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Crônica

A origem política das panelas e de tantas outras utilidades

Segundo consta, a panela foi inventada na China para protestar contra um mandarim que se divertia exonerando ministros que haviam sido convidados no dia anterior

Públicado em 

06 out 2020 às 05:00
Paulo Bonates

Colunista

Paulo Bonates

Panela, uma invenção política chinesa
Panela, uma invenção política chinesa Crédito: Pixabay
Respeitável público, a inevitável busca da explicação para a complexidade das grandes obras de arte ou da Ciência, de Da Vinci a Graham Bell, passando por todos os gênios que aplicaram um corte epistemológico nas dúvidas, está na criação de outras.
Em uma viagem noturna de ônibus, se não pegarmos no sono, não há no que pensar ou o que fazer. Foi numa dessas que resolvi, na solidão da estrada, pensar nos fracos e oprimidos, o povo.
Já que meditava na linha de inventores, lembrei de um objeto até hoje não reconhecido, embora insubstituível. A senhora sabia que os arqueólogos descobriram estranhos utensílios, alguns pontudos, com formas estranhas, nos ninhos milenares dos Gigantopithecus (conhece?)? E tempos depois, após anos de observação, começaram a usá-los para matar, ferir e invadir.
Uma vez estava eu em um hotel em Paris – sorry, periferia! - quando precisei de uma agulha de costura. Fui ao gerente e recebi a histórica notícia que poderia ser manchete de primeira página do "Le Monde": “Não existe agulha de costura na França”.
O reverendo Samuel Henshall, em 1795, remexendo o lixo do porto de Liverpool, Inglaterra, em busca de comida para os pobres, inventou o saca-rolha sem saber o que fazer com aquilo. A garrafa, sua fiel escudeira, já havia surgido pelas mãos dos egípcios há 3.500 anos. Isso é que é um vinho curtido.
Não sei com certeza, mas acho que os poderosos filhos dos faraós resolviam o problema obrigando seus prisioneiros a obstruir a boquinha da garrafa com os dedos, gesto que seria imitado por dançarinos brasileiros pós-modernos.
Os reis de França, assim como todos os reis e presidentes, não tinham, como não têm, nada importante pra fazer, até porque não sabiam e ainda não sabem fazer nada além de enganar a plebe-rude.
O pintor gaulês, especializado em nada, Jacquemin Gringonneur, que havia conseguido uma boquinha na função de puxa-saco real e presidencial, brincando com as crianças e utilizando folhas secas que caíam no hospício do palácio, inventou o jogo de baralhos, exceto o Bridge que já havia chegado à África trazido por Chita, esposa do Tarzan.
Outro utensílio indispensável, muito utilizado nos movimentos populares de direita, esquerda, de cima e embaixo, a panela foi inventada na China para protestar contra um mandarim que se divertia exonerando ministros que haviam sido convidados no dia anterior.
Já a invenção do palito de fósforo foi em 1680, pelo cientista britânico Robert Boyle. A esplêndida novidade só começou a ser produzida no Brasil pela Fiat Lux, no início do século XX. Fiat Lux significa “Faça-se Luz”.
Depois, a única grande invenção indispensável foi o Jogo do Bicho, criado pelo Barão João Batista Viana Drummond, em 1892, fundador do Jardim Zoológico, do Rio de Janeiro.
Dorian Gray, meu cachorro vira-lata, inventou o xixi no sofá, diz ele.

Paulo Bonates

É médico, psiquiatra, psicanalista, escritor, jornalista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo. E derradeiro torcedor do América do Rio.

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