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Bombas na Grande Vitória exigem ação antes que detonem crise de segurança

Pelo menos cinco artefatos foram recentemente desarmados no ES. Felizmente, são improvisados e malfeitos, mas é questão de tempo até que criminosos aperfeiçoem o potencial explosivo, por isso polícias precisam agir com inteligência e estratégia

Publicado em 29/10/2021 às 02h00
Esquadrão antibomba da Polícia Militar é acionado para detonar granada artesanal no bairro Andorinhas, em Vitória. No interior do artefato haviam pregos e outros objetos perfurantes
Esquadrão antibomba da Polícia Militar é acionado para detonar granada artesanal no bairro Andorinhas, em Vitória. No interior do artefato haviam pregos e outros objetos perfurantes. Crédito: Fernando Madeira

Uma nova técnica de terrorismo importada do narcotráfico do Rio de Janeiro tem amedrontado os moradores da Grande Vitória. Em menos de dois meses, pelo menos cinco artefatos explosivos encontrados em ruas das cidades foram detonados pelas forças de segurança. Além dos desarmados, há os apreendidos ou utilizados em confrontos. Na última quinta-feira (28), quatro explosivos foram capturados pela Polícia Militar em nova fase da Operação Sentinela, no Romão, em Vitória. Em outro caso, uma bomba foi lançada contra policiais durante o cerco à casa de um gerente do tráfico, em Itararé.

De acordo com a Polícia Militar, esse tipo de ocorrência tem crescido nos últimos três anos, mas está patente para a população que o uso de granadas caseiras escalou nos últimos meses. Felizmente, até o momento não houve nenhuma tragédia, mas foi por pouco. No episódio registrado na Praia do Suá, em 16 de outubro, um homem chegou a pegar o artefato nas mãos, antes que a polícia aparecesse para desarmá-lo.

O principal efeito almejado por quem deixa esses explosivos nas ruas, no entanto, tem sido alcançado: o medo. São usados na luta entre facções rivais e servem tanto para atacar adversários na disputa por territórios quanto para demonstrar poder. Nas comunidades conflagradas pelo tráfico, isso é óbvio. Mas o temor espraia-se até mesmo por bairros mais pacatos, como Bento Ferreira, em que um objeto suspeito encontrado na rua mobilizou o Esquadrão Antibomba da Polícia Militar, acionado por moradores. No fim, não era nada, mas o estrago está feito.

Além do clima de medo, esses episódios têm sido pródigos em transtornos, com o necessário fechamento de ruas, de comércios e até de escolas, como foi o caso da EMEF Izaura Marques da Silva, tão maltratada pelas ações do tráfico. Neste ano, o colégio teve que ser fechado algumas vezes por conta de tiroteios. Um deles chegou a deixar marcas de disparos na parede da instituição de ensino.

A escalada de ocorrências é um sinal vermelho. Por enquanto, não houve nenhuma tragédia, reforce-se, mas muito em decorrência da própria inépcia dos traficantes, que felizmente não dominam conhecimentos técnicos. De acordo com o secretário de Segurança Pública, Alexandre Ramalho, as bombas encontradas não detonaram por desconhecimento dos bandidos. “Às vezes não sabem nem qual é o mecanismo de acionamento deles”, afirmou.

Mesmo grosseiros e improvisados, esses artefatos têm poder letal. Recheados de pregos, metais e pólvora, podem ceifar vidas inocentes. A Polícia Militar já se antecipou à nova moda dos criminosos e começou a se preparar em 2017, ao perceber que o uso crescia no Rio de Janeiro e poderia ser copiado em território capixaba. Setores de inteligência das polícias devem dar sequência ao bom trabalho e frustrar a iniciativa.

Sabe-se que é apenas questão de tempo até que quem produz esses artefatos adquira know-how para aprimorar o armamento. Análise dos materiais detonados para identificar se partem de um mesmo fabricante, por exemplo, são indispensáveis. Os criminosos que atuam no Espírito Santo podem tem importado uma nova técnica de terrorismo, mas as forças de segurança do Estado podem exportar estratégias de combate.

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