Publicado em 1 de novembro de 2019 às 14:31
- Atualizado há 6 anos
Dentro do conjunto de medidas que serão apresentadas nos próximos dias, o ministro da Economia, Paulo Guedes, vai propor ao Congresso Nacional a liberação de R$ 220 bilhões que estão em fundos públicos.>
A área econômica levantou o montante em estoque nos fundos que considera estarem subutilizados ou terem função que não é prioritária.>
Interlocutores do ministro afirmaram à reportagem que esse dinheiro será destinado diretamente ao abatimento da dívida pública.>
Desde o início da gestão de Guedes, o foco das medidas apresentadas é a promoção de um ajuste fiscal para reequilibrar as contas do governo e permitir uma redução da dívida do país, que está em trajetória de alta e ultrapassou R$ 4 trilhões neste ano. O montante equivale a 5% da dívida pública federal.>
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A apresentação da medida para alterar o sistema de fundos está prevista para terça-feira (5), com o texto para tirar amarras do Orçamento e o pacote do pacto federativo, que altera a distribuição de recursos entre União, estados e municípios.>
Guedes se reuniu nesta semana com os presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Davi Alcolumbre (DEM-RJ), respectivamente, e planeja levar as propostas pessoalmente ao Congresso.>
Os fundos públicos especiais são uma espécie de conta alimentada por recursos vinculados a uma receita específica, como tributos, royalties ou receitas de empresas beneficiárias de incentivos fiscais. Essas verbas têm direcionamento carimbado para projetos da área de cada fundo, como saúde, educação e ambiente.>
Em entrevistas, Guedes já defendeu a revisão dos cerca de 280 fundos existentes hoje. São exemplos de fundos o Fust (de Universalização dos Serviços de Telecomunicações), o Finam (de Investimento da Amazônia) e o Funpen (Penitenciário Nacional).>
O ministro argumenta que o excesso de fundos cria uma série de amarras ao Orçamento e dificulta a gestão dos recursos públicos. >
Membros do governo ainda sustentam que é comum haver dificuldade para gastar esse dinheiro, que acaba represado e sem uso, enquanto outras áreas carecem de investimento.>
A PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que será apresentada terá duas frentes nessa área, conforme a última versão do texto. >
Na primeira parte, a vinculação das receitas será extinta. O ministro estuda deixar fundos de educação e saúde fora da medida. Se a mudança for aprovada, a decisão de como alocar os recursos deverá ser feita anualmente pelo governo, com o Congresso.>
A segunda etapa será a liberação do estoque dos fundos -valor estimado em R$ 220 bilhões por técnicos do governo. >
Após análise, a equipe técnica definiu que esses recursos não serão usados em gastos de ministérios ou programas sociais. Isso porque o uso do dinheiro com as chamadas despesas primárias ampliaria o rombo fiscal do governo.>
O montante, portanto, irá diretamente para abater a dívida pública. Como não são gastos primários, o abatimento dos débitos e o pagamento de juros não geram efeito fiscal negativo.>
Por se tratar de um volume expressivo de recursos, a pasta quer propor um período de transição. O objetivo é evitar um impacto muito forte no mercado.>
Com a medida, a equipe de Guedes espera reduzir substancialmente a dívida pública e diminuir os gastos com juros, além de sinalizar uma melhora na situação fiscal e na solvência do país.>
A consultora-geral de Orçamentos, Fiscalização e Controle do Senado, Ana Claudia Borges, afirma que a regra do teto de gastos, que limita o crescimento da despesa pública, gerou uma necessidade de reordenar as decisões sobre o uso dos recursos públicos, já que as despesas vêm sendo comprimidas.>
"Essa predeterminação dos fundos faz com que você tenha menos espaço para tomar decisão em relação ao restante dos recursos", disse.>
Para ela, o governo quer desvincular o Orçamento para ter a chance de dar prioridades diferentes aos gastos públicos. "É uma discussão necessária, mas pode ter um debate político grande porque terão de começar a discutir as prioridades", afirmou.>
Além das medidas que retiram as vinculações e obrigações do Orçamento, também está prevista para os próximos dias a apresentação de uma proposta de estímulo ao emprego e um pacote de reforma administrativa para promover alterações nas regras de salário, carreira, progressões e estabilidade dos servidores públicos.>
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