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Eleições 2022

Candidato do União Brasil dispara: "Rigoni virou dono do partido e do cofre"

Gustavo Peixoto saiu do Podemos para disputar uma vaga de deputado federal no União e diz que o presidente estadual do partido não cumpriu acordos

Publicado em 23 de Setembro de 2022 às 18:12

Públicado em 

23 set 2022 às 18:12
Letícia Gonçalves

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Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves
Gustavo Peixoto, candidato a deputado federal, em ato de campanha
Gustavo Peixoto, candidato a deputado federal, em ato de campanha Crédito: Divulgação
O médico Gustavo Peixoto filiou-se ao Podemos em janeiro deste ano. Teve a ficha abonada pelo ex-juiz Sergio Moro, que esteve em Vila Velha ainda na condição de pré-candidato à Presidência da República. Peixoto seria candidato a deputado federal pelo partido e escolheu a agremiação para seguir os passos do ex-ministro da Justiça do governo Bolsonaro.
Moro, entretanto, depois trocou o Podemos pelo União Brasil e virou candidato ao Senado no Paraná. Peixoto, mais uma vez, o seguiu. Aos quarenta e cinco do segundo tempo ingressou na nova legenda que, no Espírito Santo, é presidida pelo deputado federal Felipe Rigoni.
Àquela altura, Rigoni era pré-candidato ao governo do estado. Pouco tempo depois, Rigoni também mudou, mas não de partido e sim de cargo na disputa. Ele concorre à reeleição, assim Peixoto integra a mesma chapa que o presidente estadual do partido.
Logo quando Rigoni "desceu" para a disputa à Câmara dos Deputados a especulação já era de que isso poderia desagradar aos outros candidatos do União, que se filiaram sem saber que poderiam servir de reforço, com votos, para reeleger o deputado.
A menos de dez dias da eleição, Peixoto externou a insatisfação. Em discurso em evento de campanha na noite desta quinta-feira (22), o candidato disparou críticas pesadas contra Rigoni:
“Não serão as velhas práticas travestidas de nova política que vão me intimidar. A gente foi pra rua com cinco, seis pessoas no trio pra puxar o impeachment (da então presidente Dilma Rousseff, do PT). Então, não nos intimidarão".
"Tem gente que não cumpre nem na campanha a promessa da campanha (...) A pessoa é dona do partido, é presidente do partido, é tesoureiro, é dono do cofre e ele é candidato. Olha que conflito de interesses. Aí vem com balela de que é honesto e tem compliance", complementou Peixoto, falando à plateia. "Houve fraude".
No início da campanha, Peixoto contava apenas com R$ 250 mil que tirou do próprio bolso. O DivulgaCand, site oficial do Tribunal Superior Eleitoral para divulgação de informações sobre as candidaturas, agora registra que o candidato recebeu R$ 800 mil da direção nacional do União Brasil e outros R$ 50,8 mil do órgão estadual do partido.
Em entrevista à coluna, ele disse que o combinado com Rigoni era um repasse de R$ 1,5 milhão do fundo eleitoral, mesmo valor que o Podemos havia garantido.
"Estava combinado que já na primeira semana de campanha seriam repasados R$ 600 mil para cada um dos candidatos a deputado federal. Na primeira semana não foi depositado nada para mim. Só para quem era amigo do rei", apontou Peixoto.
"Quando o dinheiro chegou, as contas já tinham vencido. Coloquei recurso próprio, não ia deixar meu nome sujo. E tive que dispensar 100 pessoas que trabalhavam na campanha", contou.
Ele também diz que a sede estadual do União Brasil transformou-se em um comitê exclusivo de Rigoni.
A primeira queixa de Peixoto, entretanto, é o fato de Rigoni ser candidato a deputado federal: "Quando eu fui para o partido ele era candidato a governador e não ira descer para federal em hipótese alguma, ele falou isso várias vezes".
"Minha campanha começou forte, ele se sentiu ameaçado", teoriza o candidato.
JUSTIÇA ELEITORAL NO CIRCUITO
O tempo de Rigoni no horário eleitoral é bem maior que o dos outros nomes do União Brasil e supera até os de alguns postulantes ao Senado e ao governo. Peixoto acionou o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-ES) nesta sexta-feira (23) pedindo que haja mais equilíbrio nessa distribuição.
"A diferença é brutal em relação aos demais candidatos a deputado federal, é bizarro o tempo de Rigoni no horário eleitoral", criticou.
"É a velha política travestida de nova. Rigoni se transformou num velho cacique, dono do partido, dono do cofre", disparou Peixoto.
GUERINO
No evento desta quinta-feira, no palco, sentado em local de destaque, estava o ex-prefeito de Linhares Guerino Zanon (PSD), que disputa o Palácio Anchieta. O União Brasil não apoia ninguém oficialmente para o Palácio Anchieta, mas liberou os filiados para que se posicionem como acharem melhor.
A CAMPANHA DE RIGONI
"Ele (Rigoni) tinha dito que não usaria dinheiro do fundo eleitoral, porque tinha amigos banqueiros que doariam para ele, o que realmente aconteceu, mas o primeiro recurso público que chegou (para os candidatos do União Brasil) foi para ele, que não ia usar dinheiro público ...", apontou Peixoto.
Rigoni conta, ao todo, com R$ 2,2 milhões para fazer campanha. Desse valor, R$ 700 mil vieram do fundo eleitoral, via direção nacional do União Brasil. A maior parte (R$ 1,5 milhão) foi arrecadada por meio de doações de pessoas físicas. O empresário Salim Mattar, fundador da Localiza, por exemplo, doou R$ 100 mil.
PARTIDO CUMPRIU ACORDOS, DIZ UNIÃO
"O União Brasil ES teve reduzida a sua participação no fundo eleitoral, repassada pela Nacional do partido. Mesmo assim, cumpriu os acordos para garantir condições mínimas de competitividade para todos os candidatos, repassando recursos financeiros e oferecendo estrutura para gravação de programas eleitorais, mentoria de marketing digital, suporte de comunicação online e material impresso, comconfecção de logotipo e adesivos pessoais, além da gravação de um mini documentário para registrar a história da vida de cada um", diz nota enviada pela assessoria de Rigoni, assinada pela Secretaria Geral do União Brasil.
"O candidato Gustavo Peixoto obteve mais recursos partidários do que o próprio presidente do partido, Felipe Rigoni: R$ 800 mil, contra R$ 700 mil. Gustavo Peixoto tem ainda a liberdade de captar financiamento por sua própria iniciativa junto a seus apoiadores, observando a legislação eleitoral", diz ainda o texto.
Quanto ao tempo de TV, a secretaria da legenda ressaltou que "os candidatos do União Brasil, por ser este o maior partido do país, contam também com a maior fatia no horário eleitoral gratuito".

Letícia Gonçalves

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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