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Novo governo

Edmar Camata na PRF é um aceno ao centro no governo Lula

Integrante do governo do socialista Renato Casagrande, no ES, futuro diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal é alvo de críticas por ter defendido a Operação Lava Jato

Públicado em 

21 dez 2022 às 06:21
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Secretário de Controle e Transparência Edmar Camata, futuro diretor-geral da PRF
Secretário de Controle e Transparência Edmar Camata, futuro diretor-geral da PRF Crédito: Divulgação/Secont
A frigideira empunhada por petistas e defensores mais aguerridos do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva é mais ativa que qualquer air-fryer. Nela, já fritaram a governadora do Ceará Izolda Cela (ex-PDT), que seria ministra da Educação, mas perdeu o lugar para o ex-governador Camilo Santana (PT).
Tentam fazer o mesmo com a senadora Simone Tebet (MDB-MS), peça-chave da campanha no segundo turno.
nem mesmo a futura ministra da Cultura, Margareth Menezes, escapou de um revés. Não teve autonomia para escolher quem vai ocupar a secretaria executiva do próprio ministério. Neste caso, por interferência de Rosângela da Silva, esposa de Lula.
Margareth contou com o apoio de Janja para chegar ao posto, mas, uma vez escolhida, deveria poder definir ao menos o braço-direito da pasta.
Agora, no segundo escalão, surge o nome de Edmar Camata. Policial rodoviário federal cedido ao governo do Espírito Santo, em que é secretário de Controle e Transparência, foi a opção do futuro ministro da Justiça, Flávio Dino (PSB), para chefiar a PRF em todo o país.
Camata compõe um governo de centro-esquerda, liderado pelo governador Renato Casagrande (PSB). Disputou uma vaga de deputado federal pelo partido em 2018. Desfiliou-se para assumir a Secont.
Antes de se lançar na empreitada eleitoral e na administração estadual, militou na ONG Transparência Capixaba, que pugna pelo acesso a dados públicos.
Demonstrou simpatia pelo então juiz federal Sergio Moro e pelo então coordenador da força-tarefa da Lava Jato Deltan Dallagnol. É, ou era, sim, um "lavajatista", como agora os críticos da escolha de Camata reclamam.
A história ecoou, por exemplo, no grupo de WhatsApp do Prerrogativas, que reúne advogados de réus na operação e aliados do futuro governo Lula. Isso conforme registrou a coluna da jornalista Malu Gaspar:
“Essa indicação do novo diretor geral da PRF é um desastre. O cara é admirador do Moro e do Dallagnol”, escreveu um integrante. “Um absurdo total. Está deflagrada a primeira crise”, concordou outro membro.
Os advogados Fernando Fernandes e Carol Proner, ambos do Prerrogativas, depois ressaltaram à coluna de O Globo que o grupo apoia Flávio Dino e o governo Lula. "Em uma frente ampla é natural certos desagrados. Não há uma crise, não deliberamos sobre a matéria".
O alvo mais notório da Lava Jato foi justamente Lula, que depois foi libertado da prisão e teve as condenações judiciais anuladas.
Na época, a equipe da Lava Jato em Curitiba já era alvo de críticas, mas não havia sido desmoralizada.
A Vaza Jato mostrou que a coisa era mais grave, ao revelar conversas pouco republicanas trocadas entre os procuradores e o juiz.
Por fim, Moro perdeu bastante capital político, o que foi agravado quando se juntou ao governo Bolsonaro, abandonando a magistratura.
Edmar Camata, por sua vez, chegou a cogitar disputar o Senado pelo Podemos, partido que abrigava Moro e que, em terras capixabas, é aliado de primeira hora dos socialistas.
O policial não poderia ser descrito, talvez, como um homem de esquerda, mas de centro, sim.
Logo que anunciado como futuro chefe da PRF, apareceram aqueles que são eternos, os prints.
Trata-se de registros de publicações antigas no Twitter e no Facebook em que Camata apoia a Lava Jato e aponta que seria pouco factível um complô nacional apenas para condenar um ex-presidente inocente.
"O fato, hoje, é que Lula está preso. Também estão presos Cabral, Cunha, Geddel, Vaccari, André Vargas, Henrique Alves, Palocci, Gim Argelo… todos presos. Todos inocentes? Todos sem provas? Lula não foi o primeiro. Ao contrário, sua prisão foi cercada de precauções, para muitos, desnecessárias", escreveu o PRF, em 2017.
Ele não ficou nessa toada por muito tempo. Nas eleições de 2022, não disputou nenhum cargo.
Pediu votos para a reeleição do governador Casagrande e não se manifestou publicamente sobre a corrida pela Presidência da República.
Bolsonarista não foi e não é, mas integra uma instituição que está lotada deles. E isso num estado também mais pró-Bolsonaro que a média nacional.
Tenta, assim, manter uma certa diplomacia.
A indicação de Dino passou pelo diálogo com as associações de classe da PRF.
O objetivo é que a cúpula da instituição faça o contrário do que os apoiadores mais radicais de Bolsonaro perpetraram nas rodovias federais. Não é para botar fogo em nada. É para apagar incêndios.
Não à toa, em sua primeira declaração pública após a indicação, feita à coluna nesta terça-feira, Camata mencionou várias vezes que é preciso "distensionar o ambiente" e fazer uma "pacificação", o que não significa deixar tudo como está.
Medidas adotadas pelo atual governo federal em relação à Polícia Rodoviária Federal vão ser revogadas, como a autorização por meio de portaria para que integrantes da corporação atuem bem longe das rodovias.
O curso de formação da PRF também deve ser modificado, para dar ênfase a direitos humanos, de acordo com Camata.
Posto da PRF na Serra
PRF é a polícia responsável por atuar nas rodovias federais Crédito: Fernando Madeira
Ele também já está de olho, informalmente, nas operações Natal e Ano-Novo, que cuidam da segurança nas estradas e flagrantes de possíveis crimes.
O futuro chefe da PRF, entretanto, até apagou o perfil no Twitter. Foi de lá que vieram os prints associando-o a Moro e Dallagnol.
E o cheiro de (tentativa de) fritura.
Ele criou outra conta na rede social.
"Agradeço a confiança depositada pelo Presidente @LulaOficial e Ministro @FlavioDino na condução da PRF. Acreditamos nas bases da segurança pública com cidadania e nos valores institucionais, para um Brasil melhor para as pessoas", escreveu, na noite desta terça.
Casagrande, também no Twitter, parabenizou o aliado e fez questão de complementar que Camata tem "visão progressista":
"Edmar Camata é um profissional moderno com visão progressista"
Renato Casagrande (PSB) - Governador do Espírito Santo
"Policial Rodoviário Federal de carreira, desempenhou uma importante missão à frente da Secretaria de Controle e Transparência, na defesa das instituições democráticas e do interesse público", descreveu o governador.
LULA
No caso de Izolda Cela, Lula cedeu. No de Tebet, titubeia. Certamente, vai deixar a escolha de Flávio Dino por Edmar Camata em paz. Do contrário, seria uma desmoralização do próprio Dino.
E é mais algo voltado para a gestão da própria PRF, que vai estar, de qualquer forma, sob o guarda-chuva do Ministério da Justiça.
Mas o episódio é mais uma amostra da frigideira em ação.
Estou dizendo que os governos Lula (que nem começou, de fato) e Bolsonaro são a mesma coisa ou que petistas e bolsonaristas são iguais? Não.
Quem substituiu Cela na Educação não foi um Velez Rodriguez, escolha do atual presidente em 2019 e que mais parecia ministro da Agricultura, tamanhas as abobrinhas proferidas.
O ponto aqui é que o governo Lula que começa daqui a poucos dias somente foi possível graças a uma confluência de forças, não somente da esquerda.
E não é bom sinal que toda vez que alguém que não tenha carteirinha do PT seja indicado haja tamanha grita.
O MUNDO DÁ VOLTAS
"O governo é de frente ampla. Haverá ex-lavajatistas, ex-bolsonaristas e muitos ex-nãoseioque. Tomara que sejam todos no nível dele (Camata). Daqui a pouco, E. Camata faz uma crítica ao uso político da Lava Jato, outro contraponto à atuação da PRF no governo sainte. E segue a boa política", resumiu o professor universitário e ex-secretário de Educação de Vila Velha Wallace Millis, no Twitter.
Lavajatista por lavajatista até o vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin (PSB), foi. Chegou a dizer, em 2017, que Lula queria "voltar à cena do crime" ao tentar retornar ao poder.
Hoje é um dos principais aliados do petista. 

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no Gazeta Online/ CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, onde exerce a função de editora-adjunta desde 2020.

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