O aparecimento de peixes mortos no rio onde muitas famílias tiram seu sustento tem preocupado moradores da comunidade quilombola Angelim II, em Itaúnas, Conceição da Barra. A suspeita da população é que o derramento de vinhaça, tipo de resíduo da cana-de-açúcar formado na produção do álcool, seja a responsável pelo problema ambiental.
O problema no Rio Angelim começou na última terça-feira (12). Vídeos compartilhados nas redes sociais mostram os animais boiando e a coloração da água alterada. O Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hidrícos (Iema) abriu investigação para verificar se houve descarte irregular e contaminação.
A Prefeitura de Conceição da Barra, cidade no Litoral Norte do Espírito Santo, informou que acionou o Iema assim que tomou conhecimento do caso. O órgão estadual disse que uma equipe do Parque Estadual de Itaúnas foi enviada ao local para realizar a avaliação inicial logo após ser notificada.
O Iema confirmou ainda que as primeiras medidas de fiscalização já foram adotadas e que a situação segue sob acompanhamento. O instituto acrescentou que novas providências serão tomadas após a conclusão do relatório sobre a extensão dos danos ambientais causados ao curso d'água.
Próximo ao local onde teve a ocorrência, atua a empresa sucroalcooleira Alcon. Apontada pelos moradores como a culpada pelo suposto vazamento, a indústria negou irregularidades. Em nota, informou que não houve ocorrências fora da normalidade em sua unidade e que convidou técnicos do Iema para verificar o funcionamento da usina em operação.
O que é a vinhaça?
É um subproduto líquido e malcheiroso gerado após a destilação do caldo de cana-de-açúcar fermentado. Embora seja usado como fertilizante na agricultura, o descarte direto em rios reduz drasticamente o oxigênio da água, o que provoca a morte imediata da fauna aquática.