Publicado em 5 de março de 2026 às 10:19
BRASÍLIA - O ex-presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou que jantou com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), em fevereiro de 2025, após o parlamentar ter sido eleito para a chefia da Casa. O banqueiro faz referência ao encontro em mensagens que constam na sua quebra de sigilo telefônico, obtidas pela reportagem.>
A conversa de Vorcaro é com a namorada, Martha Graeff, em 26 de fevereiro de 2025. Motta foi eleito no dia 1º daquele mês.>
"Tô aqui em Brasília trabalhando amor (sic)", afirmou o ex-banqueiro à companheira por volta das 19h30. A influenciadora tenta ligar para ele às 20h30, sem resposta. Ele explica: "Tô num jantar na residência oficial com Hugo e seis empresários".>
A reportagem procurou a equipe de Motta por WhatsApp às 23h40 desta quarta-feira (4), e não obteve retorno até o momento.>
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Em março do ano passado, Vorcaro fez à namorada outra menção a um encontro com Motta, e também a "Ciro", em provável referência ao senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP, a quem chamou de "grande amigo" em outra conversa. O banqueiro também cita que eles chegaram para falar com um homem chamado Alexandre na reunião.>
"Me manda mensagem quando acabar aí. Você está com gente aí? Ou está me ignorando de propósito?", questiona Graeff, por volta das 0h20 do dia 3 de março.>
Vorcaro responde: "Estou sim, acabou chegando Hugo e Ciro aqui pra falarem com Alexandre. Não deve demorar. Mas se vc for dormir eu saio e te chamo (sic)".>
Antes de ser preso, Vorcaro cultivou diversas conexões com figuras importantes. Além disso, o banco contratou o escritório de familiares do ministro Alexandre de Moraes (STF) no valor de R$ 3,6 milhões mensais para auxiliar na defesa dos interesses da instituição financeira.>
Em uma conversa de maio de 2024, Graeff pergunta com quem Vorcaro estava e ele responde: "É um senador. Muito amigo meu. Quero te apresentar. Um dos meus grandes amigos de vida".>
Meses depois, em agosto, Vorcaro voltou a mencionar o senador em conversa com a namorada. "Ciro [Nogueira] soltou um projeto de lei agora que é uma bomba atômica mercado financeiro! Ajuda os bancos médios e diminui poder dos grandes! Está todo mundo louco. (...) Todo mundo me ligando. Sentiram o golpe".>
Vorcaro se refere a uma alteração proposta pelo senador à proposta de Emenda Constitucional 65, sobre a independência financeira do Banco Central. Pela proposta, os valores cobertos pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos) subiriam para R$ 1 milhão por CPF – hoje, a cobertura vai até R$ 250 mil.>
Os CDBs (Certificados de Depósito Bancário), títulos de renda fixa, do Master ofereciam taxas que chegaram a 140% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário) e usavam em sua campanha de marketing a cobertura pelo FGC, para sugerir que estava livre de riscos.>
A iniciativa foi alvo de críticas de agentes do setor bancário, que já desconfiavam do crescimento acelerado do Master e da capacidade do banco em honrar o pagamento dos CDBs prometidos a investidores.>
A quebra do Master foi engendrada em uma estratégia agressiva do banco de vender CDBs (Certificados de Depósito Bancário) pagando taxas bem acima do mercado. Esses títulos, quando adquiridos até o valor de R$ 250 mil, são garantidos pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos) — e era com base nisso que Vorcaro alavancava as captações.>
A partir do final de 2024, no entanto, o Master começou a ter dificuldades em rolar os pagamentos a detentores de títulos.>
A suspeita dos investigadores é de que o Master tenha usado o negócio com o BRB (Banco de Brasília) para esconder a fabricação de carteiras falsas de crédito consignado. Isso inflou o balanço do Master, ainda de acordo com as investigações.>
Vorcaro foi solto em novembro, mas preso novamente nesta quarta-feira (4), em nova fase da operação Compliance Zero.>
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