O material, a que a coluna teve acesso, faz parte das informações reunidas para a decisão do reitor Eustáquio Vinicius Ribeiro de Castro sobre a punição a ser aplicada aos alunos. Traz um ponto de vista diferente em relação ao apresentado pela comissão disciplinar que investigou o caso, de expulsão de dois alunos e suspensão por 90 dias para outros 16. Uma conclusão que foi acompanhada pela reitoria.
Nas manifestações a Diretoria de Prevenção, Mediação de Conflitos e de Correição (DPMC) e um procurador federal, ambos vinculados à universidade, assinalam que os atos cometidos pelos estudantes, independentemente do tipo de participação, são “extremamente graves” e que a todos deveria ser aplicada a pena de desligamento.
“Pois em todos os casos se lesou a moralidade acadêmica, independentemente do grau de gravidade”, aponta Gilberto Fachetti Silvestre, diretor de de Prevenção, Mediação de Conflitos e de Correição.
Na sequência ele recomendou ao reitor que promovesse o desligamento de todos os 18 alunos. Foi acompanhado pelo procurador federal Oswaldo Horta Aguirre Filho, em seu relatório ao procurador chefe da Ufes. “Acompanho integralmente a manifestação do Prof. Dr. Gilberto Fachetti Silvestre”.
Comprovação
Segundo o diretor da DPMC, a investigação deu pesos diferentes à participação dos alunos, em alguns casos sendo mais grave do que a de outros. E entendeu que não seria equânime aplicar o desligamento a condutas com graus de gravidade diferentes.
Gilberto avalia que as provas levantadas pela comissão mostram um cenário diferente. “No meu entendimento está comprovada a improbidade moral de todos os alunos, ferindo ipso jure a moralidade da vida acadêmica, infração punida com desligamento pelo regimento geral da Ufes”.
O procurador federal ainda acrescenta que, por se tratar de ato improbo — uma conduta desonesta, que viola os princípios da administração pública —, o processo deveria ser encaminhado ao Ministério Público Federal, para a instauração de ação penal.
Período letivo
Em outro despacho presente no processo há uma orientação para que, no caso dos alunos suspensos, a punição de 90 dias seja cumprida durante o semestre letivo e não nas férias ou na fase de recesso da universidade.
A decisão da reitoria de expulsar e suspender os alunos foi no âmbito administrativo da universidade. A alternativa para os 18 alunos que receberam a punição é apresentar um recurso ao Conselho Universitário.
No último dia 22, despacho da Diretoria de Registro Acadêmico, vinculada à Pró-Reitoria de Graduação (ProGrad), comunicou que já havia concluído os registros de desligamento, suspensão e a exclusão de matrículas em disciplinas relativas ao primeiro semestre deste ano. E notificado os estudantes sobre a decisão.
Entenda o caso
As punições a 18 alunos da universidade foram aplicadas após processo disciplinar concluir que a prova final de uma disciplina foi hackeada e vendida. Ao todo 19 foram investigados, sendo que o processo foi arquivado para um deles.
A apuração realizada por uma comissão apontou que houve a prática de atos incompatíveis com a moralidade da vida universitária. E ainda desrespeito às autoridades universitárias, administrativas, aos professores e servidores quando no desempenho de suas funções.
A investigação teve início em 18 de setembro de 2023, após denúncia de que houve vazamento de uma prova final da disciplina de Anatomia e Fisiopatologia, referente ao primeiro semestre de 2023.
A conclusão da comissão disciplinar que investigou o caso foi de que houve um esquema de invasão do drive da disciplina, sem autorização dos professores por ela responsáveis. Após ser hackeada por dois alunos, a prova final que seria aplicada naquele semestre foi vendida a outros 16 estudantes do curso.
O que diz a Ufes
Em nota, a Universidade informou que o Inquérito Administrativo Disciplinar (IAD) para apuração dos fatos foi aberto logo após o recebimento da denúncia. E que os trabalhos foram coordenados por uma comissão disciplinar formada por cinco pessoas, sendo quatro docentes e um estudante, segundo o previsto no Regimento Geral da Ufes.
“Durante todo o andamento do processo foi garantido amplo direito de defesa aos 19 estudantes denunciados”, assinala.
A administração central da Ufes informou que “preza pela probidade no âmbito da Universidade”.
“Nessa perspectiva, atuamos continuamente para que as relações entre docentes, técnicos-administrativos e estudantes sejam construídas com base neste princípio. Qualquer denúncia de violação a essa norma será devidamente apurada na forma da lei”, assinala, em nota, a administração da Ufes.
E jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi reporter nas editorias de Politica, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como reporter especial com foco em materias investigativas em diversas areas.