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Opinião da Gazeta

Brasil precisa mirar nos bons exemplos de civilidade e eficiência

Não foi por falta de bons modelos que decisões ruins foram tomadas no combate ao novo coronavírus. Com mais de 27 mil mortes, o Brasil ainda está em meio à crise e não pode admitir irresponsabilidades no enfrentamento à pandemia

Publicado em 30 de Maio de 2020 às 06:00

Públicado em 

30 mai 2020 às 06:00

Colunista

Em Portugal, antes que o governo decretasse quarentena, cidadãos já haviam esvaziado as ruas
Em Portugal, antes que o governo decretasse quarentena, cidadãos já haviam esvaziado as ruas Crédito: Câmara Municipal de Lisboa
Não foi por falta de bons exemplos que decisões ruins foram tomadas no combate ao novo coronavírus. Desde que a OMS decretou a pandemia, medidas foram sendo tomadas ao redor do globo para proteger vidas e lidar com a crise em todas as suas dimensões. Países que ficaram de fora da primeira onda de choque da Covid-19 tiveram a oportunidade de observar experiências bem-sucedidas em outras nações e planejar-se para os impactos. Seja por negacionismo, seja por má gestão, alguns desperdiçaram tempo precioso.
Não à toa, lugares que agiram de maneira mais enfática também são os primeiros a estabilizar as estatísticas de novos casos e ensaiar uma volta à normalidade. Um dos casos mais emblemáticos é a Nova Zelândia. Logo que o alerta soou, a primeira-ministra Jacinda Adrern fechou fronteiras, investiu em testes em massa e impôs regras estritas de confinamento, com adesão da população.
Somente no final de abril é que algumas das medidas foram afrouxadas, outras continuam em vigência. A falsa dicotomia entre saúde e economia não açodou decisões. O turismo, umas das âncoras do PIB neozelandês, continuará proibido “por um bom tempo”, mesmo que o país possa se vangloriar de ter vencido a batalha. Nesta semana, o último paciente com a doença teve alta no país, que, com população um pouco maior do que o Espírito Santo, registrou apenas 22 óbitos.
Embora as estratégias guardem distinções, a depender das realidades de cada nação, há traços comuns entre aquelas que conseguiram navegar com mais tranquilidade pela pandemia. O primeiro deles é a celeridade na tomada de atitudes, seja para decretar isolamento, única ferramenta capaz de frear o contágio enquanto não houver vacina, seja para socorrer negócios e trabalhadores, seja para adquirir exames.
Com pouco mais de 250 mortes, os Emirados Árabes lideram o ranking de diagnósticos em números proporcionais, com 213 mil testes por milhão de habitantes, graças aos drive-thrus instalados em seu território, que evitaram que doentes procurassem hospitais e espalhassem o vírus. O Brasil está na 125ª posição na lista, compilada pela plataforma Worldometers.
Modelos não partiram apenas do poder público, mas também dos cidadãos. Em Portugal, antes mesmo que o governo decretasse quarentena, os portugueses já haviam se recolhido em suas casas. Com pouco mais de mil óbitos, o país europeu, vizinho de cenários trágicos como a Espanha, com quem divide mais de mil quilômetros de fronteira, foi apontado como “ponto fora da curva” em meio à pandemia. No Uruguai, o presidente Lacalle Pou nem chegou a instaurar a obrigatoriedade do isolamento social. Os uruguaios, por dever cívico, espontaneamente esvaziaram as ruas. A adesão ao confinamento foi de 90% da população.
Do país latino também vem outra amostra de comprometimento dos líderes. Uma das ações imediatas foi o corte de 20% dos rendimentos do presidente, de ministros, legisladores e outros funcionários do setor público, destinados a um fundo de enfrentamento à Covid-19. Por aqui, a discussão em torno da suspensão de reajuste ao funcionalismo atrasou o socorro a Estados e municípios, só sancionado nesta semana.
Além dos exemplos práticos, a ciência também advertiu os atentos. O que os países que superaram a pandemia nos provam já havia sido alertado por pesquisadores do Federal Reserve em março: locais que aderissem de forma satisfatória à quarentena recuperariam mais rapidamente os índices da indústria e do emprego. Ou seja, quanto mais rápido se controla a crise sanitária, melhor para economia. Dois meses depois, ainda dispersa-se energia com uma escolha ilusória entre CPFs e CNPJs.
O vírus é letal, e a ineficácia das ações para enfrentá-lo também são. Ao menos parte do saldo de mais de 360 mil mortos e seis milhões de infectados pode ser creditada à lassidão e à inépcia com que a doença foi e ainda é encarada, seja por gestores, seja por quem desrespeita regras de isolamento. Com mais de 27 mil mortes, o Brasil ainda está em meio à crise, sem perspectiva de saída. Para que o país atravesse o mais rápido possível esta trágica turbulência e poupe vidas, empregos e negócios, é preciso que todos, poder público e cidadãos, mirem nos exemplos de civilidade, eficiência e disciplina.

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