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Eleições 2022

Mais à direita ou à esquerda? Veja como ficou a Assembleia do ES

Entre os deputados estaduais reeleitos, alguns aumentaram o capital eleitoral. Outros, retrocederam

Publicado em 05 de Outubro de 2022 às 02:10

Públicado em 

05 out 2022 às 02:10
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Eleições 2022  - Assembleia Legislativa
Assembleia Legislativa do Espírito Santo é formada por 30 deputados estaduais Crédito: Geraldo Neto
Dos 30 deputados estaduais, eleitos ou reeleitos, que vão compor a Assembleia Legislativa do Espírito Santo a partir de fevereiro de 2023, 21 são filiados a partidos de direita ou centro-direita.
Hoje, são 19, considerando não os eleitos em 2018, mas a configuração após a janela partidária, em que alguns parlamentares trocaram de sigla.
Ou seja, ideologicamente, não houve uma mudança drástica no Legislativo estadual.
Antes que o leitor se insurja, sim, o fato de um parlamentar ser filiado a um partido não significa que ele siga fielmente o estatuto da legenda ou os ditames dos caciques da sigla. E, também, sim, há tons de cinza nessa análise.
Vamos a situações mais concretas.
Deputado estadual Capitão Assumção
Deputado estadual Capitão Assumção (PL) Crédito: Ana Salles/Ales
O PL, que é do Centrão, mas ganhou contornos de direita com a chegada do presidente Jair Bolsonaro e aliados, conquistou o maior número de cadeiras na Assembleia Legislativa do Espírito Santo, cinco.
O segundo deputado estadual mais votado foi Capitão Assumção, integrante da sigla. Em 2018, ele obteve 27.744 votos. Em 2022, esse número saltou para 98.669.
Assumção foi reeleito e transformou-se, assim, em puxador de votos. Ajudou a garantir uma vaga para Zé Preto (PL), que foi a escolha de 15.901 eleitores.
É fato que o partido e, em especial, Assumção, saíram fortalecidos. O deputado é um dos que mais encarna o bolsonarismo no estado.
Em 2018, o parlamentar disputou pelo PSL, assim como Danilo Bahiense. Os dois migraram de partido e já eram representantes do PL na Assembleia antes do último pleito. A sigla, entretanto, elegeu mais três deputados estaduais (Lucas Polese, Callegari e Zé Preto).
REPUBLICANOS
O campeão de votos, com 138.523, foi o ex-prefeito de Colatina Sérgio Meneguelli, do Republicanos.
Como a coluna já mostrou, graças ao desempenho dele, a legenda, que se apresenta como "o verdadeiro partido conservador do Brasil", vai contar não mais com dois, mas com quatro deputados estaduais.
Entre eles está o Bispo Alves, da Igreja Universal do Reino de Deus, que foi deputado estadual no Rio de Janeiro e está no Espírito Santo desde 2021.
Hudson Leal e Alcântaro completam o quadro.
Hudson seria reeleito mesmo se Meneguelli não disputasse o cargo de deputado estadual pelo Republicanos, mas o capital político dele encolheu.
Recebeu 30.632 votos em 2018. Agora, foram 20.804.
PODEMOS
Deputado estadual Marcelo Santos (Podemos)
Deputado estadual Marcelo Santos (Podemos) Crédito: Ellen Campanharo/Ales
O Podemos, que tinha apenas Marcelo Santos como representante na Assembleia, vai passar a ter ele e mais dois (Lucas Scaramussa e Allan Ferreira).
Trata-se de uma agremiação de centro-direita, basta lembrar que o ex-juiz Sérgio Moro quase foi candidato ao Palácio do Planalto quando filiado à sigla.
Aqui vale um adendo. Marcelo foi eleito, em 2018, pelo PDT, depois mudou. Naquele ano, recebeu 19.595 votos. Agora, alcançou 41.627.
O parlamentar é um veterano, está indo para o sexto mandato na Assembleia. E já disse que vai ser o último na Casa.
O capital político dele poderia ter se diluído com o tempo, mas não. Ocorreu o contrário.
Marcelo nunca foi entusiasta de Moro é um fiel aliado do governador Renato Casagrande (PSB).
UNIÃO BRASIL
O União Brasil (resultado da fusão de PSL e DEM), portanto, de direita, vai contar com duas cadeiras na Assembleia.
O partido chegou a ter quatro integrantes na Casa, mas eles debandaram na janela partidária. Hoje, o União não tem ninguém lá.
Entre os que vão compor o quadro em 2023 está o vereador de Vitória Denninho, que contou com o apoio do prefeito da Capital, Lorenzo Pazolini (Republicanos), na eleição.
O outro é Doutor Bruno Resende.
Vale uma observação aqui. Denninho foi o vereador mais votado de Vitória em 2020, eleito pelo Cidadania, com 7.213 votos.
Para a Assembleia, foi escolhido por 25.986 eleitores.
Já Resende alcançou 31.897.
PSDB
O PSDB hoje tem quatro deputados estaduais. Vai ficar com dois. O deputado estadual mais votado em 2018 foi Sergio Majeski, que obteve 47.015 votos. Ele foi eleito, na época, pelo PSB, mas migrou para o ninho tucano.
Desta vez, tentou uma vaga na Câmara dos Deputados e não foi eleito. O pastor Marcus Mansur, outro tucano, não foi reeleito para a Assembleia, assim como Emílio Mameri.
Vandinho Leite, presidente estadual do partido, entretanto, não somente foi reeleito como aumentou a quantidade de votos que recebeu em comparação a 2018. Passou de 19.799 para 29.156.
O correligionário que vai fazer companhia a ele a partir de 2023 é o ex-vereador de Vitória Mazinho dos Anjos.
Estou considerando aqui o PSDB como um partido de centro-direita. Isso é passível de contestação. É uma sigla social democrata, com quadros históricos como Fernando Henrique Cardoso.
Mas vamos lembrar que o ex-governador de São Paulo João Doria e outros que copiam seu estilo também estão no ninho.
PP
O PP, partido do Centrão que está unha e carne com Bolsonaro, emplacou Raquel Lessa e Theodorico Ferraço no Legislativo estadual do Espírito Santo.
Atualmente, a sigla tem quatro parlamentares lá. Ferraço, tradicional liderança do Sul do estado, conseguiu ser reeleito. Mas pode acender o sinal amarelo.
Em 2018, filiado ao DEM, recebeu 30.576 votos. Agora, o número caiu para 20.888.
Aos 84 anos, é o mais velho entre os eleitos, considerando todos os cargos, no estado.
PATRIOTA
O Patriota, outro partido de direita, que tinha dois deputados, graças à filiação de última hora de Doutor Hércules, em abril deste ano, caiu para um.
Hércules não se reelegeu. Rafael Favatto tentou uma vaga de deputado federal, sem sucesso.
Quem vai representar o partido na Assembleia agora é Pablo Muribeca, vereador da Serra. Aquele que o TRE autorizou a usar chapéu.
PSC
Alexandre Xambinho foi eleito, em 2018, pela Rede, um partido que pode ser considerado de centro-esquerda, embora tenha figuras de diversos matizes.
Foi reeleito pelo PSC, uma sigla de direita. E aumentou seu capital eleitoral. Saltou de 12.095 votos para 20.722.
Vai ser o único filiado ao partido na Assembleia em 2023.
O deputado estadual Renzo Vasconcelos, que saiu do PP e foi para o PSC para tentar ser deputado federal, não obteve sucesso, embora tenha sido o terceiro mais votado para a Câmara no estado, escolhido por 82.276 eleitores.
PTB
Coronel Weliton também vai ser um exército de um homem só. Único integrante do PTB eleito para o Legislativo estadual.
O PTB, do ex-deputado federal Roberto Jefferson e do Padre Kelmon, passou a ser uma sigla de direita, auxiliar de Bolsonaro.
E A ESQUERDA?
O PSB, do governador Renato Casagrande, um partido de centro-esquerda, tem cinco parlamentares hoje na Assembleia, após a migração de Janete de Sá (ex-PMN) e Luciano Machado (ex-PV) para a sigla na janela partidária deste ano.
Em 2023, vai ter três. Janete foi reeleita, assim como Dary Pagung. O ex-secretário de Casagrande Tyago Hoffmann completa o time.
Janete, em 2018, foi a escolha de 20.488 eleitores. Em 2022, cresceu, foi para 25.846.
Dary, então filiado ao PRP, recebeu 14.463 votos quatro anos atrás. Também expandiu a base eleitoral, para 18.721.
Bruno Lamas e Machado ficaram para trás neste pleito. Freitas tentou ser deputado federal, mas não conseguiu.
PT
João Coser, candidato a prefeito de Vitória pelo Partido dos Trabalhadores no debate promovido pelo site A Gazeta e pela rádio CBN
Deputado estadual eleito João Coser (PT) Crédito: Vitor Jubini
O PT ganhou um reforço. Hoje, conta apenas com Iriny Lopes. Ano que vem, ao lado dela vai estar o ex-prefeito de Vitória João Coser. Ele foi o terceiro mais votado para a Assembleia, com 58.279 votos.
Iriny também pode comemorar. Aumentou os votos de 18.349 em 2018 para 36.720 em 2022.
PDT
O PDT tem quatro deputados estaduais. Dois deles graças à debandada no União Brasil – Alexandre Quintino e José Esmeraldo se abrigaram entre os pedetistas. Adilson Espíndula saiu do PTB e foi para lá também.
A partir de 2023, a sigla vai ter apenas dois, Esmeraldo e Espíndula, que se reelegeram. Este praticamente dobrou o número de votos de 2018 pra cá, saltou de 11.635 para 22.278.
Esmeraldo ficou quase na mesma: 19.835 em 2018 contra 20.219 em 2022.
Quintino e Luiz Durão não se reelegeram.
CIDADANIA
O Cidadania, outra sigla de centro-esquerda, não avançou, mas também não retrocedeu em número de cadeiras. O presidente estadual do partido, Fabrício Gandini, foi reeleito.
Mas com menos votos. Em 2018, também pelo Cidadania, foi a escolha de 20.170 eleitores. Agora, de 16.948.
PSOL
Camila Valadão
Camila Valadão Crédito: Suellen Suzano
O PSOL alcançou um feito histórico. Na verdade, dois. Elegeu pela primeira vez alguém para a Assembleia. Brice Bragato chegou a exercer mandato pela sigla na Casa, mas foi eleita pelo PT.
Camila Valadão, vereadora de Vitória pelo PSol, recebeu, desta vez, 52.221 votos. A maior votação destinada a uma mulher para o Legislativo estadual.
O partido vai ter apenas ela como representante. Mas com uma forte carga simbólica.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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