Este é um espaço para falar de Política: notícias, opiniões, bastidores, principalmente do que ocorre no Espírito Santo. A colunista ingressou na Rede Gazeta em 2006, atuou na Rádio CBN Vitória/Gazeta Online e migrou para a editoria de Política de A Gazeta em 2012, em que trabalhou como repórter e editora-adjunta

O que não foi dito pelos candidatos ao governo do ES

Perguntas sem resposta foram deixadas no ar no último debate realizado antes das eleições de 2022

Vitória
Publicado em 29/09/2022 às 15h53
Atualizado em 30/09/2022 às 09h28
Debate CBN A Gazeta com os candidatos ao Governo de ES
Guerino Zanon, Audifax Barcelos, Aridelmo Teixeira, Renato Casagrande e Carlos Manato em debate realizado pela Rádio CBN Vitória e por A Gazeta. Crédito: Fernando Madeira

O último debate entre os candidatos ao governo do Espírito Santo antes das eleições de 2022 foi realizado nesta quinta-feira (29) por A Gazeta e pela Rádio CBN Vitória.

A tônica foi similar à que ficou nítida no embate transmitido pela TV Gazeta, na terça (27), a estratégia do "todos contra um". O alvo foi Renato Casagrande (PSB), candidato à reeleição.

Mas, desta vez, as coisas que os candidatos não responderam falaram mais alto.

O governador se esquivou das perguntas dos adversários, deixando várias delas sem respostas. O teor dos questionamentos foi mais de crítica do que de indagação.

O socialista permaneceu sisudo durante todo o tempo.

Os adversários dele conversaram amigavelmente entre si nos intervalos. Alguns até cochicharam uns com os outros.

Após a publicação da coluna, Manato (PL) entrou em contato para reforçar que não estava entre esses. "Não cochichei com ninguém. Estava do lado do governador, como eu ia cochichar com alguém? Fiquei quietinho no meu canto".

Já na primeira pergunta do primeiro bloco do debate, Audifax Barcelos (Rede) partiu para o ataque e questionou Casagrande sobre o fechamento do comércio durante a pandemia de Covid-19 e apontou "incompetência" da gestão estadual.

O governador defendeu as medidas adotadas para conter o coronavírus e chamou o ex-prefeito da Serra de "negacionista", pecha que o redista rechaçou.

Via de regra, as críticas feitas durante a campanha foram repetidas: que o governo "guardou dinheiro" e "está cheio de dinheiro".

Manato apontou falta de critérios técnicos para a nomeação da equipe de governo.

"Se você perder a eleição e for amigo do governador, você vira diretor do Detran", exemplificou.

Givaldo Vieira (hoje filiado ao PSB), que disputou, sem sucesso, uma vaga na Câmara dos Deputados em 2018, foi nomeado diretor-geral do Departamento Estadual de Trânsito do Espírito Santo por Casagrande em 2019.

Givaldo foi vice do socialista quando este comandou o Palácio Anchieta de 2011 a 2014.

Audifax, Manato, Guerino Zanon (PSD) e Aridelmo Teixeira (Novo) usaram as perguntas feitas uns aos outros para atacar o socialista. Apenas levantavam a bola para o outro cortar.

Casagrande, por sua vez, criticou as gestões de Audifax na Serra e de Guerino, em Linhares.

Aliás, neste ponto Aridelmo lembrou de uma afirmação, realmente, infeliz de Casagrande feita no debate da TV Gazeta.

Provocado sobre o tema "moradores de rua" – na verdade o correto é "pessoas em situação de rua" –, o governador quis ironizar Guerino e afirmou que em Linhares "não tem nem rodoviária para abrigar os moradores de rua".

"Casagrande sugeriu como solução o senhor construir uma rodoviária para abrigar os moradores de rua. Isso é solução?", perguntou Aridelmo a Guerino, nesta quinta-feira.

"Vamos dar abrigo, mas não em rodoviária", respondeu o ex-prefeito de Linhares, que aproveitou para dizer que "o governador fez pacto com as elites para políticas para dar dinheiro para eles em ano de eleição".

O QUE ELES NÃO DISSERAM (OU NÃO SABEM)

No segundo bloco do debate, jornalistas de A Gazeta questionaram os candidatos.

Então foi revelado que Aridelmo, por exemplo, desconhece o preço da passagem do Transcol e o valor do pedágio da Terceira Ponte.

Ele foi questionado sobre propostas para mobilidade urbana pelo colunista Leonel Ximenes, e também sobre as cifras, mas não soube responder.

Em tempo: a passagem do Transcol custa R$ 4,20. A tarifa do pedágio, R$ 2,40.

Aridelmo é o candidato mais rico entre os postulantes ao governo do Espírito Santo. Declarou um patrimônio de R$ 29,8 milhões.

Questionado pelo colunista Rafael Braz sobre o que faria, se eleito governador, para garantir a segurança da população LGBTQIA+, frente ao aumento da violência contra esse grupo social, Guerino, que se apresenta como conservador e bolsonarista, mostrou pouco preparo para o tema.

O ex-prefeito de Linhares afirmou, genericamente, que "tudo está incluso" em seu plano de governo, que respeita "os diferentes" e tratou orientação sexual como "opção".

Debate CBN A Gazeta com os candidatos ao Governo de ES
Guerino Zanon e Audifax Barcelos conversam durante intervalo do debate. Crédito: Fernando Madeira

Audifax foi questionado por mim sobre a proposta de criar um aplicativo de transporte e delivery para concorrer com Uber e Ifood, se seria um "Ifood estatal". Respondeu que "isso poder ser gerido pelo estado ou a gente procurar um parceiro".

Mas o que chamou a atenção foi que o ex-prefeito da Serra diz o tempo todo que é gestor e que está sobrando dinheiro nos cofres do governo estadual. "Eu sei fazer", repete.

A coluna quis saber, então, se ele calculou quanto vão custar as propostas ou promessas que tem feito, como dobrar o número de escolas em tempo integral e criar a farmácia capixaba, para dar remédio de graça. E de onde sairia o dinheiro.

Audifax não falou o número. Limitou-se a dizer, novamente, que o governo tem R$ 6 bilhões em caixa, que "já viraram R$ 7 bilhões". A reportagem de A Gazeta já mostrou que não é bem assim.

Manato se apresenta como liberal na economia e prega a desburocratização para ajudar os empresários no estado. Foi lembrado, entretanto, pelo colunista Abdo Filho que, em 2017, quando deputado federal, votou contra a reforma trabalhista.

Manato admitiu que assim o fez, mas apenas por pressão do partido. Não mencionou que, na época, era filiado ao Solidariedade, de Paulinho da Força.

Casagrande, por sua vez, foi genérico e pouco assertivo ao falar sobre medidas para conter a evasão escolar.

A ESTRATÉGIA

Como a coluna já havia observado em relação ao debate realizado pela TV Gazeta, é natural que os candidatos ataquem mais o líder das pesquisas de intenção de voto, no caso, Casagrande.

E quem está no governo vira vidraça mesmo.

O socialista, nesta quinta, disse que "pode não ter sido nada combinado, mas é muita coincidência".

"O governador não pode se fazer de vítima. Não fiz complô com ninguém", retrucou Manato.

O fato é que todos foram para cima do socialista que, vez por outra, contra-atacou, mas, no geral, foi evasivo.

A tática de Casagrande, mais uma vez, pareceu ser não "entrar na pilha" dos adversários.

"ALERTA"

O governador, entretanto, fez o que chamou de "alerta" aos eleitores: "Cuidado! Estão de olho no seu dinheiro". E afirmou que os adversários fazem "promessas mirabolantes".

A três dias da eleição, os candidatos da oposição reforçaram o que já vinham fazendo nesta reta final: centraram críticas pesadas em Casagrande para tentar forçar um segundo turno.

Pesquisa Ipec publicada no último dia 22 mostrou chances de o governador vencer o pleito já no próximo dia 2, com 53% das intenções estimuladas de voto. Em segundo lugar, ou seja, com maior probabilidade que passar a uma segunda etapa de votação, apareceu Manato, com 18%.

"Vamos para o segundo turno. Deixa eu cuidar de vocês", pediu o candidato do PL aos eleitores nas considerações finais do debate.

Eis uma resposta que cabe às urnas.

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