Publicado em 7 de julho de 2021 às 15:34
Com três meses de atraso, foi instalada nesta quarta-feira (7) a comissão do Congresso que ficará encarregada de analisar o Orçamento de 2022, ano eleitoral. >
A presidência ficará com a senadora Rose de Freitas (MDB-ES), candidata única. Ela já presidiu o colegiado em 2015. Na CMO (Comissão Mista do Orçamento) do Orçamento de 2021, o cargo foi ocupado pela ministra da Segov (Secretaria de Governo) e deputada licenciada Flávia Arruda (PL-DF). >
Freitas prometeu diálogo e disse que trabalhará para que "nenhum segmento" fique prejudicado na peça orçamentária. >
"Precisamos dar a sociedade um planejamento de país. Ninguém tem que estar à procura de recursos para sobreviver. Áreas estratégicas como ciência, tecnologia, agricultura, educação devem ser prioridades nesta Casa, têm que ser objeto de discussão permanente dentro do planejamento e não o socorro que se pede de uma hora para outra", comentou. >
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A relatoria da LDO (lei que dá as diretrizes para formulação do Orçamento) será do deputado Juscelino Filho (DEM-MA), enquanto a da LOA (Lei Orçamentária Anual) deverá ficar com o deputado Hugo Leal (PSD-RJ). >
O líder do governo no Congresso, Eduardo Gomes (MDB-TO), disse que a escolha da senadora busca cumprir um acordo informal no Legislativo de prestigiar a maior bancada do Senado, o MDB. >
O primeiro passo da comissão será analisar a LDO de 2022. O projeto precisa ser votado até o dia 17 de julho para que o Congresso possa entrar em recesso. Apesar de reconhecer o prazo apertado, o relator afirmou que irá apresentar o relatório "o mais breve possível". >
"Estamos instalando [a CMO] com um prazo bem restrito, era para estar instalada desde o mês de abril, maio, para que a gente tivesse mais tempo para trabalhar a LDO. O desafio é grande, mas faremos o possível para dar toda celeridade possível nessa tramitação, para que a gente possa estar apreciando o mais breve possível o relatório preliminar", disse Filho. >
Líderes partidários e técnicos de Orçamento no Congresso avaliam que o cumprimento desse prazo é praticamente impossível. >
O presidente do Congresso, senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), quer cumprir o prazo. "Temos esse compromisso de estabelecer essa normalidade". >
Agora que a CMO foi instalada é necessário abrir o prazo para que deputados e senadores apresentem emendas à LDO. Depois, Juscelino Filho será encarregado de apresentar o parecer. Após essa fase, caberá à comissão aprovar a proposta, que segue para o plenário do Congresso. >
Governistas querem acelerar a análise do projeto de LDO para que haja recesso e, com isso, tentar interromper temporariamente os trabalhos da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid, no Senado. >
Um dos pontos mais polêmicos na lei de diretrizes para o Orçamento de 2022 deve ser a continuidade do mecanismo chamado de emendas do relator. Para controlar uma fatia maior do Orçamento, o Congresso tem usado essa ferramenta para alocar bilhões de reais em projetos de interesse de parlamentares, principalmente de aliados do governo. >
Isso funciona da seguinte forma: o relator do projeto de Orçamento altera as previsões de despesas no ano, geralmente retirando verba de ministério e colocando os recursos com o carimbo de emendas do relator. As mudanças são negociadas com líderes partidários e aprovada pelo Congresso. >
Com objetivo de evitar questionamentos de órgãos de controle, alguns governistas defendem que essas emendas de relator sejam substituídas por outra forma de ampliar o poder do Congresso sobre o Orçamento. >
Pacheco defendeu nesta quarta o uso das emendas do relator. >
"Eu considero que o Orçamento definido pelo Congresso Nacional tem que ser executado pelo Executivo. Essa rubrica que estabelece o relator fazer esses encaminhamentos a partir da deliberação de quem conviveu na comissão mista de Orçamento e sabe das demandas nacionais... acho que é algo absolutamente normal", disse o presidente do Congresso. >
Na LDO, o governo previu que o salário mínimo deverá ser reajustado de R$ 1.100 para R$ 1.147 em janeiro. >
O reajuste, segundo a previsão do Ministério da Economia, será de 4,3%, sem ganho real aos trabalhadores. De acordo com um membro da pasta que participa da elaboração do texto, o aumento refletirá apenas a projeção do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) para 2021. >
Será o terceiro ano seguido que o piso nacional não terá aumento acima da inflação, mantendo o plano do governo Jair Bolsonaro (sem partido), que acabou com a política de ganhos reais que vigorou no Brasil por mais de duas décadas. >
A estimativa da LDO para o salário mínimo pode ser alterada ao longo da tramitação do projeto no Legislativo. O novo valor só entrará em vigor depois que o presidente da República assinar um decreto formalizando o cálculo. >
O valor estipulado para a meta do ano que vem é semelhante à última previsão do governo, que estimava um déficit de R$ 178,9 bilhões. >
A meta fiscal é o esforço que o governo promete fazer com o objetivo de evitar o crescimento da dívida pública. O valor estabelecido corresponde à diferença entre as receitas e despesas previstas para o ano, exceto o gasto com juros.>
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