede Gazeta
Publicado em 26/11/2020 às 15h44
Atualizado em 26/11/2020 às 23h37
Vacinação contra o sarampo
Laboratórios preparam fórmula de imunização contra a Covid. Crédito: Marcelo Camargo | Agência Brasil

O Brasil deve adotar três tipos de vacina contra a Covid-19 para imunizar a população a partir de 2021. O plano de vacinação do governo, elaborado pelo grupo de trabalho responsável por criar as estratégias no país, será divulgado na próxima semana. 

Ethel Maciel, epidemiologista capixaba, membro da equipe que aponta quais grupos prioritários poderão receber a vacina primeiro, conta que está prevista a aplicação de três fórmulas diferentes: da Oxford/AstraZeneca; CoronaVac; e a fabricada pela Moderna, através da Aliança Covax - consórcio firmado pelo Brasil junto à Organização Mundial da Saúde (OMS).

Ethel  adianta que a vacina produzida pela farmacêutica AstraZeneca, em parceria com a Universidade de Oxford, estará com certeza no plano de vacinação de 2021, pois o governo federal já fez acordo para a compra de milhões de doses, e a organização está com uma parceria de transferência de tecnologia para a Fiocruz. “Isso, no entanto, não é suficiente, pois precisamos de muito mais doses para imunizar nossa população. São cerca de duas doses por pessoas”, explica.

Nesta semana, um estudo da Oxford mostrou que, de acordo com os resultados obtidos nas testagens, será possível vacinar mais pessoas numa primeira fase, já que imunização se mostrou eficiente  quando aplicada em duas etapas. 

Na ocasião, a farmacêutica ainda afirmou que a eficácia média da vacina contra a Covid-19 chegou a 70%, podendo atingir até 90%.  No entanto, na manhã desta quinta-feira (26), o laboratório AstraZeneca admitiu erro de dosagem na vacina e a eficácia caiu para 62% quando duas doses completas foram administradas.

ALTERNATIVAS

A vacina CoronaVac, feita no Instituto Butantan, em São Paulo, em parceria com um laboratório chinês, utiliza uma tecnologia de cultivar o vírus em laboratório e depois o inativar. Esse organismo é capaz de gerar uma resposta do corpo ao entrar em contato com o "vírus real".

“Temos também o grupo do Butantan e, de acordo com os resultados, é a vacina com a maior eficácia, cerca de 97% até agora. Esses dados são muito bons e há uma recomendação para que ela também seja incorporada, já que o instituto tem a possibilidade de produzi-la”, afirma a epidemiologista.

Por meio de um acordo com a OMS,  o Brasil também irá receber a fórmula da Moderna, ao custo estimado de R$ 2,5 bilhões, com doses suficientes para 10% da população. Nesta semana, a empresa anunciou que a vacina tem cerca de 94,5% de eficácia contra o coronavírus.  O diferencial da vacina da Moderna é que ela pode ser armazenada a -20ºC, diferente da produzida pela Pfizer que necessita de armazenamento especial a -70ºC, por exemplo.

“Nós simulamos vários cenários: quais são os grupos prioritários, quais vacinas devemos ter, quantas doses são necessárias e apresentamos para a Secretaria de Vigilância e Saúde. No dia 30 de novembro, teremos uma reunião com o secretário da pasta para a apresentação consolidada das informações e do plano nacional de vacinação”, conta Ethel.

VACINAÇÃO SEMELHANTE A DA GRIPE

Para organizar a distribuição das vacinas no país, as remessas entregues pelas indústrias farmacêuticas serão divididas em regiões, enquanto uma região recebe uma vacina, outra região vai aplicar outra fórmula, sendo que cada pessoa tem que receber as duas doses do mesmo tipo de vacina. 

No entanto, ainda não é possível afirmar qual tipo de vacina estará presente em cada Estado, explica Ethel: "Ainda não é possível dizer qual vacina virá para o Espírito Santo, por exemplo, pois depende das negociações da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) com o Ministério da Saúde".

Ela afirma que a aplicação deverá seguir o mesmo esquema de imunização da gripe, ou seja, vacinação divididas em grupos e dando preferência aos grupos prioritários. “Temos que esperar o dia 30 para fechar as informações, mas a lógica será parecida com a vacina da gripe, com cada grupo sendo vacinado em um dia, em etapas”, afirma a especialista.

MARCO PARA A CIÊNCIA

Ethel reforça que ter a vacinação contra a Covid-19 em 2021 significa um marco para a Ciência: “É claro que precisamos entender que a vacina não surgiu com menos de dois anos. Essa vacina que tem RNA - da Pfizer e da Moderna, por exemplo - é fruto de mais de 20 anos de trabalho do grupo de pesquisadores alemães da BioNTech. A vacina do grupo de Oxford é um trabalho de mais de 15 anos, que vem desde a primeira pandemia de SARS-CoV”, pontua.

Para a epidemiologista, o marco está na remodelagem desses estudos que possibilitou ter uma vacina em tão pouco tempo. “Essa vacina com RNA é um dos grandes avanços da Ciência. Com tudo dando certo, daqui para a frente, se abrirá a possibilidade de ter vacinas que curam e previnem muitas doenças que não curamos até hoje. Essas pesquisas demandam muito dinheiro, e esses grupos que estão pesquisando vão receber muito financiamento. Imagina poder ter uma vacina que ensine o nossos sistema imunológico a reagir a células defeituosas. É um passo gigante e abre um mundo de possibilidades", considera. 

Ethel salienta ainda que é fundamental o investimento público para a realização dessas vacinas. “Se a gente não investir,  nunca vamos ter. Então precisamos começar. O Brasil tem pouquíssima tradição nesses investimentos de pesquisas básicas para a descoberta de novos produtos”, afirma.  

Atualização

26 de Novembro de 2020 às 16:41

Na manhã desta quinta-feira (26), o laboratório AstraZeneca informou que houve um erro de dosagem na vacina que desenvolve em parceria com a Universidade de Oxford.  A empresa disse, na segunda-feira (23), que a vacina foi até 90% eficaz na prevenção de covid-19 quando os voluntários receberam meia dose e, depois de um mês, uma dose inteira da vacina. Contudo, a eficácia caiu para 62% quando duas doses completas foram administradas. A reportagem foi atualizada. 

Coronavírus Vacina Pandemia

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