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Alvaro Abreu

Um livro, um filme e um presente inesperado

Em situações como essa, o “salve-se que puder” é prática usual para quem estava fazendo planos otimistas, fundamentados em conchavos potenciais animadores

Publicado em 15 de Maio de 2026 às 02:30

Públicado em 

15 mai 2026 às 02:30
Alvaro Abreu

Colunista

Alvaro Abreu

A produção de um livro com crônicas selecionadas começou com a leitura, por alto, das que foram publicadas entre 2009 e 2019, servicinho maneiro que deverá estar finalizado nos próximos dias.

Nem me lembrava de muitas delas, mas já deu pra ter uma boa ideia dos temas abordados e das emoções passadas para o papel. Para muito além de assuntos familiares e caseiros, constatei que alguns temas ganharam atenções especiais, com destaque para a vergonha do pó preto provocado pelas Vale e Arcelor, instaladas na Ponta de Tubarão, a embromação da duplicação da BR 101, a tragédia de Mariana, a expansão imobiliária na capital, com destaque para a ocupação residencial do entorno do shopping, a anulação da reserva da gleba destinada a abrigar o Parque Tecnológico de Vitória, entre outros.


Ao lado disso, reli muitas páginas dedicadas a eventos da política, incluindo rumos de campanhas eleitorais, julgamento de bandalheiras pelo STF, desempenho de governantes, derrubada de presidenta, e muito mais, com impactos até os tempos atuais.


Pois, desde o começo desta semana, fatos relevantes no cenário na política, em Brasília, ocupam as atenções de muita gente, merecendo até crônica.


As últimas notícias sobre financiamento de filme de propaganda disfarçada são avassaladoras para a turma da direita, fazendo crer que vêm por aí grandes alterações no panorama que já começa a dar sinais de tendências irreversíveis.


Tendo a acreditar que a candidatura do senador Flávio Bolsonaro, atingida por uma espécie de torpedo, começa a fazer água, ameaçando drasticamente o futuro de muita gente. Imagino que, com o andar da carruagem, os números das próximas pesquisas de opinião atestarão os estragos na viabilidade de sucesso da candidatura.


Mais do que isso, recomendarão que a oposição busque um outro nome. Não será tarefa fácil, por falta de alternativas, pelo pouco tempo disponível, pelos traumas e desafetos acumulados. Isso, sem falar que líderes políticos atentos e os outros candidatos se sentirão animados e convictos de que suas chances reais aumentaram, devendo ocupar fatias maiores de espaço na disputa.


Em situações como essa, o “salve-se que puder” é prática usual para quem estava fazendo planos otimistas, fundamentados em conchavos potenciais animadores.


Não é necessário ser vidente para imaginar a satisfação e, talvez, o gosto de vingança, que deve estar sentindo a única pessoa que, tendo o mesmo sobrenome do mito, detém a condição básica e indispensável para levar adiante uma campanha a presidente em nome do clã.


Posso estimar as cenas de pancadaria verbal, os xingamentos e os deboches já em andamento no lar/prisão, mas não consigo imaginar os eventuais desdobramentos efetivos, sobretudo a partir de quando a turma de políticos profissionais se sentir em condições de agir por conta própria, sem o aval do prisioneiro, agora sem sucessor político, efetivamente de sangue.


Na outra ponta, dá para imaginar a satisfação, a felicidade mesmo, que a turma que gravita em torno do candidato à reeleição deve estar sentindo. Por mais experiente, astuto, jeitoso e esperto que ele seja, jamais deve ter sonhado ganhando um presente de tamanha utilidade.

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Alvaro Abreu

É engenheiro de produção, cronista e colhereiro. Neste espaço, sempre às sextas-feiras, crônicas sobre a cidade e a vida em família têm destaque, assim como um olhar sobre os acontecimentos do país

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