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Pandemia

Também precisamos falar sobre a volta das atividades esportivas

Se a arte encontrou meios alternativos para proporcionar diversão e distensão às pessoas (tais como as lives musicais), o esporte viu-se praticamente interrompido ao longo desta quarentena

Públicado em 

27 ago 2020 às 05:00
Tarcísio Bahia

Colunista

Tarcísio Bahia

Data: 07/05/2020 - Vila Velha - Pessoas praticando esportes,na Praia da Costa, em Vila Velha - Editoria: Cidades Foto: Ricardo Medeiros - GZ
Prática de esporte também é uma forma de entretenimento na quarentena, mas requer cuidados Crédito: Ricardo Medeiros
Muito tem se falado sobre a importância da arte durante o isolamento provocado pela pandemia.
Eu mesmo, enquanto arquiteto, escritor, desenhista, apaixonado por quadrinhos, cinema e música, além de professor justamente do Centro de Artes da Ufes, tenho plena consciência do quanto precisamos da olhar sensível proporcionado pela arte para enfrentarmos a dureza da realidade atual, tendo defendido em diversas ocasiões neste mesmo espaço sua relevância em nossa vida cotidiana.
Em resumo, a arte nos faz ter maior generosidade e empatia com os demais e com o próprio mundo que nos cerca. Além disso, o papel lúdico proporcionado pela arte configura também um aspecto relacionado ao lazer, algo extremamente necessário ao bem estar dos indivíduos.
Contudo, a sociedade contemporânea também tem no esporte, outra atividade humana, outro meio de entreter-se.
Se a arte, porém, encontrou meios alternativos para proporcionar diversão e distensão às pessoas (tais como as lives de shows musicais, visitas virtuais aos museus etc), o esporte viu-se praticamente interrompido ao longo desta quarentena.
Mas eis que dirigentes criativos, como os da Uefa e da NBA, encontraram soluções capazes de oferecer segurança aos atletas, comissões técnicas das equipes, arbitragem e assim pudemos voltar a ter o prazer de ver partidas que garantem emoção e divertimento a milhares de pessoas em todo o mundo. Os formatos adotados na reta final da Champions League (finalizada no último domingo, com a vitória do Bayern Munich) e do basquete norte-americano (agora na fase dos playoffs), que colocaram todas as equipes numa única cidade, Lisboa e Orlando, respectivamente, trouxeram de volta a emoção de quem é aficionado por esporte.
E ainda que os jogos sejam realizados sem a presença do público, o retorno das partidas é algo positivo não apenas para todos aqueles profissionais envolvidos naquelas competições, mas principalmente para as multidões de torcedores em todo o mundo que, mesmo confinados há meses em casa, podem sentir de novo o gosto de vibrar vendo seus times jogarem.
Não obstante, sabemos que o esporte não é uma questão só de lazer, pois está relacionado com a saúde física e mental das pessoas, contribuindo para o nosso bem-estar, reduzindo o risco de várias doenças, principalmente as cardiovasculares que matam milhares de pessoas a cada ano. O esporte socializa crianças e jovens; contribui para a autodisciplina; reduz o risco de doenças comportamentais como estresse, ansiedade e depressão; orienta as pessoas quanto a qualidade da alimentação; nos dá disposição pra labuta diária, entre outros benefícios. A prática esportiva rotineira tem influência no desenvolvimento sociocultural dos cidadãos.
Com a pandemia se estabilizando em algumas partes do país, algumas atividades físico-esportivas estão sendo retomadas, mas quase todas elas sendo praticadas por pessoas adultas, tanto de modo individual como com acompanhamento de profissional de Educação Física. Os parques e praças de muitas cidades, bem como algumas academias, começam a ficar cheios de gente malhando, correndo, se exercitando, suando a camisa.
Mas e as crianças?
É evidente que o retorno das crianças às aulas presenciais é ainda premeditado, haja vista o risco do contágio da Covid-19 num ambiente como são as escolas. Agora mesmo acabou de sair uma pesquisa indicando a possibilidade da carga viral das crianças ser bem alta, ao contrário do que se pensava até há pouco tempo.
Se o aprendizado dos conteúdos disciplinares está prejudicado, pois o ensino remoto não tem ubiquidade e, por enquanto, o mesmo desempenho dos estudos realizados de modo presencial, é certo que temos visto várias iniciativas que têm permitido às crianças manterem a mente em atividade, com certo nível de aquisição de conhecimento das matérias escolares.
Isto, porém, não ocorre com as atividades físico-esportivas, também praticadas no ambiente escolar.
O sedentarismo infantil apresenta alto risco, sem falar no aspecto socializador, motivacional, inerente à prática esportiva. Muitos estudos já comprovaram a eficácia do esporte na mudança comportamental de crianças e jovens que se mostravam desatentos, desmotivados, e até mesmo desinteressados no aprendizado dos conteúdos disciplinares e na convivência social.
Enfim, trata-se de uma questão que até agora não tem sido objeto de discussão, mas que não pode ser mais adiada.

Tarcísio Bahia

Arquiteto, professor da Ufes e diretor do IAB/ES. Cidades, inovação e mobilidade urbana têm destaque neste espaco

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