Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

  • Início
  • Editorial
  • Mais do que chocar, mortes no trânsito precisam provocar mudança de atitude
Opinião da Gazeta

Mais do que chocar, mortes no trânsito precisam provocar mudança de atitude

Mais de 90% dos acidentes nas ruas e estradas são causados por falha humana e, portanto, evitáveis. Assim como na pandemia de Covid-19, as medidas de prevenção e cuidado são a melhor saída

Publicado em 26 de Outubro de 2021 às 02:00

Públicado em 

26 out 2021 às 02:00

Colunista

Colisão entre caminhão e veículo de passeio na Rodovia do Sol, em Guarapari, deixou um morto e um ferido
Colisão entre caminhão e veículo de passeio na Rodovia do Sol, em Guarapari, deixou um morto e um ferido Crédito: Luciney Araújo
As regras são conhecidas, as campanhas como o Maio Amarelo estão consolidadas. No entanto, o número de acidentes de trânsito nas ruas e estradas do país continua a chocar. No último fim de semana, duas colisões em Guarapari comoveram os capixabas. Em uma delas, um caminhoneiro morreu após ter o veículo atingido por um carro conduzido por uma motorista alcoolizada. Infelizmente, novos episódios comprovam as velhas estatísticas, que apontam que 90% das ocorrências são evitáveis.
O já conhecido tripé formado por negligência, imprudência e imperícia mata uma pessoa a cada 12 minutos no Brasil. São 500 mil vítimas de acidentes por ano, o que equivale a 900 modernas aeronaves Boeing 777 lotadas de passageiros. No Espírito Santo, a pandemia reduziu as ocorrências e as mortes em 2020, mas a letalidade ficou em estratosféricos 18,4 óbitos por cem mil habitantes. Qualquer número acima de 10 é considerado crítico pela OMS.
Mesmo com cerca de 8 mil acidentes de trânsito a menos no Estado, o perfil das vítimas manteve-se estável. Quase metade dos mortos eram motociclistas, categoria bastante demandada pela dinâmica da quarentena, com o boom dos serviços de delivery. Ao lado dos pedestres e ciclistas, os motociclistas são os elementos mais vulneráveis no tráfego das cidades.
E em 2021 a realidade é ainda mais trágica. Até agosto, segundo dados mais recentes da Sesp, 271 motociclistas já perderam a vida nas ruas, um aumento de 30% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os atropelamentos com mortes também subiram 16%. Mas há muitas camadas de dor nessas ocorrências. Por trás dos números oficiais dos óbitos, há uma realidade vivida por vítimas e familiares que é desconhecida, que é a das pessoas que enfrentam sequelas, muitas vezes incapacitantes, para o resto de suas vidas.
Quarto país com o maior índice de acidentes de trânsito do mundo, o Brasil gasta cerca de R$ 60 bilhões por ano com acidentes de trânsito, com internações hospitalares, pagamentos de seguro, aposentadorias por invalidez. Gasta-se muito, mas não investe-se. Dizer que 90% dos acidentes são evitáveis significa dizer que suas causas podem ser diagnosticadas e drasticamente reduzidas, com soluções de engenharia em trechos de risco, adoção de redutores de velocidade, por exemplo. Uma fiscalização firme e atuante também é indispensável.
Mas a maior mudança, fator incontornável para um trânsito mais seguro, é o comportamento de pedestres, ciclistas e condutores. Assim como na pandemia de Covid-19 que o mundo enfrenta neste momento, e com a qual terá que lidar por algum tempo ainda, as medidas profiláticas são a melhor saída. O cuidado, consigo mesmo e com o próximo, é a diferença entre vida e morte.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
A gaúcha que mudou de país após trauma com enchente histórica
Imagem BBC Brasil
Por que os ricos britânicos estão vivendo com saúde cada vez mais que os pobres?
Imagem de destaque
Os planos de Renan Santos para roubar votos de Flávio Bolsonaro: 'Sou o candidato da direita'

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados