Uma abordagem de rotina realizada em Vila Velha pode resultar em um desdobramento da investigação contra policiais do Departamento de Narcóticos (Denarc), da Polícia Civil do Espírito Santo.
Contra eles pesam acusações de envolvimento com traficantes ligados ao grupo criminoso Primeiro Comando da Capital (PCC), com atuação em Vitória.
Na última terça-feira (25), foi apreendido R$ 220 mil, em espécie, com uma mulher. As informações iniciais são de que ela teria realizado o saque da conta de um dos policiais investigados, com quem é casada.
O valor foi apreendido em ação realizada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Espírito Santo (FICCO/ES), coordenada pela Polícia Federal. A mulher não comprovou a origem do dinheiro, se limitando a dizer que os valores pertenceriam a outra pessoa.
Está sendo apurado se ela realizou outros saques na mesma conta, listada entre os bens que podem ter sido obtidos em uma suposta comercialização de drogas.
Como a mulher foi liberada, seu nome não foi divulgado. Além do dinheiro, ela teve o celular apreendido para aprofundamento das investigações.
Desvio de drogas
Em dezembro do ano passado, quatro policiais civis que atuam no Denarc se tornaram réus em uma ação penal. As acusações são de desvio de drogas apreendidas para traficantes do PCC, com atuação na Ilha do Príncipe, em Vitória.
Um deles é apontado como “orientador estratégico da facção” e foi detido durante a realização da Operação Turquia, deflagrada pela Polícia Federal e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público (MPES).
Posteriormente o MP denunciou os policiais e outras quatro pessoas, incluindo o traficante que mantinha contato com eles. A lista inclui os seguintes nomes:
- Eduardo Tadeu Ribeiro Batista da Cunha - policial civil, está preso
- Erildo Rosa Junior - policial civil
- Eduardo Aznar Bichara - policial civil
- Alessandro Tiago Silva Dutra - policial civil
- Yago Saib Bahia Da Silva - traficante / PCC
- Daniel Goes Maria Cunha
- Rod Wudson Teixeira Dos Santos
- Wanderson Lourenço Pires
A denúncia foi aceita pela Justiça estadual, o que os tornou réus. O texto judicial aponta que os listados acima respondem pelas supostas práticas dos crimes de organização criminosa armada com participação de funcionário público, tráfico de drogas, associação para o tráfico, corrupção passiva, corrupção ativa e peculato.
O que dizem as defesas
A defesa de Eduardo Aznar Bichara é realizada pelo advogado Fábio Marçal. Ele informa que segue confiando na justiça e no processo legal e que irá provar durante a instrução criminal que o seu cliente não praticou nenhum ilícito.
“Ele sempre foi um servidor dedicado e honesto, fato este de notório conhecimento no meio policial”, destaca.
O advogado Rafael Almeida de Souza representa o policial Eduardo Tadeu. Informa que a defesa “não foi notificada, intimada, nem teve qualquer ciência oficial acerca da instauração de procedimento policial destinado à apuração do fato em questão”.
A defesa de Erildo Rosa Júnior é feita pelo advogado Frederico Pozzatti. Ele nega a participação do seu cliente nos fatos, assinalando que ele sempre foi um policial atuante contra o tráfico, principalmente contra a facção apontada na denúncia, o PCC.
Os advogados dos demais réus não foram localizados, mas o espaço segue aberto à manifestação.
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