Quase todos os superintendentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) nos estados foram exonerados pelo ministro da Justiça, Flávio Dino. Restou apenas um, o do Piauí, Jairo Lima.
O chefe da corporação no Espírito Santo era Jean Ricardo Alves Duque. Com a saída dele, Emerson Ander Milanezi, superintendente executivo, assumiu como substituto.
Mas isso é temporário. Até que um novo titular seja nomeado. Dino tirou quase todo mundo, mas não nomeou ninguém no lugar.
A PRF está sob escrutínio político desde o segundo turno das eleições de 2022, quando a corporação realizou inspeções padrão em ônibus que transportavam passageiros no dia da votação, principalmente nos estados do Nordeste, em que o então candidato à Presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tinha a preferência do eleitorado.
A atuação dos policiais atrasou a chegada de eleitores aos locais de votação. Mas o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes, conversou no mesmo dia com o então diretor-geral da PRF, Silvinei Vasques, e avaliou que a manobra não afetou o pleito.
Vasques pediu, nas redes sociais, votos para o então presidente, Jair Bolsonaro (PL). E virou réu por improbidade administrativa. Ele também é suspeito de ter apoiado o bloqueio de rodovias federais feito por bolsonaristas nos dias seguintes à eleição de Lula.
A PRF demorou para liberar as vias. Por fim, Vasques pediu aposentadoria aos 47 anos de idade e 27 de contribuição à Previdência.
No Espírito Santo, também houve bloqueios nas rodovias que, com o tempo, foram dispersados.
"Estamos monitorando as rodovias e em contato com todos os demais órgãos. Estamos no gabinete de crise do governo do Espírito Santo", destacou Milanezi à coluna nesta quinta-feira (19).
A PRF tem ainda outra missão: apreender ônibus que foram usados para transportar golpistas que invadiram as sedes dos Três Poderes, em Brasília, no dia 8 de janeiro.
Não por acaso a devassa foi maior na PRF.
A Polícia Federal garantiu a segurança de Lula durante a posse e há mais confiança do governo na corporação que em outros órgãos, na Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e o Gabinete de Segurança Institucional (GSI). Estes dois aliás, estão sob olhares perscrutadores devido à atuação nos atos golpistas de 8 de janeiro.
Inicialmente,
Flávio Dino indicou Edmar Camata, policial rodoviário federal lotado no Espírito Santo e secretário de Controle e Transparência do governo Casagrande, como novo diretor-geral da PRF em todo o país.
Após publicações antigas de Camata nas redes sociais virem à tona, em que ele apoiava a Operação Lava Jato e a prisão de Lula,
Dino mudou de ideia e escolheu Antônio Fernando Souza Oliveira, amigo do ministro, para o cargo.