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É jornalista e escritora, com passagens pelos jornais A Gazeta e Folha de São Paulo e pelas revistas Bravo! e Vida Simples. Atualmente coordena o Curso de Residência em Jornalismo da Rede Gazeta. Escreve aos domingos

Rotina na pandemia é feita de miudezas e esperança em dias melhores

De obrigações periféricas e desbotadas, o expediente para cumprir, a louça suja, a roupa lavada e as compras à espera de desinfecção viraram acontecimentos dignos de nota

Publicado em 05/07/2020 às 05h00
Atualizado em 05/07/2020 às 05h00
Especialista acredita que procura pelo seguro residencial tende a crescer após a pandemia
O simples ato de passar roupa também virou um "acontecimento" durante a pandemia. Crédito: freepik

Poucos meses atrás, éramos um acúmulo de sonhos, projetos, fazeres, prazeres e afazeres. Afetos, dores, alegrias, encontros, ausências e memórias dividiam espaço com metas e objetivos de prazos variados, mais ou menos organizados, dependendo do afinco e da disciplina de cada um. Mas, desde o início da pandemia, a vida parece se alimentar apenas das miudezas do cotidiano e da esperança em dias melhores. O calendário avança, e nós seguimos, envelhecendo diante das coisas grandes suspensas pelo coronavírus e suas curvas assustadoramente ascendentes.

A boa notícia é que o miúdo da vida nunca foi tão significativo. Na falta de alternativa mais excitante, o ganha-pão dos cronistas ganhou também a atenção dos outros.

Assim, de obrigações periféricas e desbotadas, o expediente para cumprir, a louça suja, a roupa lavada e as compras à espera de desinfecção viraram acontecimentos dignos de nota. O bicho de estimação, o que disseram no grupo da firma, o pão feito em casa, eles e tantas outras pequenas rotinas que antes até podiam passar despercebidas agora preenchem o vazio criado pelo isolamento e pelas más notícias.

Li estes dias um poema da poeta carioca chamada Marília Garcia que diz o seguinte, assim mesmo, em minúsculas:

“o que se passa todos os dias e que volta todos os dias / o banal o cotidiano o óbvio o comum o ordinário / o infraordinário / o barulho de fundo o hábito / como perceber todas essas coisas? / como abordar e descrever aquilo que de fato / preenche a nossa vida?”

A pandemia ceifou pelo menos 400 mil vidas até agora. Interrompeu projetos, ampliou distâncias, colocou a morte diariamente no nosso campo de visão, levou gente querida de muitos de nós, colocou muitos modelos em xeque. Mas também nos mostrou que, de fato, há vida escondida no que é banal, habitual, ordinário. E, na despercebida potência do cotidiano, no enorme significado dos objetos à nossa volta e na força do que fazemos enquanto esperamos, quem sabe está uma saída para dias melhores.

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