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Senadora não reeleita

O que Rose de Freitas vai fazer sem mandato após 22 anos

Emedebista foi deputada federal por seis mandatos, passou os últimos 8 anos no Senado e vai comemorar 74 anos de idade. Ela não descarta concorrer a novos cargos eletivos

Publicado em 22 de Janeiro de 2023 às 02:10

Públicado em 

22 jan 2023 às 02:10
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Senadora Rose de Freitas (MDB)
Senadora Rose de Freitas (MDB) Crédito: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
A senadora Rose de Freitas (MDB) atua na militância política desde a juventude. Foi jornalista, radialista e professora, integrou movimentos como a Comissão de Anistia e a Comissão Feminina em Favor dos Direitos Humanos.
Em 1982, elegeu-se deputada estadual no Espírito Santo pelo MDB, partido de oposição ao regime militar. Em 1986, foi eleita deputada federal constituinte.
A partir de 1º de fevereiro de 2023, ela vai ficar sem mandato pela primeira vez em 22 anos ininterruptos. Em outubro, tentou se reeleger, mas foi derrotada por Magno Malta (PL). 
Rose teve seis mandatos na Câmara dos Deputados. Os primeiros, de 1987 a 1995. Após um hiato, ela voltou à Casa em 2001, como suplente de Nilton Baiano, que tirou licença para virar secretário estadual de Saúde, e ficou até 2002.
No mesmo ano, foi eleita deputada federal. E reconduzida sucessivamente nos pleitos seguintes.
Em 2014, tornou-se a primeira mulher eleita ao Senado pelo Espírito Santo. Poderia encerrar a carreira após os oito anos que passou lá.
Na segunda-feira (23), a veterana vai comemorar o 74º aniversário. Ao todo, passou mais de 30 anos exercendo mandatos.
Na última sexta (19), em conversa com a coluna, entretanto, a emedebista contou que pretende descansar por apenas dois meses. 
Ela não descarta concorrer a outros cargos eletivos e diz que vai seguir tentando liberar verbas federais para o Espírito Santo mesmo sem ocupar cargo público.
Como parlamentar, a emedebista sempre se apresentou como municipalista, atendendo a pedidos de prefeitos para liberação de verbas e compra de equipamentos, por exemplo. Para isso, batia à porta de ministérios do governo federal, em qualquer gestão.
Rose ainda preside o órgão provisório que dirige o MDB no estado, com vigência ao menos até o dia 23 de março. 
"Esse é o meu grande trabalho", afirmou. 
De acordo com ela, o partido vai participar ativamente das eleições municipais do ano que vem: "Em todos os municípios em que for possível, com propostas e bons candidatos".
Rose já adiantou, na entrevista (veja a íntegra no fim do texto), como a sigla deve se posicionar em alguns municípios.
Rose de Freitas como deputada constituinte
Rose de Freitas como deputada constituinte, trabalho que deu origem à Constituição de 1988 Crédito: Foto: CEDI/Câmara dos Deputados
O MDB capixaba, após brigas entre grupos internos – como a disputa entre Lelo Coimbra e Marcelino Fraga pela presidência estadual – ficou estilhaçado. 
Sobraram críticas entre integrantes do partido, principalmente os ligados a Lelo, que a responsabilizam pelo desempenho pífio da legenda no último pleito.
É preciso frisar que a senadora encontrou o partido em mau estado. Na eleição de 2020 a sigla já não conseguiu emplacar nenhum vereador nas Câmaras da Grande Vitória.
Mas foi na gestão dela que a legenda passou a respirar por aparelhos.
O MDB já teve o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung, e sete deputados estaduais. Até 2018, tinha um federal, Lelo.
A partir de 1º de fevereiro de 2023, não vai ter ninguém na Assembleia, ninguém na Câmara dos Deputados eleito pelo Espírito Santo, e ninguém entre os três senadores representantes do estado.
O partido integra a base aliada do governador Renato Casagrande (PSB), que apoiou a reeleição de Rose. 
Só que não está presente no primeiro escalão da gestão estadual. O secretário de Justiça, André Garcia, é filiado ao MDB, mas não foi uma indicação partidária. Além do mais, já disse que vai pedir para sair da sigla.
Confira a entrevista de Rose de Freitas à coluna:
Se a CPI para apurar as responsabilidades pelos atos antidemocráticos do dia 8 de janeiro for instalada, a senhora não vai mais estar no Senado, mas apoia a comissão, proposta pela senadora Soraya Thronicke (União Brasil)?
Tem meu nome (entre as assinaturas de apoio que constam no requerimento, apesar de a assessoria de Soraya Thronicke dizer que na relação mais recente, formada por 47 nomes, o de Rose não aparece). 
Sou a favor da CPI, apesar de o Lula ser contra. Ele sabe que uma CPI atrapalha muito o funcionamento da Casa, mas, por vezes, é necessária. O que aconteceu foi muito grave. Não pode ficar nada para trás.
O que a senhora vai fazer a partir de 1º de fevereiro de 2023?
Vou ficar com meu filho, que não vejo há cinco anos, passar ao menos uns dois meses com ele, matar a saudades da família. Sempre priorizei o trabalho.
Meu filho mora há 24 anos no Canadá e chegou há pouco a Vitória.
Depois, não sei. Ouvi de algumas pessoas "não recuse convites".
Tem alguns convites que eu já declinei. Não posso sair imediatamente do mandato e começar um novo trabalho. Preciso me preparar.
Há propostas em relação à política nacional que vou analisar.
Quais propostas?
Prefiro não falar agora. 
Mas tem os convites que eu já recusei. O Rodrigo Pacheco (presidente do Senado) me chamou para atuar na coordenação de projetos. Seria para discutir projetos que chegam à presidência antes de eles irem para as comissões.
Tem um conselho e eu estaria nesse conselho. Mas preferi fazer outras coisas, que já estou fazendo.
Por exemplo?
Preparei o orçamento (da União) deste ano e consegui, sem ser por meio de emenda, liberar verba para comprar máquinas para o Espírito Santo. Uma verba que seria perdida.
Quero olhar o orçamento. Tem uns R$ 80 milhões que devem ser aplicados nos municípios do Espírito Santo e quero acompanhar isso para que o dinheiro não seja perdido. Quero ajudar os municípios.
O MDB está no Ministério das Cidades – o ministro é Jader Filho, filiado ao partido – e Simone (Tebet) está no Planejamento. 
Aliás, a Simone me convidou para estar junto com ela (no ministério), mas não quero mexer no orçamento. Isso eu posso fazer de fora (do governo). 
Compromisso com o estado eu tenho desde 1982. 
Vou estar envolvida com essas coisas. Tem os Ifes, as universidades, o Contorno do Mestre Álvaro e a área da saúde. É preciso equipar os hospitais.
Mas como seria esse trabalho, sem ocupar um cargo público?
Vou continuar trabalhando, voluntariamente. 
E no governo Casagrande, a senhora não vai atuar?
Conversamos na semana passada (Rose e o governador Renato Casagrande). Falei que tenho essa pauta de assistir os projetos que aprovei. 
O governador sabe que vou ajudar, até por uma questão de amizade. Temos uma boa parceria.
E o MDB, que a senhora preside no estado, como fica?
Esse é meu grande trabalho. Em alguns municípios estamos refazendo (os diretórios municipais). Vou me dedicar a isso.
Nacionalmente, o partido está tendo uma boa integração com o governo Lula.
O que a gente puder demandar o MDB para ajudar o Espírito Santo, vamos demandar.
Minha bandeira é municipalista até morrer.
E as eleições de 2024?
O MDB vai participar ativamente em todos os municípios em que for possível, com propostas e bons candidatos. 
"Em Cariacica, não tem como não apoiar o Euclério (prefeito da cidade e, até agora, filiado ao União Brasil), que está fazendo uma excelente administração. Vamos caminhar juntos"
Rose de Freitas  - Senadora da República e presidente do MDB no Espírito Santo
Em Vitória, o MDB tem que ter um diretório forte. Não pode ser um apêndice de um projeto, sem participação efetiva. 
O partido vai ter uma nova vida. Não temos vereador na Grande Vitória e temos que ter.
Muitas pessoas saíram do MDB (Doutor Hércules, Luzia Toledo, Marcelino Fraga, só para citar alguns), mas o Lelo permaneceu. Como fica a relação com ele? 
Vamos tentar superar as dificuldades. A vida é isso.
Tudo se faz com diálogo.
É possível perceber que a senhora não desistiu mesmo da política e da vida pública.
Já militei em partidos que eram clandestinos, fui da juventude do MDB. Minha vida política foi sempre na militância da organização partidária.
Outro dia ouvi um jogador de futebol dizendo que ia parar, que era a última partida dele. Depois vi esse jogador como técnico.
Compromisso de vida a gente não desiste. Nunca vou deixar de ter compromisso político. O Espírito Santo é uma luta permanente.
Vai ser candidata mais uma vez a algum cargo?
Ah, não sei te responder. Recebi 747.104 votos (em outubro de 2022, na corrida pelo Senado, ficando em segundo lugar).
Isso quer dizer que muitas pessoas apoiam a minha luta.
Eu perdi e vou dizer "dane-se?" Não. No que eu puder ser útil, serei útil.
Quais motivos, na avaliação da senhora, levaram à sua derrota nas urnas?
A eleição nacional se deu com diferença de 2 milhões de votos, mesmo com toda a visibilidade (Lula teve 2,1 milhões de votos a mais que Jair Bolsonaro no segundo turno da disputa pela Presidência da República).
Havia uma luta fratricida entre Lula e Bolsonaro e as pessoas achavam que tinha que votar de cabo a rabo "nesse número aqui".
Ficou aquele negócio de esquerda e direita. E a questão do Espírito Santo não tem essa dicotomia. 
Tem que melhorar a educação, aumentar a produção na agricultura ...Foi uma eleição apertada, como a nacional, mas o Lula ganhou.
Não levo sentimento de culpa porque eu trabalhei. 
A eleição foi de radicalismo. 
Quem estava com Bolsonaro não podia voltar em mim (o candidato do então presidente da República no Espírito Santo ao Senado era Magno Malta), mas 747 mil pessoas votaram e isso foi um gesto de muita confiança.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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