Maio é um mês carregado de símbolos para o povo brasileiro: o Dia do Trabalhador, o mês negro, as festas de Nossa Senhora e a data da Lei Áurea. Mas, mais de 136 anos depois da assinatura da Lei Áurea, a liberdade prometida ainda não se realizou plenamente para milhões de brasileiros, especialmente negros e pobres.
Embora a Lei Áurea de 13 de maio de 1888 tenha posto fim legal à escravidão, ela não garantiu condições reais de dignidade à população negra. Sem terra, sem educação, sem moradia e sem direitos básicos, grande parte dos libertos e seus descendentes permaneceu à margem da sociedade.
Diante disso, a Lei Áurea não pode ser celebrada apenas como um ato do passado. Ela exige, no presente, uma “segunda abolição”: a reforma agrária, a reforma urbana e políticas que garantam os mínimos necessários para a sobrevivência digna dos filhos e filhas dessa pátria.