“Dia após dia, ouvia a sua vó lhe falar / O mundo é fabuloso, o ser humano é que não é legal” ("Manuel", Fábio Fonseca e Marcia Serejo)
Onipresente no planeta, em detrimento de várias espécies animais já extintas em função de sua gana conquistadora, há tempos que o homem também vinha se sentindo onipotente. Deus é que, talvez, não lhe tenha dado a onisciência, já advindo determinados riscos... A soberba pode matar, como já matou muitos ao longo da história humana, e ainda vem matando, e nada indica que será diferente no futuro. Afinal, a intolerância e a ignorância andam juntas...
Consideremos por ora que o conceito de “harmonia”, após a própria experiência da vida, de estar vivo, é o que mais importante pode nos ocorrer.
Em harmonia consigo mesmo, o homem não sentiria nenhuma aflição, nenhuma dor. Em harmonia com o mundo em que vivemos, o homem não precisaria explorá-lo, num processo quase de domesticação do meio ambiente ao seu bel prazer. Em harmonia consigo mesmo, o homem sequer gostaria de sobrepujar outro ser humano. Vamos ser felizes! E ser feliz é incompatível com querer ver a infelicidade de outro.
Mas é claro que há muita gente infeliz, pessoas que passam fome, que possuem alguma doença crônica etc.
Neste ponto é importante ressaltar que várias pesquisas já ressaltaram que aqueles que praticam a caridade, buscando diminuir a infelicidade daqueles que não dispõem dos mesmos recursos dos afortunados, se sentem mais felizes. Ou seja, a gentileza, a empatia, a caridade, dá maior sensação de felicidade. Algo que busca diminuir as disparidades do mundo, que visa aproximar aqueles que já encontraram a harmonia, e que podem e querem dividir, ou melhor, doar seu tempo com aqueles que porventura ainda buscam tal oportunidade de encontrar o divino, o sublime, o ponto de equilíbrio. A generosidade nos dá leveza.
No entanto, é impressionante como tem gente pesada no mundo! Gente que parece não querer viver pra ser feliz, que usa seu tempo de vida com atalhos, para disseminar o ódio, espalhar maldades, querer ver o sofrimento alheio. Radicais que só desejam semear a desunião. Possuem em seu cerne, uma índole vil. E mais impressionante, são pessoas que sequer passam fome!
Há reações, como a que vimos a pouco com o Facebook, que cancelou contas que disseminavam mensagens de ódio em todo o mundo. É lamentável, porém, que seja necessária uma decisão radical para tentar inibir a ferocidade de alguns indivíduos, o que na verdade não vai acontecer, pois quem carrega raiva dentro de si não mudará o comportamento por decisão de uma empresa de tecnologia em função de riscos econômicos com a fuga de patrocinadores.
A inexistência de um projeto político conciliador não é suficiente para explicar ou justificar o momento que vivemos atualmente. Em pleno século XXI, éramos para estar desfrutando as benesses proporcionadas pelo desenvolvimento tecnológico.
É certo que o mundo nunca foi tão rico, mas também nunca houve tanta desigualdade, com milhares de pessoas famintas, fugindo de guerras, sendo atacadas por questões raciais, etc etc.
Nunca a humanidade produziu tanto conteúdo cultural e de entretenimento, justamente para amenizar nossas almas, para poetizar o mundo, mas isso não tem sido suficiente para aplacar a ira daqueles que querem mesmo acabar com arte, a sensibilidade, a beleza das coisas.
Sendo cada vez mais necessária, a arte encontra-se em risco, destroçando talentos, desanimando artistas que querem pintar o mundo com cores, poetas que querem cantar palavras doces, músicos que querem orquestrar os sons da natureza. Mas ela sobreviverá. Trará novos quadros, novos poemas, novas canções, ressignificando nossa paisagem, trazendo uma mensagem de harmonia, algo cada vez mais urgente e necessário!
“Baby, compra o jornal / E vem ver o sol / Ele continua a brilhar / Apesar de tanta barbaridade” ("O poeta está vivo", Roberto Frejat e Dulce Quental)