Ele integra a corporação desde 2006 e há quatro anos está cedido para a administração estadual. A partir de janeiro, vai atuar em Brasília, conforme anunciou o futuro ministro da Justiça do governo Lula (PT), Flávio Dino (PSB), nesta terça-feira (20).
Camata afirmou à coluna, em primeira mão, que já bateu o martelo com o Dino sobre algumas das prioridades da PRF a partir do ano que vem:
- Distensionar o ambiente, uma vez que alguns integrantes da instituição aderiram figadalmente ao bolsonarismo, tal qual o já exonerado Silvinei Vasques, que comandava a polícia.
- Revisar o ensino, a formação dos policiais, com a volta do foco em direitos humanos, para evitar casos como o da "câmara de gás" improvisada numa viatura que matou Genivaldo de Jesus Santos, em maio, em Sergipe.
- Revogar a norma que permite a atuação da PRF em ações fora dos limites das rodovias federais. A Portaria Normativa 42/2021 foi publicada no ano passado pelo então ministro da Justiça, André Mendonça.
"A gente vai refazer toda a visão do ensino policial para voltar às bases que transformaram a PRF numa das melhores polícias do Brasil. Isso tem a ver com o policial entender o papel da PRF", adiantou Camata.
Apesar de estar fora das estradas enquanto comanda a pasta de Controle e Transparência do governo Renato Casagrande (PSB), ele seguiu como instrutor do curso de formação da PRF. Logo, manteve contato com a categoria no período.
Ironicamente, sob o governo Bolsonaro, a disciplina então lecionada por Camata, Estratégia Institucional e Governança, foi extinta.
"A atuação da PRF fora das rodovias o ministro já disse que pretende rever. Ela foi permitida a partir de portarias, um instrumento infraconstitucional", ressaltou.
"A PRF não vai deixar de ajudar outras polícias, mas não por meio de um instrumento que dá insegurança para o policial e para a população"
Edmar Camata - Futuro diretor-geral da PRF
O futuro chefe da PRF não tem filiação partidária, mas foi candidato a deputado federal pelo PSB em 2018.
Ele disse à coluna que o contato com Dino, que resultou em uma "entrevista de emprego com duração de uma hora e meia" em Brasília, deu-se não apenas pela questão partidária, mas devido ao contato com entidades de classe,
"Fiz um diálogo com o sindicato e com a federação. O caminho é o de buscar um diálogo de pacificação, de diminuição de radicalismos e de entregas para os policiais e para a instituição", afirmou, à coluna.
Quanto à atuação da PRF no dia da votação do segundo turno, em que abordagens foram feitas a ônibus em locais em que havia maior propensão à vitória de Lula, e à suposta falta de ação da polícia frente a bolsonaristas que interditaram rodovias, Camata pontuou que são situações já em investigação por parte do Ministério Público Federal.
O futuro diretor-geral é formado em Direito pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e mestre em Políticas Anticorrupção pela Universidade de Salamanca, na Espanha. Também tem MBA em Gestão Integrada em Segurança Pública.
O governador parabenizou, no Twitter, o aliado. Agora, já se sabe que Casagrande vai ter que encontrar um novo nome para a Secont.
Parabenizo o Secretário de Controle e Transparência, Edmar Camata, pela indicação ao cargo de Diretor-Geral da Polícia Rodoviária Federal. Agradecemos seu trabalho desenvolvido no ES e desejamos muito sucesso em sua nova jornada.
Talvez algumas pessoas estejam recorrendo ao Google para saber quem é Edmar Camata devido ao anúncio, em vídeo e ao vivo, feito por Flávio Dino.
Uma das sugestões de busca é "Edmar Camata é filho de quem?". Talvez a dúvida surja pela lembrança do ex-governador Gerson Camata (MDB), morto em 2018.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no Gazeta Online/ CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, onde exerce a função de editora-adjunta desde 2020.