Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Operação Corsários

Rose de Freitas: "Por que, depois de 40 anos, eu iria roubar?"

Polícia Federal, que cumpriu mandados contra a senadora em 2021, voltou a campo. Desta vez, mirou suplente da emedebista em meio a suspeita de corrupção na Codesa

Públicado em 

25 jan 2023 às 09:38
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Coluna Letícia Gonçalves entrevista Rose de Freitas, candidata ao Senado
Coluna Letícia Gonçalves entrevista Rose de Freitas, então candidata à reeleição ao Senado, em outubro de 2022 Crédito: Fernando Madeira
A Polícia Federal deflagou, na terça-feira (24), a segunda fase da Operação Corsários, que apura suspeitas de corrupção na Companhia Docas do Espirito Santo (Codesa). Entre os alvos, está o suplente da senadora Rose de Freitas (MDB), Luiz Pastore, do mesmo partido. Ao menos um ex-servidor da emedebista também entrou na mira.
Foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão no Espírito Santo, em Brasília e em São Paulo.
Em maio de 2021, na primeira etapa da Corsários, a PF bateu à porta da casa da própria Rose, em Vitória, e no apartamento funcional dela, no Distrito Federal. Um irmão dela, Edward Dickson, além de um assessor da parlamentar, foram presos temporariamente, na ocasião.
De acordo com a Polícia Federal, os investigados devem responder, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de peculato (quando um funcionário público desvia dinheiro ou bens públicos para proveito próprio ou para beneficiar outras pessoas), crimes licitatórios, corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
A corporação não divulgou os nomes dos envolvidos. A Procuradoria-Geral da República também se fechou em copas, já que o caso está sob segredo de Justiça. Mas a coluna apurou as informações.
A senadora falou com a reportagem de A Gazeta, rapidamente, ainda nesta terça. E na manhã desta quarta-feira (25) atendeu a coluna mais detidamente.
Ela confirmou que um endereço de Pastore foi alvo de mandado de busca e apreensão. E disse não entender a razão. "O que Pastore tem a ver com a Codesa?", questionou.
O suplente da senadora é de São Paulo e atua como empresário. Ele assumiu o mandato como senador do Espírito Santo por duas vezes na atual legislatura, durante alguns meses, quando Rose estava de licença.
Para além de dizer que o suplente não tem nada a ver com a Codesa, a senadora rebateu as suspeitas que pesam sobre ela mesma.
"Por que, depois de quarenta anos, eu iria roubar? Como se faz uma operação, não se comprova nada, e partem para a segunda operação?"
Rose de Freitas (MDB) - Senadora
Rose tem uma longa carreira na vida pública. Foi eleita pela primeira vez ainda em 1982, como deputada estadual.
De acordo com fontes da Polícia Federal ouvidas pela coluna, há um inquérito em andamento, que é um instrumento de investigação. A segunda fase da Corsários é um desdobramento dentro desse mesmo inquérito.
Ele ainda não se transformou, propriamente, em um processo judicial, o que ocorre apenas após uma denúncia é oferecida pelo Ministério Público, no caso representado pela PGR.
O inquérito fica sob a alçada do Supremo Tribunal Federal (STF), que é onde Rose tem foro, por ser senadora. O mandato dela, entretanto, termina no próximo dia 31.
Em outubro de 2022, a parlamentar tentou a reeleição, mas foi derrotada por Magno Malta (PL).
DESPESAS PESSOAIS
Ainda em junho de 2021, a PF encontrou indícios de que recursos provenientes da Codesa foram usados para pagar despesas pessoais de Rose, como quitação de boletos de imóveis e faturas de cartão de crédito. 
O único vínculo formal que Rose teve com a Codesa durou alguns meses, em 1999, quando ocupou o cargo de diretora de Gestão Portuária.
O irmão da senadora preso em 2021, entretanto, trabalhou na companhia até 2019, em uma função comissionada.
Os supostos desvios investigados pela PF ocorreram antes que a Codesa fosse transferida à iniciativa privada, em 2022.
Rose negou, em outros momentos e agora, ter participado de qualquer ato de corrupção e desvio de dinheiro.
"Meus vizinhos viram eu construir a minha casa, aos poucos, durante 29 anos (...) Meu irmão mora em um apartamento de 47 metros quadrados, que paga com recurso dele", afirmou em entrevista à coluna em meio às eleições do ano passado. Ela demonstrou, naquele dia, irritação ao ser questionada sobre a Operação Corsários.
O SUPLENTE
Luiz Pastore tomou posse nesta quarta-feira (20)
Luiz Pastore, suplente da senadora Rose de Freitas Crédito: Waldemir Barreto/Agência Senado
Pastore, que ficou sob os holofotes agora, é uma espécie de suplente profissional. Já foi o reserva de Gerson Camata, quando este era senador pelo Espírito Santo.
Em 2022, ele esteve ao lado de Flávia Arruda (PL), que tentou se eleger senadora no Distrito Federal. Era o primeiro suplente. A candidata, entretanto, foi superada por Damares Alves (Republicanos).
Rose disse que ele telefonou para ela na terça, dia do cumprimento do mandado de busca e apreensão, e disse não entender o motivo da ação policial.
"Ele não sabe do que se trata, nem tem como saber", afirmou a senadora.
Em nota enviada à coluna, Pastore disse que a polícia foi à casa dele, mas nada foi apreendido:
"Ontem (24/01/2023) fui surpreendido com a realização de busca e apreensão em minha residência, cumprida na mais absoluta normalidade, com menos de meia hora de duração, sendo que nada foi apreendido. Estou à disposição da Justiça, não tendo mais o que comentar até ter acesso ao teor da decisão que decretou a medida, sobretudo considerando que não tenho conhecimento das razões desta ordem ou do processo onde foi proferida".
Rose contou que a PF cumpriu mandados em relação a outro aliado dela:
"E ainda foram atrás de um ex-servidor meu, uma pessoa humilde", complementou Rose.
KASSIO NUNES MARQUES
No Supremo, o relator da Corsários, a quem cabe autorizar as medidas solicitadas pela PF, é Kassio Nunes Marques, indicado pelo então presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), para o cargo.
"Estive pessoalmente com ele em Brasília e falei que minha dignidade é importante. O processo estava parado, por isso que fui lá. Pedi para o processo andar", contou Rose.
"Conseguiram fazer eu ter um sentimento muito ruim sobre a política. Veja o que fizeram com (Renato) Casagrande, com esse negócio de Odebrecht, que não deu em nada. O que fizeram com Hartung, com a história de Mineirinho (apelido atribuído ao ex-governador em planilha da Odebrecht, que surgiu em meio a uma delação premiada). Também tudo arquivado. E isso fica exposto na mídia", comentou.
"Vou confiar na Justiça. Espero que apure, mas não demore. Estou à disposição", finalizou a senadora, ao se despedir da coluna, em conversa por telefone.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no Gazeta Online/ CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, onde exerce a função de editora-adjunta desde 2020.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem BBC Brasil
'EUA estão vencendo, vencendo como nunca': Trump discursa sobre guerra no Irã
Imagem de destaque
Suspeito de matar estudante de Direito em Cariacica ligou para familiares dela durante velório
Imagem de destaque
MPES já havia notificado Prefeitura sobre rua que desabou em Jerônimo Monteiro

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados