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Leonel Ximenes

Por que bairros de periferia da Serra estão entre os que mais têm coronavírus no ES?

Feu Rosa e Vila Nova de Colares fazem parte da lista liderada por regiões de classe média da Grande Vitória

Publicado em 29 de Maio de 2020 às 19:49

Públicado em 

29 mai 2020 às 19:49
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

A pracinha de Feu Rosa, bairro que tem 112 casos confirmados de coronavírus
A pracinha de Feu Rosa, bairro que tem 112 casos confirmados do coronavírus Crédito: Prefeitura da Serra
Quem observa atentamente o Painel Covid-19 fica surpreso com a relação de bairros mais infectados pela doença no Estado. Em 10º lugar aparece Feu Rosa, bairro carente e violento da Serra que está na lista fazendo companhia a regiões de classe média e alta da Grande Vitória.
Por sinal, os nove bairros com mais notificações do novo coronavírus são redutos com população de alto e médio poder aquisitivo. Estão nesta lista, por exemplo, Jardim CamburiPraia da Costa, Itapoã, Praia do Canto e Jardim da Penha. Mas por que Feu Rosa, acompanhada de perto por Vila Nova de Colares (71 casos, 14º lugar), bairro vizinho com características econômico-sociais semelhantes, tem um alto índice de contaminação pelo vírus tão temido?
Não há uma resposta apenas para esse fenômeno. O presidente interino do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), Pablo Lira, levanta algumas hipóteses para explicar o que está acontecendo naquela região da Serra.
O pesquisador, inicialmente, chama atenção para a trajetória do novo coronavírus no Brasil. A doença, observa, chegou primeiro em grandes centros urbanos com ativo movimento de transporte aéreo com o exterior, onde a pandemia começou. Pablo cita São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza, Manaus e Brasília, onde a Covid fez as primeiras vítimas e acabou pressionando o sistema de saúde.
Num segundo momento, no qual está inserido o Espírito Santo, a doença surgiu inicialmente em bairros de classe média cujos moradores costumam viajar mais para o exterior e para grandes centros urbanos do país, inclusive para as cidades onde aconteceram as primeiras contaminações no país.
A fase atual da pandemia tem sido marcada pelo surgimento de casos da doença em bairros periféricos das maiores cidades, como o observado em Feu Rosa e Vila Nova de Colares, e no interior, a partir de cidades-polo, como Linhares, Colatina, Cachoeiro e São Mateus.
Algumas características peculiares aos dois bairros da Serra são apontadas pelo presidente do IJSN como determinantes para a disseminação da doença. “É preciso considerar, por exemplo, o isolamento social, que nesses locais está menor do que a média de outros municípios”, destaca Lira.
Outro fator determinante, na análise dele, é a grande concentração populacional nessa região, que tem um comércio bem ativo e que propicia maior movimentação de pessoas, que acabam se expondo mais ao vírus.
“Além disso, em Feu Rosa e Vila Nova de Colares existe uma alta densidade domiciliar, isto é, são muitos moradores por domicílio, o que acaba facilitando a infecção”, afirma o pesquisador, que ainda aponta questões de sobrevivência para levar parte da população para as ruas.
Pablo Lira destaca que parte dos moradores desses locais presta serviço fora, principalmente em bairros de classe média e que apresentam casos elevados de ocorrência da Covid-19.
Por fim, o presidente do IJSN salienta que esses dois bairros estão localizados à beira de uma importante rodovia do município da Serra, o que acaba favorecendo a grande circulação de pessoas e a contaminação.
“A tendência agora é que os bairros populares vão concentrar mais casos do novo coronavírus. O mesmo quadro está sendo observado nos chamados municípios-polo do Espírito Santo, como Colatina, onde já foi registrado o pior isolamento social do Estado”, conclui.

O QUE DIZ A PREFEITURA DA SERRA

Procurada para comentar os números, a Secretaria Municipal de Saúde da Serra pondera que Feu Rosa é um bairro bastante populoso, mas no entanto o índice mais correto para avaliar esses números é a taxa de incidência, que, segundo o órgão, fornece uma comparação entre o número de casos confirmados em relação à população residente.
“A incidência em Feu Rosa está bem abaixo dos outros bairros da Grande Vitória citados: 491,50 por 100 mil habitantes”, ressalva a Secretaria, em nota.

Leonel Ximenes

Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.

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