Cinco pessoas vão sentar no banco dos réus, nesta quarta-feira (12), por um ataque promovido ao bairro Ilha do Príncipe, em Vitória, em 2020. Naquela madrugada, um jovem morreu e outros dois ficaram feridos.
Um dos acusados participará do júri popular por videoconferência, pois está custodiado no presídio federal de Porto Velho, em Rondônia. Trata-se de Geovani Andrade Bento, mais conhecido como Vaninho, que, até o final do ano passado, já acumulava cerca de 280 anos em condenações anteriores.
Ao todo, nove pessoas foram denunciadas pelas ações que tinham o objetivo de expandir o território da facção criminosa Primeiro Comando de Vitória (PCV), sendo quatro delas já condenadas. Só naquele ano, em meio à pandemia, foram pelo menos três ataques. No ano anterior, outros episódios semelhantes já haviam sido registrados .
A região sempre esteve na mira dos traficantes por estar próximo ao porto, onde já foram localizadas drogas em caso de navios, e à rodoviária, oferecendo acesso a diversas saídas da Capital, como as pontes para Cariacica e Vila Velha, além da via no sentido orla de Camburi.
Trata-se de uma localização estratégica que favorece fugas e tende a gerar alto lucro com o tráfico de drogas devido à facilidade de acesso para os compradores.
O crime
Na madrugada do dia 29 de setembro de 2020, segundo denúncia do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), parte dos acusados foi à Ilha do Príncipe promover o ataque a mando de Vaninho. O objetivo era atingir o grupo rival, liderado na ocasião liderado por Yago Saib Bahia da Silva, o “Passarinho”.
Logo que chegaram, os criminosos passaram a atirar nas vítimas ao imaginarem que se tratavam de traficantes rivais. Um dos jovens atingidos morreu.
Parte do grupo que executou o ataque ainda permaneceu no bairro, aguardando reforço para consolidar a hegemonia na região, mas os suspeitos acabaram sendo presos após denúncia à Polícia Militar. Os demais envolvidos foram identificados posteriormente pelas investigações. Entre os réus está um advogado, acusado de repassar aos criminosos em liberdade as ordens expedidas por Vaninho de dentro do presídio.
Horas antes do ataque à Ilha do Príncipe, outros criminosos vinculados ao PCV mataram seis jovens ao confundir trabalhadores com traficantes rivais, no crime conhecido como a “Chacina da Ilha”.
O advogado de Geovani Andrade Bento não foi localizado, mas o espaço segue aberto a eventuais manifestações.
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