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Leonel Ximenes

Feriado em cidade do ES lembra tragédia com centenas de mortos

Dia da Penitência, comemorado em 20 de janeiro, marcou o desfecho de um histórico ato de fé da população local

Publicado em 20 de Janeiro de 2026 às 03:11

Públicado em 

20 jan 2026 às 03:11
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

Cemitério da igreja Luterana em Campinho, em 1950
Cemitério da igreja Luterana em Campinho, em 1950 Crédito: Reprodução/IBGE
Todas as cidades brasileiras que têm como padroeiro São Sebastião comemoram feriado nesta terça-feira, 20 de janeiro, mas em um município do Espírito Santo o feriado de hoje não tem nada a ver com o santo católico de grande devoção popular.
Em Domingos Martins, no dia 20 de janeiro, é lembrada uma tragédia. Segundo a prefeitura do município da Região Serrana capixaba, o Dia da Penitência passou a ser celebrado pelos martinenses a partir de 1895 quando um grande surto de febre amarela matou centenas de imigrantes e seus descendentes.
Naquela época, quase no apagar das luzes do século XIX, houve o registro de até cinco sepultamentos diários, deixando as famílias desesperadas. A cidade se mobilizou e católicos e luteranos se reuniram para um dia de penitência. Eles ficaram durante todo o dia em jejum e oração - os luteranos na igreja de Campinho e os católicos em Santa Isabel.
Sede da Prefeitura de Domingos Martins
Sede da Prefeitura de Domingos Martins: 20 de janeiro é feriado municipal desde 1972 Crédito: PMDM/Divulgação
A fé dos imigrantes foi tão grande, segundo o registro histórico, que os últimos sepultamentos decorrentes do surto de febre amarela aconteceram no dia 20 de janeiro de 1895.
A partir desta data, católicos e luteranos consagraram a data como Dia da Penitência. E em 1972, por meio de uma lei municipal aprovada pela Câmara de Vereadores, foi decretado feriado oficial em todo o município martinense.

A ORIGEM DA EPIDEMIA DE FEBRE AMARELA

Segundo a Fiocruz, a febre amarela foi o maior problema de saúde pública do país desde meados do século XIX até quase meados do século XX. O vírus responsável pela doença ainda circula por seus hospedeiros animais e humanos no interior e bate às portas das grandes e populosas cidades do litoral, ainda infestadas por seu vetor/hospedeiro intermediário urbano, o Aedes aegypti.
Mas a doença não irrompe nesses cenários hoje dominados pela dengue, que compartilha com a febre amarela o mesmo vetor. Trata-se de um enigma que a ciência não consegue desvendar.
Testemunhas relacionaram a eclosão da epidemia que irrompeu em meados do século XIX na capital do Império brasileiro à chegada de um navio negreiro procedente de Nova Orleans (EUA), tendo feito escalas em Havana (Cuba) e Salvador antes de atracar no Rio de Janeiro, a 3 de dezembro de 1849.
Em fevereiro de 1850 a febre amarela se apossara da cidade e já havia se disseminado pelas praias dos Mineiros e do Peixe, Prainha, Saúde e além. Segundo estimativas, atingiu 90.658 dos 266 mil habitantes do Rio de Janeiro, causando 4.160 mortes, de acordo com os dados oficiais, ou até 15 mil vítimas, segundo a contabilidade oficiosa.

Leonel Ximenes

Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.

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