Felipe Rigoni, deputado federalCrédito: Carlos Alberto Silva
Deputado federal não reeleito, Felipe Rigoni (União Brasil) é cotado há tempos para integrar o governo Renato Casagrande (PSB). Se meses atrás ele ensaiava disputar o Palácio Anchieta contra o socialista, no segundo turno tudo mudou.
Rigoni foi candidato à reeleição, obteve uma votação respeitável, mas o desempenho dos demais candidatos do partido inviabilizou a vitória nas urnas. Quem montou a chapa foi o próprio Rigoni, presidente estadual do União Brasil.
Quando, no páreo para o governo, restaram apenas Casagrande e Manato (PL), Rigoni optou veementemente pelo primeiro, com críticas ácidas e ataques ao candidato do PL. Assim, a reaproximação com o socialista ficou evidente.
O nome de Rigoni passou a ser citado como o mais provável para comandar a Secretaria de Ciência e Tecnologia, recriada após ser desmembrada da supersecretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação, Educação Profissional e Desenvolvimento Econômico.
É uma área com a qual o deputado tem afinidade. Tem gente que gostaria que o futuro ex-parlamentar fosse abrigado na Secretaria de Educação, mas uma pessoa próxima a Rigoni diz que o deputado acha a pasta muito enredada em burocracia e demandas sindicais.
Há alguns dias, entretanto, outra possibilidade surgiu no radar. Rigoni poderia não ir para o governo de Casagrande e sim para o de Tarcísio de Freitas (Republicanos), o bolsonarista carioca eleito para comandar o estado de São Paulo.
A coluna avaliou que esse movimento não faria muito sentido. Se o objetivo do deputado federal é um dia ser chefe do Executivo do Espírito Santo ou ao menos seguir disputando eleições em território capixaba, por que iria para São Paulo? Os possíveis eleitores dele não estão lá.
Mas, se não tem nada a ver, por que Rigoni não desmente? O deputado está "mergulhado", não atende a coluna e nem concede entrevistas.
Questionado a respeito de seu futuro, respondeu, na segunda-feira (18), apenas o seguinte: "Nada decidido".
Mas integrar o governo de São Paulo é uma possibilidade? A coluna insistiu. Silêncio.
Um político do Espírito Santo que acompanha as movimentações nos bastidores afirma que o convite por parte do futuro governador do estado vizinho foi feito. Só não sabe dizer qual cargo Rigoni ocuparia lá, caso aceitasse.
"Ele sumiu, tem duas semanas que não se consegue falar com ele", comenta a fonte.
Assim, o que antes a coluna considerava uma especulação improvável agora virou uma incógnita.
Rigoni é o primeiro cego eleito deputado federal no país. É jovem, tem 31 anos, e um perfil de centro-direita.
Tentou dar um passo maior que a perna com a pré-candidatura ao governo, prenunciando o fim da era de 20 anos em que Paulo Hartung e Casagrande se revezam no poder estadual.
Manato quase conseguiu quebrar esse ciclo. Alegando risco de retrocesso, o deputado passou para o time casagrandista.
Apesar do contratempo, como já lembrado aqui, Rigoni é jovem e, seja qual for o plano, deve ter tempo para aplicá-lo.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no Gazeta Online/ CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, onde exerce a função de editora-adjunta desde 2020.