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Vem aí um novo inhame com “a cara e o jeito” do Espírito Santo

Apesar de sua pequena extensão territorial, Estado responde por quase metade de todo o tubérculo produzido no Brasil

Vitória
Publicado em 20/01/2026 às 17h13
Pesquisadores do inhame do Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Serrano (CPDI Serrano), em Domingos Martins
Pesquisadores do inhame do Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Serrano (CPDI Serrano), em Domingos Martins. Crédito: cervo do projeto/Incaper

Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) anunciou nesta terça-feira (20) que vai desenvolver novas variedades de inhame (taro) adaptadas às condições de cultivo do Espírito Santo, com foco no aumento da produtividade, na qualidade do alimento e no fortalecimento da agricultura familiar. As pesquisas já estão em andamento e, segundo o Incaper, devem contribuir para reforçar o protagonismo nacional do Estado nessa cultura.

E de inhame o Espírito Santo entende: o Estado, apesar de sua pequena extensão territorial, responde por quase metade de todo o inhame produzido no Brasil. Em 2024, a produção capixaba alcançou 120,5 mil toneladas, em uma área colhida de 3,3 mil hectares, com produtividade média de 36,9 toneladas por hectare.

O Valor Bruto da Produção (VBP) foi de R$ 276,8 milhões, evidenciando a relevância econômica e social da cultura, especialmente para agricultores familiares.

Entre as pesquisas em curso, destaca-se o projeto “Potencialização da cultura do taro no Espírito Santo: caracterização de germoplasma, diversidade genética e seleção de variedades”, aprovado no Edital Universal (Nº 44/2024) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Em uma chamada de abrangência nacional, a proposta figura entre as sete da área de Agronomia selecionadas no Espírito Santo, com investimento de R$ 147,7 mil.

“O apoio do CNPq amplia a visibilidade nacional do trabalho realizado pelo Incaper e permite aprofundar os estudos com foco na seleção de genótipos mais produtivos, adaptados às condições locais e com melhor qualidade nutricional”, afirma a pesquisadora Rosenilda de Souza, coordenadora do projeto.

Cultivar de inhame em estudo no Incaper
Cultivar de inhame em estudo no Incaper. Crédito: Incaper

A pesquisa tem como base o Banco de Germoplasma de Taro do Incaper, que reúne 40 acessos (materiais genéticos) da cultura. A coleção está localizada no Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Serrano (CPDI Serrano), em Domingos Martins. Os materiais serão avaliados em áreas de alta e baixa altitude – nos municípios de Domingos Martins e Viana, respectivamente – sob manejo agroecológico, ao longo de três safras agrícolas, considerando características agronômicas, adaptativas, genéticas e físico-químicas.

Rosenilda de Souza

Coordenadora do projeto de desenvolvimento de variedades de  inhames adaptadas às condições de cultivo do Espírito Santo

“O desenvolvimento de novas variedades amplia as opções para os agricultores, reduz riscos produtivos e contribui para a sustentabilidade da cultura a médio e longo prazo”

Atualmente, as cultivares de inhame mais plantadas no Espírito Santo são Chinês, São Simão, Macaquinho e São Bento. A cultivar São Bento se destaca por ser genuinamente capixaba, originária da localidade de São Bento de Urânia, no município de Alfredo Chaves e por ser detentora de Indicação Geográfica (IG), obtida com apoio do Incaper.

OS MAIORES PRODUTORES DE INHAME

Em 2024, Alfredo Chaves liderou a produção capixaba de inhame, com 31,7 mil toneladas, seguido por Laranja da Terra (16,5 mil toneladas), Marechal Floriano (10,5 mil toneladas) e Santa Leopoldina (9,2 mil toneladas). Também se destacam municípios como Domingos Martins, Santa Maria de Jetibá e Muniz Freire, reforçando a importância da cultura para a economia regional.

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