Euclério vai sair do União Brasil, que vive risco de nova debandada
No ES
Euclério vai sair do União Brasil, que vive risco de nova debandada
Prefeito de Cariacica diz que o presidente da legenda no ES, Felipe Rigoni, "quer o partido só para ele". Denninho, deputado estadual eleito, também já está de malas prontas
Euclério Sampaio, prefeito de CariacicaCrédito: Vitor Jubini
O prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio, está decidido: vai sair do União Brasil, que, no Espírito Santo, é presidido pelo deputado federal Felipe Rigoni. A causa da saída é justamente o líder estadual. Euclério alega que Rigoni "não conversa com ninguém" e que o partido nem se reúne.
O deputado ingressou no União em dezembro de 2021, após sair do PSB. E assumiu a presidência estadual da legenda em março de 2022. Chegou a lançar-se pré-candidato ao governo do Espírito Santo, mas disputou mesmo a reeleição, empreitada na qual não obteve sucesso, apesar da votação expressiva.
"Eu sou o prefeito da terceira maior cidade do estado e não sou nem faxineiro no União Brasil", queixa-se Euclério. "Eu montei a chapa de estadual, elegemos dois deputados estaduais. Ele (Rigoni) montou a de federal e não elegemos ninguém. É uma boa pessoa, mas não conversa com ninguém", resumiu o prefeito.
"Ele está enrolando há quatro meses para marcar uma reunião. Não sei se quer destruir o partido e não posso ficar nessa insegurança. Se ele quiser ficar com o partido só para ele, que fique", disparou Euclério.
Ele não definiu a qual partido se filiar, afirmou apenas que deve ser um de centro-direita.
E o prefeito não deve sair sozinho. O vereador de Vitória Denninho Silva, eleito deputado estadual, afirmou à coluna que vai "fazer de tudo para sair".
Ele é primo de Euclério. "O diálogo com Rigoni é zero, não atende ninguém. Então a chance de eu ficar é zero, vou fazer de tudo para sair, vou à Justiça", afirmou.
O prefeito pode trocar de partido a qualquer momento, pois não é alcançado pelas regras de fidelidade partidária.
Um deputado estadual, cargo que Denninho vai ocupar a partir de 1º de fevereiro, entretanto, precisaria esperar a janela partidária, aberta apenas em ano eleitoral, para migrar. Ou alegar justa causa e obter o aval da Justiça Eleitoral para sair antes.
"Se o Rigoni vendeu o partido contando com os deputados, eu não estou com ele", disparou o vereador.
Euclério diz que deve levar outros aliados consigo. Em Cariacica, o União tem cinco vereadores. "Ainda não conversei com eles, mas eles me seguem, a maioria deve sair do União", aposta o prefeito.
Euclério e Denninho, apesar de detentores de mandato, não têm postos de direção no partido. Questionados, disseram não saber quem ocupa a vice-presidência e a secretaria-geral da legenda no estado. "São assessores dele (Rigoni)", resumiu o prefeito.
O União não tem um diretório estadual eleito e sim um órgão provisório. O site do Tribunal Superior Eleitoral exibe os nomes dos membros desse grupo diretivo.
Ao cruzar os dados com os do Portal da Transparência da Câmara dos Deputados, é possível verificar que ao menos a vice-presidente, a tesoureira e o secretário adjunto são servidores do gabinete de Rigoni. O secretário-geral, não.
Euclério e Denninho também são aliados do socialista e dizem que, em relação a isso, nada muda. "Mesmo quando Rigoni era pré-candidato ao governo eu já estava com Casagrande", lembrou o prefeito.
O vereador de Vitória também reforçou ser aliado do governador e disse que sua insatisfação é apenas com o União Brasil.
SEM ATRITOS
Além de Denninho, o União elegeu Bruno Resende para a Assembleia Legislativa. E ele pretende permanecer no partido.
Ao contrário dos dois outros filiados consultados pela coluna, Resende afirmou não haver dificuldades para contatar o presidente estadual.
"Tenho um bom relacionamento com Rigoni, estive com ele na semana passada, falei por telefone com ele ontem mesmo", ressaltou o deputado estadual eleito. Resende ingressou no União Brasil no ano passado a convite do deputado federal.
O QUE DIZ RIGONI
O deputado federal Felipe Rigoni, presidente do União Brasil no Espírito Santo, afirmou, na noite desta terça-feira (10), desconhecer os motivos que levam Euclério e Denninho a quererem deixar o partido:
"Eu atendo todo mundo que me liga. Se não posso atender na hora, retorno depois. E tenho bom relacionamento com Euclério e Denninho. Não entendi".
"Mas se Denninho quiser sair eu libero ele, sem problemas, não quero atrapalhar a vida de ninguém", complementou.
A PRIMEIRA DEBANDADA
Se a saída do grupo ligado a Euclério Sampaio se confirmar, esta vai ser a segunda debandada sofrida pelo União no Espírito Santo. O partido é resultado da fusão de DEM e PSL.
Quando Rigoni assumiu a presidência, já movimentando-se para disputar o governo estadual, aliados de Casagrande retiraram-se, a exemplo do hoje vice-governador Ricardo Ferraço, que voltou para o PSDB.
Todos os deputados estaduais fizeram o mesmo. Theodorico Ferraço foi para o PP. Alexandre Quintino e José Esmeraldo, para o PDT. A deputada federal Norma Ayub também migrou para o PP.
Rigoni teve que se virar nos 30 para montar a chapa de candidatos a deputado federal. Atraiu, por exemplo, o médico Gustavo Peixoto, outro que, depois, queixou-se do presidente estadual da legenda.
Foi justamente devido ao desempenho da chapa, que ficou aquém do necessário, que Rigoni não se reelegeu. Ele planejou deixar a vida pública e passar a atuar na iniciativa privada, em São Paulo.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no Gazeta Online/ CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, onde exerce a função de editora-adjunta desde 2020.