Rigoni pede votos para Casagrande e diz que "não podemos voltar à era do crime organizado"
Eleições 2022
Rigoni pede votos para Casagrande e diz que "não podemos voltar à era do crime organizado"
Governador do ES tenta a reeleição, no segundo turno, contra Manato (PL). Deputado do União Brasil afirmou que Manato foi demitido do governo Bolsonaro "por incompetência" e integrou a Scuderie Le Cocq
O parlamentar disparou críticas veementes ao candidato do PL.
"Vivemos uma ameaça real de retrocesso e não podemos deixar que isso aconteça. É por isso que, no segundo turno, estarei ao lado do governador Renato Casagrande", afirmou, em vídeo.
Rigoni alcançou 63.362 votos na busca pela reeleição, uma marca respeitável, apesar de menor que a que cravou em 2018 (84.405).
O parlamentar do União Brasil somente não foi reconduzido à Câmara devido ao desempenho da chapa de candidatos a deputado federal do partido, que ficou aquém do necessário.
"Eu sempre falei que Paulo (Hartung) e Renato (Casagrande) cumpriram tarefas importantes para o Espírito Santo e que, se fosse para ter uma mudança, teria de ser uma mudança com segurança, o que Manato está longe de ser", continuou Rigoni, no vídeo de apoio ao atual governador.
"Além disso, Manato fazia parte da Scuderie Le Cocq, que era o principal grupo de extermínio do Espírito Santo nos anos 90. Foram registradas mais de 1,5 mil mortes realizadas por este grupo aqui no nosso estado. O próprio Manato já confirmou ter participado, numa reportagem exibida pela imprensa", relembrou Rigoni.
"Ele (Manato) está longe de ser um exemplo de político e de cristão, como ele mesmo tanto diz. Nós não podemos voltar para a era do crime organizado, que assombrou o Espírito Santo até os anos 2000. Pessoas morreram, o desemprego estava nas alturas, o Espírito Santo era uma bagunça, com salários atrasados, o Estado inchado e tantos outros problemas", prosseguiu.
"Se você não apoia o atual governador, eu peço que vote nele para que esse tempo não volte para o nosso estado e pela confiança que você tem em mim", reforçou o deputado.
Rigoni também diz que vai "cobrar ativamente" o governador. "E parte das nossas ideias serão incorporadas no plano de governo, como o avanço na liberdade econômica", garantiu.
O deputado do União Brasil é de centro-direita. Fala diretamente, portanto, aos eleitores desse espectro político.
MANATO: "LAMENTÁVEL QUE QUEM CRITICOU O GOVERNO SE PRESTE A ISSO"
Manato foi procurado pela reportagem de A Gazeta para repercutir o vídeo de Rigoni. Pouco depois da publicação da coluna, entrou no ar a resposta do candidato do PL, que registro também aqui.
Quanto à Le Cocq, admitiu que fez parte do grupo, por ter integrado uma organização filantrópica antes. Mas ressaltou que não teve participação no crime organizado no estado. "Nunca teve qualquer denúncia contra mim (...) a instituição acabou na década de 90 porque tinha pessoas de má índole. Nunca participei de nada, não tenho arma, nunca dei um tiro".
Uma curiosidade é que Manato encaminhou à reportagem um plano de divulgação do vídeo de Rigoni que, segundo ele, vazou da campanha de Casagrande. Entre os passos previstos no plano estava "mobilizar as lideranças e a militância para engajar no vídeo, comentando com críticas ao Manato, apoiando a declaração do Rigoni e declarando voto no Casão".
Assim que o link da coluna foi postado no Twitter de A Gazeta, coincidentemente ou não, foi exatamente isso que aconteceu. Basta ver os comentários no post.
Praticamente ao mesmo tempo, a conta oficial de Casagrande no Twitter publicou o seguinte:
"(A maioria dos capixabas) não quer a turma do atraso, nem a volta do crime organizado ocupando cargos públicos. Os capixabas merecem o melhor, mas para assegurar isso vamos precisar do empenho de vocês. A ameaça do retrocesso, da violência e do crime precisa ser definitivamente derrotada no dia 30".
ERICK MUSSO E RIGONI
O presidente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo, Erick Musso (Republicanos), e Rigoni ensaiaram disputar o governo do estado, mas, diante das poucas chances de vitória, desistiram. Erick tentou o cargo de senador. Ficou em terceiro lugar, com 337.642 votos.
Rigoni e Erick foram parceiros no pleito, com os respectivos partidos coligados apenas para o Senado, sem apoiar ninguém para o Palácio Anchieta no primeiro turno.
Foi bom para o candidato do Republicanos, que recebeu R$ 1,8 milhão do União para fazer campanha. Não se sabe o que Rigoni ganhou com isso, mas enfim.
A partir de 2023, os dois vão ficar sem mandato.
Erick e Rigoni não saíram "maiores" do pleito. Ao contrário. O discurso de renovação do presidente da Assembleia não empolgou e a divisão de votos entre ele Rose de Freitas (MDB) ainda ajudou a eleição de Magno Malta (PL).
Já o deputado federal perdeu capital político, como mostra a comparação entre as votações que recebeu em 2018 e 2022.
Os dois, entretanto, podem ser cabos eleitorais. Ganharam visibilidade durante a campanha e receberam uma votação que não é desprezível. Além disso, toda ajuda (ou quase toda) é bem-vinda para quem está em busca de votos.
Em 2018, Rigoni se elegeu pelo PSB, partido ao qual se filiou, mesmo sem ser de centro-esquerda, que é o perfil da sigla, devido à proximidade com o socialista.
Quando o deputado decidiu buscar tomar a cadeira de Casagrande, obviamente, os dois se afastaram. Na pré-campanha, Rigoni fez críticas à gestão estadual, mas também reconheceu avanços que creditou ao governador e ao ex-chefe do Executivo estadual Paulo Hartung.
Agora, fica evidente que, se não há aproximação, ao menos há posicionamento.
ERICK NÃO DECLAROU APOIO, POR ENQUANTO
Erick Musso, por sua vez, ainda não se manifestou sobre quem e se pretende apoiar alguém no segundo turno. Foi procurado pela coluna. Em resposta, silêncio.
No Instagram, logo após o resultado da eleição, ele registrou que "essa caminhada não termina aqui".
"Foi apenas mais uma etapa de um jovem de 35 anos que tem a convicção de que renovou suas forças para continuar a fazer política com P maiúsculo".
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.