Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Atos golpistas

PF-ES: sem massa de manobra, não haveria financiamento

Superintendente Eugênio Ricas diz que quem financiou atos golpistas tem mais contas a prestar à Justiça, mas quem invadiu as sedes dos Três Poderes não pode escapar

Públicado em 

13 jan 2023 às 12:16
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Eugênio Ricas
Eugênio Ricas, delegado federal superintendente da Polícia Federal no ES Crédito: Carlos Alberto Silva
Reconduzido ao cargo pelo novo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues (por sua vez subordinado ao ministro da Justiça, Flávio Dino), o superintendente da Polícia Federal no Espírito Santo, Eugênio Ricas, participou, nesta quinta-feira (12), do anúncio da criação de um gabinete de crise no governo estadual para monitorar atos antidemocráticos. 
A PF está convidada a atuar no grupo, junto com o Ministério Público e até o Exército e a Marinha, além, claro, de secretarias do governo estadual.
A polícia já autuou dois presos em flagrante que se identificaram como integrantes do grupo que incitava "intervenção militar" (golpe), acampados em frente ao quartel do Exército na Prainha, Vila Velha.
E investigações estão em curso.
"Quem financia (os atos) tem uma responsabilidade maior, mas não dá para desconsiderar o cara que é massa de manobra, entra num Poder e rasga uma tela de Di Cavalcanti (isso ocorreu na invasão ao Palácio do Planalto). Se não tivesse essa massa de manobra, não adiantaria ter financiamento", destacou o superintendente, em conversa com a coluna no Palácio Anchieta.
"O grande desafio é individualizar as condutas e imputar responsabilidade a todo mundo", destacou.
"Mas, sem dúvida, temos um foco muito grande nos financiadores"
Eugênio Ricas - Superintendente da Polícia Federal no Espírito Santo
Vídeos que os próprios invasores das sedes dos Três Poderes, em Brasília, publicaram já vão ser um bom começo para a produção de provas. 
Já os financiadores podem surgir nos depoimentos dos presos em flagrante e no rastreio de transferências de Pix, além dos registros dos veículos utilizados para levar os golpistas à Capital federal.
Uma empresa do Espírito Santo, a pedido da Advocacia Geral da União e por ordem da Justiça Federal do Distrito Federal, já teve bens bloqueados. Ela é suspeita de patrocinar o ato que resultou em vandalismo e tentativa de golpe de Estado no último domingo (8).
CRIME FEDERAL OU ESTADUAL?
"Se é um um caso de desobediência a determinação do ministro Alexandre de Moraes, como é uma desobediência ao ministro do Supremo, isso afeta a União, então é um é um crime federal. Mas, além disso,  tem associação criminosa, tem incitação a crime tem a tentativa de abolir violentamente o Estado Democrático de Direito...", comentou Ricas ao responder a um questionamento da coluna sobre quem cuidaria das imputações aos acusados de atos golpistas. 
"Os dois flagrantes que nós fizemos (dos presos na Prainha) foram homologados pela Justiça Federal", lembrou o superintendente.
A Polícia Civil e o Ministério Público Estadual também se movimentam.
Quem saiu do Espírito Santo e cometeu crimes em Brasília vai ficar sob o escrutínio das polícias e da Justiça de lá. 
"Se eles forem condenados a uma pena de prisão, pode ser que que o juiz da execução penal os transfira para cá, mas, a princípio, o processo tramita lá porque o processo criminal ele se baseia na no local do fato e não no local do domicílio ou da residência do réu", pontuou Ricas.
Mas e quem financiou aqui a viagem para a capital do país?
"Então, ela financiou aqui. É claro que isso aí é uma questão muito jurídica, né? O juiz daqui pode se julgar incompetente, assim como o juiz de lá pode se julgar incompetente. Mas a pessoa que financiou aqui os atos de lá pode estar nesse inquérito (da PF do ES), sim", avaliou o superintendente.
O CAPITÓLIO
Ricas estava nos Estados Unidos, onde atuava como adido da Polícia Federal, em 6 de janeiro de 2021, quando apoiadores do então presidente Donald Trump invadiram o Capitólio, a sede do Legislativo daquele país.
O episódio foi similar ao que ocorreu em Brasília quase exatos dois anos depois, no último domingo (8 de janeiro).
"Todo mundo ficou muito impressionado (nos EUA). Ninguém acreditava naquilo ali porque uma reação de extrema direita extremamente violenta, muito organizada. Cinco pessoas saíram mortas lá de dentro do Congresso americano, tinha gente gritando palavra de ordem. Queriam enforcar o Mike Pence, que era o vice-presidente na época e a quem cabia dar posse ao Biden. Uma coisa uma coisa horrorosa", lembrou Ricas.
Apoiadores do presidente dos EUA, Donald Trump, escalam paredes no Capitólio dos EUA durante um protesto contra a certificação dos resultados da eleição presidencial dos EUA de 2020 pelo Congresso dos EUA, em Washington, EUA, 6 de janeiro de 2021.
Apoiadores do então presidente dos EUA, Donald Trump, escalam paredes no Capitólio em 2021 Crédito: REUTERS/Stephanie Keith/Folhapress
"Levaram um computador da Nancy Pelosi  (presidente da Câmara dos Representates) e, na época chegou-se a cogitar que isso fosse vendido para os russos. Uma coisa de uma gravidade imensa", complementou.
Ele viu tudo pela TV. E conversou depois com os vizinhos, alguns deles militares e republicanos, do mesmo partido de Trump. E todos foram unânimes ao condenar a invasão do Capitólio.
O que ocorreu em Brasília, para Ricas, tem a mesma gravidade.
"A nossa também é a mesma gravidade porque o objetivo final é o mesmo. O objetivo é derrubar a democracia, desconsiderar a vontade popular para impor um presidente que não foi eleito."
PUNIÇÕES
"Li que alguns líderes (da invasão do Capitólio) pegaram 20 anos de cadeia. Foi um trabalho de investigação do FBI e das várias polícias que tem lá. Eles foram atrás das pessoas que invadiram, mas também dos financiadores", lembrou Ricas.
Veremos como vai ser o desenrolar das investigações e das punições no Brasil.
A criação do comitê de crise, com participação e endosso de diversas instituições, foi uma demonstração de união e força de quem defende a democracia. Mas é preciso apresentar resultados.
As investigações das polícias e do MP têm que chegar aos organizadores e financiadores.. Ou vai ficar a impressão de que "a corda só arrebenta do lado mais fraco".

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no Gazeta Online/ CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, onde exerce a função de editora-adjunta desde 2020.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Preço da tilápia diminui após parceria entre produtores e peixarias no ES
Imagem de destaque
Por dentro da sala de controle da Artemis, a nova missão da Nasa à Lua
Imagem de destaque
Em imagens, a evolução da sala de controle das missões da Nasa, dos primórdios à Artemis

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados