Eles são jovens, com até 34 anos, negros, vivendo em regiões de periferia e onde há atuação do tráfico de drogas. Foram mortos por arma de fogo e em crimes com características de execução.
O perfil das 796 pessoas que perderam as suas vidas em 2025 nos chamados homicídios dolosos, quando há intenção de matar, expõe o retrato e o impacto das desigualdades socioeconômicas.
Levantamento realizado pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), com os dados fechados até o mês de novembro do ano passado, revela as características das vítimas:
- 90,7% eram do sexo masculino
- 83% são negros
- 40,7% eram jovens com idades entre 15 a 29 anos
- 54% se a faixa etária for ampliada para 15 a 34 anos, o que também vem sendo observado no Brasil
- 70% foi morta com uso de arma de fogo
- 73% dos homicídios têm características de execução
- 55% ocorreu no fim de semana e em ação à noite
O que também chama a atenção é que o agressor tem um perfil bem semelhante ao da vítima. E ambos são moradores de bairros localizados em áreas de periferia.
Outro dado que mostra o acirramento da violência urbana é que em 54% dos casos as vítimas tinham algum tipo de vínculo com o tráfico de drogas: era integrante de algum grupo, até mesmo rival; havia alguma dívida; foi declarado como informante ou delator; estava envolvido nos conflitos das facções por disputa de território.
Novos desafios
Nesta quinta-feira (1º), o governador Renato Casagrande anunciou em suas redes sociais que o ano de 2025 se encerrou com 796 homicídios dolosos. O menor registro nos últimos 30 anos.
De acordo com Pablo Lira, diretor-geral do IJSN, os dados impõe um cenário mais desafiador para os próximos anos, principalmente com o crescimento e expansão das facções criminosas.
“Temos um contexto social de jovens que matam e morrem. E quando se analisa o perfil, eles têm baixo nível de instrução, estão fora da escola e sem trabalho. O que nos mostra que será necessário uma atuação forte e a longo prazo na área da prevenção”, assinala.
A maioria dos jovens vitimados em assassinatos ou que estão envolvidos com o tráfico, não foram alcançados por políticas públicas em sua infância e adolescência.
Uma das causas desta condição, observa Pablo, foi o crescimento desordenado das áreas urbanas, e que não foi acompanhado por investimentos em educação, saúde, assistência social, saneamento, entre outros serviços públicos.
“Acreditamos que, com ações integradas, com a continuidade das ações do Estado Presente, com projetos voltados aos jovens, como escolas em tempo integral, centro de referência da juventude, além de ações do governo federal e dos municípios, a médio e longo prazo se consiga reduzir estes indicadores”, pontua o diretor.
Relata que estudo realizado com as dez cidades priorizadas pelo programa, entre os anos de 2019 a 2022, mostrou que foi possível preservar 1.600 vidas.
*** A colunista vai tirar alguns dias de folga e retorna na segunda semana de janeiro. Até lá!
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