O senador Fabiano Contarato é candidato à reeleição pelo PT e a vitória dele nas urnas é prioridade para o partido no Espírito Santo. Mas são duas as vagas de senador em disputa em 2026, o que abre caminho para a sigla apoiar um segundo nome.
Ao menos desde dezembro do ano passado, o caminho já estava desenhado para os petistas lançarem Contarato e, ainda que informalmente, endossarem a candidatura de Renato Casagrande (PSB) ao mesmo posto.
Naquele mês, o presidente estadual do PT, João Coser, afirmou à coluna não haver dificuldade alguma para a legenda "fazer campanha, como segundo voto, para Casagrande".
Agora, um mapeamento sobre as candidaturas ao Senado do partido e de siglas apoiadas pelo PT veio à tona.
Contarato está na lista. Casagrande, também.
Como mencionei alguns parágrafos acima, a ideia é que o apoio do PT a Casagrande seja informal e não vinculado a uma coligação.
Isso porque a afinidade se dá, historicamente e especificamente, entre o Partido dos Trabalhadores e o governador, mas não se estende a todos os integrantes da aliança casagrandista.
O ponto mais flagrante é que não há liga entre o pré-candidato de Casagrande ao governo, Ricardo Ferraço (MDB), e o PT.
"O apoio a Casagrande não é um apoio formal. Não tem como fazer coligação entre PT e PSB no Espírito Santo devido à escolha do Casagrande de apoiar o MDB (Ricardo)", afirmou Coser à coluna, nesta quarta-feira (4).
Ricardo, como presidente estadual do MDB, aliás, assinou recentemente um manifesto contrário à aliança nacional entre emedebistas e petistas.
Ao todo, 17 presidentes estaduais do MDB são contra a coligação.
O MDB, porém, tem três ministérios no governo Lula (PT).
Já em termos eleitorais, em todo o país o MDB é o partido que o PT mais vai apoiar na disputa por governos estaduais.
O distanciamento no Espírito Santo é um ponto fora da curva, que se dá mais por uma questão de perfil do próprio Ricardo do que por ideologia partidária.
Para o Palácio Anchieta, o PT lançou a pré-candidatura do deputado federal Helder Salomão. Ele é quem vai pedir votos aos eleitores para Lula.
"Ricardo, há muito tempo, nos avisou que não faria palanque para Lula. Então isso (o fato de o emedebista ter assinado o manifesto anti-PT) não muda nada. Já lançamos o Helder e a questão do Ricardo está superada", afirmou Coser.
Voltando ao assunto Senado, o presidente estadual do PT ressaltou que "Contarato é prioridade zero", no sentido de que é a principal prioridade da legenda no estado.
Mas não é a única.
João Coser
Deputado estadual e presidente do PT-ES
"Eleger Renato (Casagrande) para o Senado também passa a ser uma prioridade para nós. O presidente Lula quer um Senado formado por pessoas do campo democrático"
"Temos chance de eleger dois senadores de grande qualidade", avaliou Coser.
Na segunda-feira (2), durante coletiva de imprensa em que anunciou que vai renunciar ao mandato para disputar o Senado, Casagrande disse que a campanha local não deve ser focada na corrida presidencial ou em pautas ideológicas.
O PSB, do qual o governador é um quadro histórico, certamente estará ao lado de Lula.
Mas a decisão do PT de lançar Helder ao Palácio Anchieta, de certa forma, tira um peso dos ombros de Casagrande.
Como candidato ao Senado, ele não deve ser pressionado a fazer campanha em prol da reeleição do presidente da República. Esse papel vai caber a Helder e a Contarato.
Em 2022, o PT coligou com o PSB e o MDB no Espírito Santo.
Os petistas até desistiram da candidatura de Contarato ao governo em prol da aliança com Casagrande.
Após a vitória nas urnas, o PT ganhou espaço na gestão estadual. O partido comanda a Secretaria de Esportes, com José Carlos Nunes.
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